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António Carrilho | 30 Outubro 21h30

O'Culto da Ajuda

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António Carrilho | 30 Outubro 21h30 António Carrilho | 30 Outubro 21h30

© Jorge Carmona / Antena 2

A partir de Outubro a Miso Music Portugal apresenta em colaboração com a Antena 2, uma vez por mês, um recital, transmitido em direto a partir do O’culto da Ajuda, com intérpretes de excepção para dar voz à música do nosso tempo.


30 Outubro 21h30
Lisboa


António Carrilho | Flauta de bisel


Programa

Orbis Tibiae, o outro lado do som

César Viana (1963) - Hamelin: - Bloody mice - How could they do it? - Baby, come to papa (2012)[Estreia] 

Karel van Steenhoven (1958) - 7 minimal pieces: Glass (2010)

Daniel Schvetz (1955) - 3 motivos (2017) [Estreia] 

Thérèse Brenet (1935) - Prélude et Chaconne, pour saxophone alto (2013)[Estreia absoluta em flauta de bisel, 2018]

Katharine Rawdon (1960) - Broadway Boogie Woogie: - Broadway Boogie Woogie - Midtown Dive at Dusk - Times Square by Night (2018) [Estreia]

Markus Zahnhausen (1965) - Flauto Dolce solo: Minimal music (1990)

Miguel Azguime (1960) - Feedback Orders (flauta de bisel e electrónica) (2018) [Estreia absoluta] 



O virtuoso flautista de bisel António Carrilho continua o seu percurso de exploração de um instrumento tipicamente associado à época barroca, mas cada vez mais apreciado pelos compositores de hoje. Com obras recentes ou estreias absolutas para um leque de flautas de bisel a solo, o programa destaca tanto as capacidades do intérprete, reconhecido mundialmente pelos seus recitais pelo Japão, Austrália, Índia, Estados Unidos da América, Brasil e Europa, assim como as capacidades incríveis deste instrumento em plena ascensão. 
As obras apresentadas - maioritariamente dedicadas a António Carrilho - foram escolhidas para cativar todo e qualquer público, pela admirável variedade de estilos e inspirações, fazendo uma “viagem” fantástica de novos sons pelo novo mundo de um instrumento de origem antiquíssima.




Transmissão em direto
Apresentação e Realização: João Almeida
Produção: Cristina do Carmo



Notas ao programa

Hamelin, de César Viana, é uma peça para flauta de bisel solista e, como o nome indica, baseia-se na famosa lenda, segundo a qual um flautista vindo do oriente livrou a cidade de uma infestação de ratos; quando os cidadãos de Hamelin se recusaram a pagar-lhe, o flautista voltou à cidade, mas desta vez atraiu todas as crianças! 
A peça tem 3 movimentos: o primeiro é a marcha tocada pelo flautista para atrair os ratos, o segundo ilustra a sua perplexidade ao não ser pago e o terceiro, a atração das crianças para terra desconhecida. A peça é dedicada a António Carrilho.


O título Três motivos refere-se, em simultâneo, às características de cada uma das três mini-seções da obra, com cunho e identidade reconhecivéis, assim como as três causas (motivos), que levaram Daniel Schvetz a compor a obra: a) o artista a quem está dedicada, b) as maravilhosas capacidades técnicas, expressivas, timbricas das flautas de bisel e c) deixar-se levar pela leveza dum andar quase a improvisar, sem muito plano nem ideia preconcebida, um motivo carente de motivo, um porque sim, tão simples como isto".


Esta obra de Brenet foi comissionada como parte de uma série de peças para saxofone de vários compositores em forma de Prelúdio e Chaconne. Entretanto, sentindo-se constrangida pela forma musical, a obra que Thérèse Brenet compôs acabou por ser uma expressão da sua vontade de romper com estas restrições, para entrar no seu próprio mundo musical. A primeira audição em flauta de bisel é autorizada pela compositora.




Katharine Rawdon escreveu este conjunto de três peças curtas para o seu amigo, o grande flautista (de bisel) António Carrilho, com uma dupla inspiração: primeiro, inspirou-se no quadro de Mondrian com o mesmo título, que para a compositora captura na perfeição a energia nonstop da Manhattan. Em segundo, inspirou-se na energia paralela do flautista. 
Os andamentos retratam três ambientes Nova Iorquinos distintos: um passeio na Broadway, uma paragem num dive em Midtown, e a hiperatividade de Times Square à noite. Desde que começou a tocar em concerto com o António Carrilho (em 2014) em Manhattan, a energia da música, dele, e da cidade, estão, para Rawdon, inextricavelmente ligadas, fazendo desta forma a homenagem a ambos.




António Carrilho, concertista, criador conceptual, professor e director musical, divide a sua atividade musical entre a flauta de bisel e a direção, abrangendo um repertório que vai desde o Trecento italiano até à música mais recente dos nossos dias sem deixar, no entanto, de interpretar e transcrever a música do século XIX. Foi solista com as orquestras Gulbenkian; Sinfónica Portuguesa; Orquestra Metropolitana de Lisboa; Orchestrutopica; Den Norsk Katedralenensemblet (Noruega); Sinfonietta de Lisboa; Divino Sospiro; Os Músicos do Tejo; Orquestra Barroca de Haifa (Israel); Orquestra Sinfónica da Póvoa de Varzim; Orquestra Barroca do Amazonas (Brasil); Orquestra Barroca de Nagoya (Japão); Orquestra de Cascais e Oeiras; Orquestra Barroca do Amazonas (Brasil); Concerto Balabile (Holanda); Orquestra de Câmara da Madeira e premiado nos Concursos Internacionais Recorder Moeck Solo Competition (Inglaterra), assim como Recorder Solo Competiton of Haifa (Israel).
É director musical de La Paix du Parnasse - membro da associação G. E. M. A ( Grupos Españoles de Música Antiga) e faz parte dos agrupamentos Syrinx : XXII - membro da associação C. M. A (Chamber Music America); Syrinxello; Ciudate (Holanda); Borealis Ensemble; Os Músicos do Tejo & Melleo Harmonia - Antigua (Portugal) e é o maestro principal da Orquestra Barroca de Nagoya (Japão), apresentando-se regularmente em importantes festivais na Europa, América e Ásia. Gravou para as etiquetas: Encherialis; Numérica; Naxos; Secretaria de Estado de Cultura do Estado do Amazonas; DGartes/ MPMP; portugaler; dialogos; Arte France/ RTP.
Tem tido um enorme desempenho no que diz respeito a estreias contemporâneas para flauta de bisel a solo, em contexto camaristico ou em estreias como solista e orquestra nas últimas duas décadas, tendo estreado obras de compositores dos quatro cantos do mundo.
Dirigiu “Dido and Aeneas” de Purcell, ”La descente d’Órphée aux enfers" de Charpentier, “La Serva Padrona” de Pergolesi, ”La Dirindina” de Scarlatti, ”Don Quijotte chez la Duchese” de Boismortier, “Orfeu” de Monteverdi, “Venus and Adonis” de John Blow, “Arlechinatta” de Salieri, “Orfeo & Eurydice” de Gluck, cantatas de Bach e Telemann, assim como obras de Tchaikovsky, Mozart, Sibelius, Nielsen, Piazzolla, Stockhausen...
Ministra cursos nas Masterclass Internacionais de Música Antiga de Urbino em Itália; nas Lisbon's Masterclass e nos Cursos Internacionais de Música da Casa de Mateus (direção pedagógica) em Portugal, tendo orientado cursos e estágios em países como Portugal, Holanda, Espanha, Alemanha, Itália, Índia, Japão e Brasil. É Professor Adjunto na ESART - Escola Superior de Artes Aplicadas -, lecionando Flauta de bisel e Música de Câmara (coordenador da disciplina). É igualmente professor na Escuela Superior de Música de Extremadura, em Espanha.
Licenciado e Mestre pelo Conservatório Real de Haia (Países Baixos), António Carrilho detém uma Especialização em flauta de bisel e em música de câmara pelos Institutos Politécnicos de Lisboa, do Porto e de Castelo Branco, tal como é formador na área artística.
Na presente temporada apresenta-se em concerto em Roma no Festival Frescobaldi; em concertos pelo Brasil; em digressão pela Índia, Japão e Austrália; em concertos em Nova Iorque, entre outros projectos em Portugal e em Espanha. Vai gravar com: Syrinx: XXII em Nova Iorque; La Paix du Parnasse em Madrid; com Divino Sospiro a estreia do concerto para flauta e orquestra de Nuno da Rocha (estreado no Festival Jovens Músicos).



Fotos Jorge Carmona / Antena 2 RTP