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Grande Auditório Reinaldo Francisco / Produção: Susana Valente

Argumentos de Óperas, Obra


La Púrpura de la Rosa

(56 anos?)

Libreto: Calderón de la Barca

Estreia: (Lima) Palácio do Vice-Rei, 19 de Outubro de 1701


Personagens
Adonis
Venus
Marte
Bellone
Amor
Celfa
O Dragão
Chato

AntecedentesExistiram em Espanha diversas versões de "La Púrpura de la Rosa". A última versão conhecida foi um libreto de Calderón de la Barca, datado de 1680 e posto em música por Juan Hidalgo. Esse manuscrito perdeu-se mas a obra foi reconstituída por Tomás de Torrejon y Velasco e levada a cena em Lima em 1701, tornando-se a primeira ópera representada no continente americano.
Essa histórica representação deveu-se à vontade do então Vice-rei do Peru, Don Melchor Portocarrero Lasso de la Veja, Conde de Monclova, que encomendou uma ópera para as comemorações do aniversário do jovem Rei Filipe V.

1.ª ParteA ópera inicia-se com uma abertura do compositor napolitano Filippo Coppola, seguindo-se um prólogo em forma de loa ao rei. Só depois entramos no enredo propriamente dito.
As ninfas de Venus chamam por socorro ao serem atacadas por um urso, e é a própria deusa que surge para enfrentar a fera. Adonis estava a caçar na floresta. Escuta os sons da luta e acorre em auxílio de Venus, ferindo o animal. A deusa cai nos braços do seu salvador nascendo entre ambos um amor irresistível. Mas Adonis resiste, contando a Venus as circunstâncias do seu nascimento e o Destino aziago que parece perseguir todos os seus passos. Depois regressa à caçada interrompida.
Venus grita por socorro, e Marte vem em seu auxílio, voltando a repetir que a ama, e que abandonara uma batalha contra a cidade de Cnidus para poder voltar a vê-la. Marte quer saber o que aflige Venus, mas a deusa não responde para não comprometer Adonis. Então Marte volta-se para as ninfas para tentar saber o que aconteceu, mas apenas Libia lhe responde. Surge então Bellona vinda dos céus para levar consigo o irmão de regresso à batalha.
Celfa e Chato, um casal de camponeses duma aldeia, discutem um com um outro, assim mostrando uma outra faceta do amor, e trazendo ao enredo uma componente cómica. Chato soube que um dos Dragões de Marte se encontra regularmente com a mulher nos jardins de Venus, e decide averiguar o que se passa para poder vingar-se.
Chorosa, Venus pede às ninfas que a deixem sozinha no seu jardim. Depois exprime a raiva que sente por aquele amor que a tortura. É então que vê Adonis adormecido à sombra dum rochedo. Com a ajuda do Amor decide vingar-se do desdém de Adonis. Mas o Amor é cego e deixa escapar algumas flechas. Venus e Adonis abraçam-se num belo dueto de amor incentivados pelas ninfas.
A primeira parte da ópera termina com uma animada jácara.

2.ª ParteA segunda parte inicia-se com Marte aclamado por Bellona e os soldados. Marte confessa à irmã o seu amor por Venus, e diz que pretende vingar-se de Adonis. Ordena então a Chato e a Celfa que o levem até ao esconderijo do jovem. O Amor escutou a conversa, mas é descoberto. No entanto consegue escapar e vai avisar Adonis, enquanto Marte segue com os soldados na sua missão vingativa. O Amor refugia-se na gruta onde a Desilusão está acorrentada. É aí que entram também Marte e o Dragão que vão encontrar as figuras alegóricas do Medo, da Desconfiança, da Inveja e da Raiva. No seu espelho a Desilusão mostra a Marte os campos de Chipre onde Venus e Adonis gozam em paz o seu amor. A fúria de Marte abala a terra, e a gruta desaparece.
Venus e Adonis cantam loas ao Amor, quando o Amor aparece e os avisa do perigo que correm. Adonis tem de fugir. Para se proteger Venus envenena as águas de Lethe e de Styx, cuja súbita ebulição perturba a razão de Marte. Bellona chega para o socorrer, e, como vingança, pede à fúria Megera que torne o urso invencível para que ele mate Adonis.
Entretanto Marte amarrou Celfa e Chato a uma árvore para que eles lhe digam onde Adonis se esconde. Mas eles resistem, e nada dizem. Marte parte furioso. O Dragão fica, e, para gáudio de Chato, bate na pobre e indefesa Celfa.
Venus assustada corre com as ninfas em busca de Adonis que sabe ter sido ferido pelo urso. Encontra-o já agonizante, e deixa-se morrer junto dele. Profundamente comovido, Jupiter transforma Venus numa estrela, e coloca Adonis ao seu lado na forma duma rosa púrpura. A ópera termina com o alvorecer inundando a cena de fogo. O Amor conquistou o ciúme de Marte.

RDP - Transmissões em "Noite de Ópera" desde 1996
Enredo resumido da autoria de Margarida Lisboa.