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Os Grandes Mestres do Cinema Italiano

Cinema Nimas (Lisboa) |Teatro Campo Alegre (Porto)

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Os Grandes Mestres do Cinema Italiano

Cinema Medeia Nimas

A partir de 17 de Junho
LADRÕES DE BICICLETAS (1948) e O MILAGRE DE MILÃO (1951)
de Vittorio De Sicca

A partir de 1 de Julho
A RAPARIGA DA MALA (1961) e OUTONO ESCALDANTE (1972)
de Valerio Zurlini
Consultar horários em www.medeiafilmes.com


Teatro Campo Alegre

17 a 23 de Junho

LADRÕES DE BICICLETAS (1948), de Vittorio De Sica
Sessões todos os dias às 18h30 e 21h30* (sábado e domingo também às 15h30)
* não haverá sessão na noite de S. João, 23 de Junho

24 a 30 de Junho
O MILAGRE DE MILÃO (1951), de Vittorio De Sica
Sessões todos os dias às 18h30 e 21h30 (sábado e domingo também às 15h30)

1 a 7 de Julho
A RAPARIGA DA MALA (1961), de Valerio Zurlini
Sessões todos os dias às 18h30 e 21h30 (sábado e domingo também às 15h30)

8 a 14 de Julho
OUTONO ESCALDANTE (1972) de Valerio Zurlini
Sessões todos os dias às 18h15 e 21h30 (sábado e domingo também às 15h00)


LADRÕES DE BICICLETAS
Ladri di biciclette de Vittorio De Sica
com Lamberto Maggiorani, Enzo Staiola, Lianella Carell, Elena Altieri
Itália, 1948 – 1h29 | M/6
CÓPIA DIGITAL RESTAURADA, 4K
Ladrões de Bicicletas ocupa há sete décadas consecutivas um lugar cimeiro no cânone dos melhores filmes de todos os tempos. A odisseia de um pai e de um filho pelas ruas de Roma à procura de uma bicicleta roubada, indispensável para o seu trabalho, obra zénite do neo-realismo italiano, tem a grandeza de uma tragédia clássica.
Com uma extraordinária mise en scène, um trabalho rigoroso de escrita (com Cesare Zavattini), uma concisão comovente, Ladrões de Bicicletas é “cinema no seu estado puro”, que nos provoca uma comoção tão forte hoje como há 70 anos.
«Ladrões de Bicicletas é para mim um dos maiores filmes [de todos os tempos], e talvez o que o cinema nos deu de mais elevado, de mais incontestável, desde Charlie Chaplin.» André Bazin

O MILAGRE DE MILÃO
Miracolo a Milano de Vittorio De Sica
com Emma Gramatica, Francesco Golisano, Paolo Stoppa
Itália, 1951 – 1h37 | M/6
CÓPIA DIGITAL RESTAURADA, 4K
Depois do sucesso de Ladrões de Bicicletas, um filme da dupla De Sica-Zavattini seria sempre um acontecimento. E De Sica voltava a surpreender, neste filme que adapta um romance do próprio Zavattini. Como notou Bazin, O Milagre de Milão traz ao neo-realismo uma audaciosa mutação, misturando o realismo social com a fantasia mais desenfreada. Totò é um jovem ingénuo e com bons sentimentos, saído de um orfanato. Um vagabundo acolhe-o em noite de intempérie e ele decide organizar uma “cidade da felicidade” para os indigentes num terreno baldio. Mas, ao descobrirem que naquele lugar há petróleo, os capitalistas resolvem expulsá-los. E é aí que entra o elemento “mágico”, na forma de uma pomba que lhe é entregue pela avó, que desce do céu, e que Totò usa para rechaçar os invasores. De Sica reconhece a influência de Chaplin e de René Clair, mas fá-la ressurgir de uma forma extremamente criativa, poética (Bazin dizia que não havia no mundo nenhum realizador que tivesse, como ele, o sentido da poesia de um rosto), cómica, e humana. O cineasta italiano construía assim mais um futuro clássico da história do cinema.


A RAPARIGA DA MALA
La ragazza con la valigia de Valerio Zurlini
com Claudia Cardinale, Jacques Perrin, Renato Baldini
Itália, França, 1961 – 2h | M/12
CÓPIA DIGITAL RESTAURADA, 4K
É o filme mais célebre de Zurlini, um cineasta profundamente moderno, com uma aura particular entre os grandes do cinema italiano, a par de um Antonioni ou de um Pasolini. Claudia Cardinale, que aqui revela a sua sensualidade e beleza selvagem, é sublime no papel de Aida, uma jovem mãe solteira que canta para ganhar a vida. Encontra Lorenzo, um homem-criança de 16 anos, filho da grande burguesia (Jacques Perrin, que se tornaria actor fetiche de Zurlini), que lhe oferece o seu amor, escondendo-lhe ser irmão do amante que acabara de a abandonar. É um encontro de duas solidões, habitado pelo gosto amargo das primeiras angústias amorosas, pela impotência para superar o peso da fatalidade social, e, ao mesmo tempo, por um forte instinto de sobrevivência das personagens.
«A visão desencantada da humanidade inspirou a Zurlini uma mão cheia de obras inesquecíveis, que já entraram no panteão dos clássicos da história do cinema, mas que são, sobretudo, filmes de cabeceira, que alimentam a nossa melancolia e nos comovem sempre que os vemos.» Olivier Père, Les Inrockuptibles


Outono Escaldante
La prima notte di quiete de Valerio Zurlini
com Alain Delon, Sonia Petrovna, Lea Massari, Alida Valli
Itália, França, 1972 – 2h12 | M/12
CÓPIA DIGITAL RESTAURADA, 4K
É uma das obras fundamentais de Zurlini, produzida e interpretada por Alain Delon, num dos melhores desempenhos da sua carreira, o de um professor substituto, apaixonado pela arte e pela literatura, que chega a Rimini, na costa adriática, em pleno Inverno. E é nesta estação balnear deserta e fantasmática, brumosa e lamacenta, filmada soberbamente pela câmara de Dario di Palma, por onde vemos deambular Delon, com um frio e pungente magnetismo e uma tal intensidade que nos corta a respiração, que o professor Daniele Domicini se apaixona por uma aluna frágil e sedutora, com um nome de ressonâncias stendhalianas.
La prima notte di quiete, no título original que cita um verso de Goethe, é uma espécie de poema melancólico, com uma delicadeza sombria, que pinta um vazio existencial à procura de um sentido. E Zurlini faz da sétima arte a chave de uma pureza perdida. Bela como o “je t’aime” que Delon murmura no cais da gare de Rimini. (Frédéric Strauss)