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Véu Diáfano Pedro Amaral

Argumentos de Óperas, Obra


Mikado

Ópeea cómica em dois atos

LibretoWilliam Schwenck Gilbert

Estreia14 de Março de 1885 no Teatro Savoy de Londres

Antecedentes e resumoSobejamente conhecida a parceria do compositor Arthur Sullivan e do libertista William Schwenck Gilbert, esta resultou em algumas das óperas cómicas mais populares na história da música anglo-saxónica. Mikado foi assim maior sucesso destes dois parceiros, com cerca de 672 apresentações ininterruptas desde a sua estreia a 14 de Março de 1885 no Teatro Savoy de Londres, e chegando mesmo às mil apresentações quando a ópera volta a ser posta em cena no ano de 1896.

A ideia de escrever Mikado surgiu pela primeira vez ao libertista William Gilbert quando uma espada samurai que estava pendurada na parede do seu estúdio caiu de repente. Gilbert viu neste acontecimento um sinal e decidiu procurar inspiração para um novo libreto no oriente. Não teve que ir muito longe. A matéria prima de que precisava encontrava-se em Knightsbridge, uma pequeno bairro de imigrantes japoneses a cerca de um quilometro e meio da sua casa em Kensington. Nesse bairro de japoneses ele pôde presenciar aquilo que para si eram estilos de vida completamente diferentes.

A história de Mikado gira à volta de uma personagem de nome Nanki-Poo que se exilou de uma pequena cidade de nome Titipu. Nanki-Poo, segundo consta, apaixonou-se por uma bela e jovem rapariga chamada Yum-Yum. Infelizmente, Yum-Yum está compremetida com o seu tutor, o alfaiate Ko-Ko. No entanto, quando Nanki-Poo ouve dizer que Ko-Ko foi condenado à morte por ter cometido o crime capital de catrapiscar raparigas, volta imediatamente a Titipu e apercebe-se que não só a pena de Ko-Ko foi suspensa como este ainda foi promovido ao cargo de Grande Executor. Aparentemente, aqueles que se encontram no poder estão muito preocupados com as elevadas taxas de execuções e assim com Ko-Ko naquele cargo cessam as execuções pois para Ko-Ko cortar a cabeça a alguém terá primeiro que cortar a sua.

Entretanto, Mikado, o supremo potentado e pai de Nanki-Poo, depressa se apercebe da ausência de execuções na pequena cidade e decreta que se não houverem execuções no espaço de um mês o estatuto de cidade será retirado a Titipu passando assim a vila. Ko-Ko, desesperado, corre para encontrar um substituto e, exactamente naquele momento, entra em cena Nanki-Poo agarrado a uma corda que lhe servirá de forca. Ele prefere a morte a ter que viver sem a sua amada Yum-Yum. Ko-Ko apercebe-se da sua sorte e oferece ao jovem a oportunidade de viver um mês com todos os luxos, ao fim do qual ele será decapitado. Acrescenta ainda que a execução será o mais indolor possível. Nanki-Poo concorda sob a condição de se casar imediatamente com Yum-Yum para que assim ele possa passar o seu último mês em lua-de-mel.

Tudo se diligencia para que nada falte ao pobre Nanki-Poo, mas no momento em que se está a realizar a boda, é descoberta uma lei que diz, para desepero de Nanki-Poo, que a mulher de um condenado deve ser enterrada viva junto do seu corpo.

A chegada de Mikado é anunciada e ele declara-se como o Mikado mais humano que o Japão já conheceu e declama o seu sistema de justiça cujo objectivo principal é adequar a pena ao crime. Ko-Ko, Pooh-Bah e Pitti-Sing falam-lhe da execução que está para acontecer e Mikado rapidamente se apercebe que a vitima é o seu filho.

É dada assim a oportunidade a Nanki-Poo para evitar a execução mas este recusa-se, a não ser que Katisha, uma mulher que o perseguia, se case com Ko-Ko. E assim acontece. Ko-Ko convence Katisha a casar com ele, convencido que está de que Nanki-Poo já foi executado. Por fim, Nanki-Poo aparece, já casado com Yum-Yum e todos rejubilam no fim.