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Ecos da Ribalta
Em Direto
Ecos da Ribalta João Pereira Bastos

Argumentos de Óperas, Obra


Zaira

5ª ópera (27 anos)

Libreto: Felice Romani sobre Voltaire

Estreia: (Veneza) Teatro La Fenice, 16 de Maio de 1829


PersonagensZaira
Corasmino
Orosmane
Nerestano
Lusignano
Fatima
Meledor
Castiglione

AntecedentesEm Junho de 1828 Bellini recebeu uma encomenda extremamente prestigiante: escrever uma ópera destinada para a inauguração do Teatro Ducal de Parma. Um ano antes o seu "Pirata" obtivera um enorme sucesso no Scala. Depois o Teatro Carlo Felice de Génova era inaugurado com a sua "Bianca e Fernando". Agora, enquanto ultimava a estreia, de novo no Scala, da "Straniera", recebia mais esta nova, e prestigiante, encomenda. Aos 26 anos Bellini tornara-se o mais importante compositor italiano de óperas depois de Rossini, que entretanto já abandonara a actividade operática retirando-se para o seu refúgio dourado perto de Paris.
Ao receber esta nova encomenda o jovem compositor começou por pensar em "César no Egipto", acabando, no entanto, por decidir-se, juntamente com o libretista Felice Romani, pela venerável história de Zaira do venerável Voltaire - um tema que já fora utilizado por outros compositores como Saverio Mercadante.
Bellini partiu para Parma em Março de 1829 - demasiado tarde segundo os responsáveis pelo novo teatro, já que a estreia estava marcada para o dia 16 de Maio. A meticulosidade com que Bellini e Romani trabalhavam era proverbial - logo sujeita a demoras. Como é que a nova ópera poderia ficar pronta em tão pouco tempo? Ou considerariam que Parma não estava à altura do seu prestígio? A ópera foi recebida com desconfiança pelo público, e redundou num fiasco. Bellini apressou-se a mete-la na gaveta, aproveitando alguns trechos para "Capuletos e Montecchios". O sucesso dessa nova ópera foi tal que o compositor nunca mais pensou em repor a malfadada "Zaira". Ela seria levada a cena de novo pouco depois da sua morte, em Florença em 1836.

1º ActoA acção decorre no palácio dum sultão em Jerusalém no tempo das Cruzadas. Orosmane, o sultão da cidade, venceu a última batalha fazendo alguns prisioneiros - entre eles Zaira, uma órfã. Nerestano, um cavaleiro francês, foi enviado para França incumbido de pedir um resgate ao rei. Já se passou um ano, e Orosmane apaixonou-se por Zaira, que corresponde a esse amor mas se recusa a renegar a sua Fé. Entretanto Nerestano regressa com o dinheiro do resgate, e o sultão dispõe-se a libertar 100 cavaleiros. Porém recusa-se a libertar o velho Lusignano que deverá ser executado. Zaira interfere em seu favor, e o cavaleiro reconhece nela e em Nerestano os seus dois filhos, dos quais se perdera havia muito tempo. Fica, pois, horrorizado ao saber que Zaira quer desposar o sultão, e implora-lhe que abandone esse projecto. Obediente, Zaira pede a Orosmane para adiar o casamento.

2º ActoNo 2º acto vemos Fatima, aia de Zaira, tentando convencer a ama a não renunciar à sua Fé. Temendo pela vida do seu irmão, Zaira volta a pedir ao sultão para adiar o casamento. Entretanto o vizir Corasmino intercepta uma carta que Zaira escreveu ao irmão, e, ignorando o seu parentesco, deduz que ela está apaixonada por Nerestano. Chega a notícia da morte do velho Lusignano, e Zaira e Nerestano decidem fugir. Instigado por Corasmino, o sultão encontra os dois juntos no jardim, o que parece confirmar as suspeita. Louco de ciúmes, apunhala Zaira. Depois, quando Nerestano lhe revela que são irmãos, Orosmane não resiste ao remorso, e suicida-se.

RDP - Transmissões em "Noite de Ópera" desde 1996
2001 - 25 de Outubro
Enredo resumido da autoria de Margarida Lisboa.