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História

A democratização da Rádio

O pós Segunda Guerra Mundial foi marcado pelo desenvolvimento da electrónica e o alargamento do acesso à rádio.

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A democratização da Rádio

O pós Segunda Guerra Mundial foi marcado por alterações profundas em termos de desenvolvimento económico e cooperação internacional, com impactos muito visíveis em termos políticos, sociais e culturais. O desenvolvimento da investigação científica na sua relação com a tecnologia e com a indústria foi explosivo, aliado a um crescimento económico sem precedentes que enquadrou e promoveu também o sector das comunicações. A consagrar a era da electrónica, o transístor, desenvolvido nos laboratórios da Bell Company, permitiu a miniaturização dos receptores de rádio, alterando também de forma muito significativa o seu custo o que se traduziu numa autêntica democratização da rádio. No contexto português, o pós-guerra foi marcado pela expectativa de renovação política – depressa gorada – com a emergência de novas forças de oposição no plano político e social, mas também pelas exigências do planeamento económico e da cooperação internacional.


 

Segundo carro de exteriores da Emissora Nacional. 
GMD/RTP.


A curto prazo, o maior desafio à continuidade do Estado Novo impôs-se, com a emergência dos movimentos de libertação em África e a consequente eclosão da guerra colonial, em 1961. Na história da Emissora Nacional, e a par do desenvolvimento tecnológico associado à rádio, as décadas de 50 e 60 foram marcadas pelo reforço da cobertura nacional, através da instalação de novos emissores regionais, e do continente americano, onde se encontrava uma parte significativa das comunidades portuguesas. Entre 1952 e 1956 foram também estudadas as possibilidades de introdução da Frequência Modulada (FM), que entrou funcionamento em 1956.



Reportagem do Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins-Porto, em 1956.
GMD/RTP.


A par da estratégia de cobertura nacional, a crescente tensão no quadro colonial impôs o reforço das emissões para os territórios ultramarinos, sobretudo a partir da invasão de Goa, Damão e Diu por tropas da União Indiana. A instalação do Centro Emissor Ultramarino foi por isso acelerada, tendo sido inaugurado em Pegões, em 1954. A este emissor acrescentou-se um outro de onda curta, em 1957 e mais quatro, em 1966. Entre as estratégias de reforço da eficácia de programação, destacaram-se as emissões em inglês que tinham por objectivo a defesa da posição colonial do regime. A cobertura alargada reforçou também a centralidade da EN no mundo, cobrindo uma área que chegava aos continentes americano, asiático e africano.



Centro Emissor Ultramarino, em Pegões, 1966. Emissores dos Açores, África, Índia, Europa e Brasil.
GMD/RTP.


Embora a inauguração dos serviços da RTP, em 1957, tenha interferido com o protagonismo que até então se oferecia exclusivamente à rádio, a capacidade da Emissora Nacional em matéria de mobilização de recursos técnicos e humanos manteve a sua importância na cobertura de eventos e na captação de audiências, sendo economicamente mais acessível para o público em geral.