Ouvir
José Candeias
Em Direto
José Candeias

masterclass

Jónatas Pereira (TOTA)

|

Jónatas Pereira (TOTA)

PERFIL

Nome: Jónatas Pereira (TOTA)
Letras: Adminto / Canto ao desafio / A idade não perdoa




LETRAS

Adminto

adminto
tenho sempre algo a esconder
mas não te vou dizer
tu deves estar faminto
para comer o miolo do meu falhar
mas só te dou a côdea a provar

adminto
não te quero dar a espremer
a lágrima a escorrer
só cá dentro é que a sinto
faço-me pierrot, mímica no meu falar
um dia a fonte vai secar

se calhar
tanto me intimo
que me acabo a intimidar
eu sou um isco pra me morder
e em vez de darmos
um abraço gratuito
vamos de braço de ferro dado
pra parecer bonito

adminto
o q.b. para não ofender
prefiro descrever
à la fernão mendes pinto
quero ir pra além de ti se é para peregrinar
já vejo a canoa a encalhar

se calhar
tanto me intimo
que me acabo a intimidar
eu sou um isco pra me morder
em vez de darmos
um abraço gratuito
vamos de braço de ferro dado
pra parecer bonito

de nada valem as paredes para te confessar
só têm eco pra te contar
precisamos de nos partilhar

se calhar
tanto me intimo
que me acabo a intimidar
eu sou um isco pra me morder
em vez de darmos
um abraço gratuito
vamos de braço de ferro dado
pra parecer bonito

adminto
mas quão melhor seria ser
mais menor no parecer…


Canto ao desafio

sacode o capote
tira de mim o holofote
para quê tanto quilowatt
eu não quero que se note
esta canção de boicote

mas eu sou tão imaturo
também tenho medo do escuro
desse negrume puro e duro
tão inseguro
a que chamam futuro

o dono do meu passado
é o do meu fado
o depósito da minha herança
é o da minha esperança
quem espera e não cansa
então está à espera sentado

por mais que cante ao desafio
sacuda da corda o bafio
não é pra mim o apreço
obrigado, eu não mereço!

eu não nasci pra nascer rico
já dizia o avô Chico
da cadeira balançante
para trás e pra diante
era decerto um bom falante
mas eu só peço o bastante
sem ser pedante
quero vinho maduro
casa, trabalho, seguro

mas eu sou imaturo
também tenho medo do escuro
desse negrume puro e duro
tão inseguro
a que chamam futuro


A idade não perdoa

no meu tempo de menino
ela era tudo o que eu queria
e agora que ela me domina
pra apagá-la de mim tudo eu faria

na minha época da juventude
saí com ela a passear
mas o nosso futuro foi tão rude
eu gostava era de quando tu eras o meu par

na minha fase adulta
tive uma crise de metade dela
e eu até lhe pedi desculpa
até lhe pedi desculpa mas nem sequer me deu trela

biberão, cola, vinho e soro
o último o néctar da morte
se não tinha queria, agora tenho e choro
ó idade, ó idade contigo eu não tive sorte