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Concertos

Behzod Abduraimov | 22 Novembro 19h00

Fundação Gulbenkian

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Behzod Abduraimov | 22 Novembro 19h00 Behzod Abduraimov | 22 Novembro 19h00

© Jorge Carmona / Antena 2


22 Novembro | 19h00
Grande Auditório da 
Fundação Gulbenkian


Behzod Abduraimov

Orquestra Gulbenkian
Direção de Lorenzo Viotti


Programa

Piotr Ilitch Tchaikovsky Concerto para Piano e Orquestra nº 1, em Si bemol menor, op. 23

Antonín Dvořák - Sinfonia nº 7, em Ré menor, op. 70





O primeiro encontro entre o maestro Lorenzo Viotti e o pianista Behzod Abduraimov, em Munique, em 2017, foi um daqueles momentos em que se forjou uma cumplicidade tão excecional que merece todas as oportunidades para se desenvolver e dar novos frutos. Abduraimov, talentoso jovem pianista uzbeque, tem sido descrito como sendo capaz de dar a mais vibrante vida a qualquer peça a que decida dedicar-se. 
"O seu segredo" – escreveu-se acerca da sua estreia no prestigiado Concertgebouw – corresponde a uma combinação entre "autenticidade, controlo e um pianíssimo aveludado".





Transmissão direta
Apresentação: Pedro Ramos
Produção: Alexandra Louro de Almeida



O pianista uzbeque Behzod Adburaimov começou a tocar piano aos cinco anos de idade com Tamara Popovich, em Tachkent. Em 2009 venceu o Concurso Internacional de Piano de Londres. Estudou com Stanislav Ioudenitch no International Center for Music at Park University, em Kansas City, Missouri. Colabora com as principais orquestras mundiais, sob a direção de maestros como Vladimir Ashkenazy, James Gaffigan, Jakub Hruša ou Santtu-Matias Rouvali. 


Na presente temporada, Abduraimov é Artista em Residência na Gulbenkian Música, apresentando-se duas vezes com a Orquestra Gulbenkian, sob a direção de Lorenzo Viotti, e também em recital. Depois de uma série de concertos em Munique, regressa ao Carnegie Hall para o seu segundo recital no Stern Auditorium (Chopin, Debussy e Mussorgsky) e para interpretar o Concerto para Piano nº 1 de Tchaikovsky, com a Filarmónica de Munique e o maestro Valery Gergiev. Outros destaques da temporada 19/20 incluem colaborações com a Orquestra Nacional de França, a Philharmonia Orchestra, a Deutsches Symphonie-Orchester Berlin e as Sinfónicas de Cincinnati e de Sydney.
Em concerto e em recital, apresenta-se também na Alte Oper Frankfurt, no ciclo International Piano Series, em Londres, no ciclo Meesterpianisten do Real Concertgebouw de Amesterdão, no Spivey Hall de Atlanta e no Melbourne Recital Centre, entre outros palcos.
Acompanha o violoncelista Truls Mørk em digressões na Europa e nos E.U.A., estando também agendada a realização de uma gravação.


Recentes colaborações incluem a Orquestra de Paris, a Orquestra do Gewandhaus de Leipzig, a Orquestra do Real Concertgebouw, a Sinfónica de São Francisco e a Orquestra de Cleveland. Em julho de 2018 regressou ao Hollywood Bowl, tendo interpretado o Concerto para Piano nº 2 de Rachmaninov, com a Filarmónica de Los Angeles e o maestro Gustavo Dudamel. No verão de 2019 voltou a atuar nos festivais de Verbier, Rheingau, La Roque d’Anthéron e Lucerna. O primeiro CD de Behzod Abduraimov para a editora Decca (2012) que incluiu peças de Liszt, Saint-Saëns e Prokofiev, recebeu o Choc da revista Classica e o Diapason Découverte. Em 2018 foi lançado em DVD um filme da sua estreia nos BBC Proms, com a Filarmónica de Munique e Valery Gergiev.




Notas de Rui Cabral Lopes / FCG

Piotr Ilitch Tchaikovsky [Votkinsk, 7 de maio de 1840-São Petersburgo, 6 de novembro de 1893]

Concerto para Piano e Orquestra nº 1, em Si bemol menor, op. 23
Composição: 1874-75 / 1876 / 1888
Estreia: Boston, 25 de outubro de 1875

O Concerto para Piano e Orquestra nº 1, em Si bemol menor, op. 23, constitui o marco inaugural da produção concertante de Piotr Ilitch Tchaikovsky. A partitura foi concluída em fevereiro de 1875, vindo a conhecer revisões subsequentes, em 1876 e 1888. O primeiro impulso do músico foi procurar o amigo e pianista virtuoso Nikolai Rubinstein, de quem recebeu uma apreciação muito negativa, face às dificuldades da escrita para o solista. Reconhecendo mais tarde a valia estética e estilística da obra, situada na esteira dos concertos para piano de Liszt, Rubinstein viria a tornar-se, curiosamente, um dos intérpretes de eleição do Concerto op. 23, o qual chegou a tocar por ocasião do ciclo de “concertos russos” da Exposição Universal de Paris, em 1878. Contudo, não foi a tempo de contrariar a decisão de Tchaikovsky que, desiludido com a reação do amigo, veio a designar outro pianista para a estreia da do seu Concerto nº 1 – o carismático Hans von Bülow, o qual se preparava para uma digressão nos Estados Unidos da América. Foi, pois, com a Orquestra do Boston Music Hall, sob a direção do maestro norte-americano Benjamin Johnson Lang, que o pianista germânico protagonizou a primeira audição pública do Concerto nº 1, a 25 de outubro de 1875.
A brilhante introdução do primeiro andamento, Allegro non troppo e molto maestoso anuncia, desde logo, a acentuada interação entre a orquestra e o piano, por via da partilha de um tema intenso e emocionalmente arrebatado, ao nível do que melhor produziu o compositor russo. O andamento prossegue sobre uma estrutura de sonata marcada pela diversidade temática, com amplas passagens para os enunciados melódicos do solista, sobretudo na cadência final.
Com o segundo andamento, Andantino semplice, irrompe uma atmosfera contrastante, liderada pelo solo da flauta transversal, na tonalidade mediante de Ré bemol maior. O compositor opta aqui por um discurso musical simples e despojado, em linha com o primeiro Romantismo. Na secção central, mais agitada, emerge a citação de uma cançoneta popular francesa, Il faut s'amuser, danser et rire.
Fazendo apelo às convenções do género, Tchaikovsky encerra o Concerto com um Allegro con fuoco inspirado na forma de rondó-sonata, cujo refrão deve o perfil melódico a um tema tradicional ucraniano. Este poderoso elemento propulsor alterna com secções sinfónicas mais alargadas, pelo que o resultado final constitui-se como uma súmula entre a sugestão coreográfica reminiscente da dança e o idioma instrumental puro que foi apanágio da vivência artística do Romantismo tardio.




Antonín Dvořák [Nelahozeves, 8 de setembro de 1841-Praga, 1 de maio de 1904]

Sinfonia nº 7, em Ré menor, op. 70
Composição: 1884-85
Estreia: Londres, 22 de abril de 1885

Um das obras sinfónicas mais densas do compositor checo Antonín Dvořák, a Sinfonia nº 7, em Ré menor, op. 70, inscreve-se claramente numa linha de expressão autónoma, tributária de Johannes Brahms e mesmo de Richard Wagner. Cerca de um ano após a estreia da Sinfonia nº 3, op. 90, de Brahms, em dezembro de 1883, Dvořák resolveu empreender este novo projeto orquestral, no seguimento do convite da Sociedade Filarmónica de Londres, no seio da qual tinha sido nomeado membro honorário. O processo de composição estendeu-se até março de 1885, pautado pelo ensejo de aproximação aos modelos austro-germânicos que se impunham contemporaneamente, fosse na composição, fosse na interpretação ou na direção de orquestra. A estreia teve lugar na St. James Hall de Londres, a 22 de abril de 1885, com a Orquestra Filarmónica de Londres, sob a direção do próprio compositor. Apesar de ter dedicado formalmente a Sinfonia nº 7 à Sociedade Filarmónica de Londres, o compositor colou o retrato de Hans von Bülow na folha de rosto do autógrafo, escrevendo, logo abaixo, as seguintes palavras: “Glória! Deste vida a esta obra!”. Tal como acontecera com o Concerto para Piano nº 1 de Tchaikovsky, também a Sinfonia nº 7 de Dvořák se tornou conhecida graças a este pianista, maestro e compositor da era romântica, tantas vezes negligenciado.
Despertando com um dos temas mais austeros de Dvořák, no registo grave dos violoncelos e dos contrabaixos, o primeiro andamento evolui para uma erupção de energia orquestral que conduzirá a textura a um novo enunciado melódico de grande serenidade e beleza, inspirado diretamente no tema de violoncelo do terceiro andamento do Concerto para Piano nº 2, op. 83, de Brahms. O desenvolvimento baseia-se, em grande medida, na conjugação deste componente com o primeiro tema da exposição, no quadro de sucessivas transformações apoiadas por uma instrumentação massiva, na qual se destacam os metais.
A riqueza tímbrica e a inspiração melódica do segundo andamento, Poco adagio, conferem a esta sinfonia um lugar aparte na vasta literatura sinfónica do Romantismo, ainda que nele subsistam elos de ligação aos principais representantes do Romantismo germânico.
No Scherzo, Dvořák faz, por fim, palpitar alguns traços melódicos, rítmicos e harmónicos da música tradicional checa, de tal forma que parecemos derivar para um universo paralelo, sem relação aparente com os andamentos anteriores.
O último andamento, Allegro, apoiado numa vasta nota pedal introdutória, faz regressar a atmosfera densa e abstrata do primeiro andamento, ainda que com novos elementos motívicos. O discurso musical evolui com base no encadeamento de secções orquestrais contrastantes, até uma derradeira nota de otimismo.






Fotos Jorge Carmona / Antena 2