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A Força das Coisas
Em Direto
A Força das Coisas Luís Caetano

Concertos

CMAG | 18 NOV 2011

Casa Museu Dr. Anastácio Gonçalves
Concerto Antena 2

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Ludovice Ensemble:

Joana Amorim | traverso
Fernando Miguel Jalôto | cravo

 

  

Johann Sebastian Bach (1685-1750)

Sonata I BWV 525 (sol M; orig.: mib M) Allegro - Adagio - Allegro
Sonata II BWV 526 (mi m; orig.: dó m) Vivace - Largo - Allegro
Sonata V BWV 529 (fá M; orig.: dó M) Allegro - Largo - Allegro

Sonata IV BWV 528 (lá m; orig.: mi m) Adagio - Vivace - Andante - Un poco Allegro
Sonata III BWV 527 (ré m; orig.: ré m) Andante - Adagio e Dolce - Vivace
Sonata VI BWV 530 (dó M; orig.: sol M) Allegro - Lento - Allegro

Joana Amorim diplomou-se em flauta de bisel do Conservatório Nacional (Lisboa). Estudou no Conservatório Real da Haia (Países Baixos) com Ricardo Kanji (flauta de bisel) e Wilbert Hazelzet (traverso), tendo-se licenciado na classe de Barthold Kuijken (A Haia, 2000) e obtido o Diploma de Solista da Escola Superior de Música de Trossingen (Alemanha) com Linda Brunnmayer. Foi bolseira da Secretaria de Estado da Cultura. Em 2007 Joana terminou o Mestrado em Música na Universidade de Aveiro com Marc Hantaï. Trabalhou com os maestros Harry Christophers, H. Hazel, Barthold Kuijken, Jed Wentz, Christopher Curnyn, Philippe Pierlot, Enrico Onofri, Marc Hantaï, Masaaki Suzuki e Chiara Banchini, entre outros. Colabora regularmente com a Orquestra Barroca Divino Sospiro, com os Segréis de Lisboa, e outros grupos de Música Antiga. Deu já inúmeros recitais em todo o país, com o Ludovice Ensemble, e com os cravistas Joana Bagulho e Cristiano Holtz. Lecciona Traverso e Flauta de Bisel no Conservatório Nacional (Lisboa) desde 2000.


Fernando Miguel Jalôto é Master of Music pelo Conservatório Real da Haia (Países Baixos), sob a orientação de Jacques Ogg. Frequentou Master-Classes com Gustav Leonhardt, Olivier Baumont, Ilton Wjuniski, Laurence Cummings e Ketil Haugsand. Estudou órgão barroco e clavicórdio e foi bolseiro do Centro Nacional de Cultura. É Mestre em Música pela Universidade de Aveiro. Apresenta-se regularmente com grupos como Capilla Flamenca (Dirk Snellings), Oltremontano (Wim Becu), La Colombina (Josep Cabré), Orquestra Barroca Casa da Música (Laurence Cummings), e Orquestra Barroca Divino Sospiro (Enrico Onofri). Apresentou-se em vários festivais e concertos em Portugal, Espanha, França, Bélgica, Holanda, Áustria, Polónia, Bulgária e Japão. Foi membro da Académie Baroque Européenne de Ambronay (Christophe Rousset) e apresentou-se em concertos com Lyra Baroque Orchestra (Minnesota) e Real Escolania de San Lourenço d’El Escorial (Jacques Ogg), Orquestra da Radiotelevisão Norueguesa (Roy Goodman) e Camerata Academica Salzburg (Martin Brabbins) entre outras. Tocou sob a direcção de Jaap ter Linden, Elizabeth Wallfish, Ton Koopman, Christina Pluhar, Rinaldo Alessandrini, Chiara Banchini, Alfredo Bernardini, Christophe Coin, Fabio Biondi, Antonio Florio, Harry Christophers, e Andrew Parrott.

Notas ao programa
As seis sonatas em trio para órgão BWV 525 a 530 de Johann Sebastian Bach sobrevivem em dois manuscritos, um deles autógrafo, e o outro copiado por Wilhelm Friedmann Bach e por Anna Magdalena Bach, e datados de cerca de 1727 a 1732. Em ambos os manuscritos é clara a intenção do compositor, ao escrever que as obras se destinam "à 2 Clav: et Pedal" ou seja, aos dois teclados e ao pedal do órgão. No entanto, várias provas - desde fragmentos dispersos, modificações do texto musical, e mesmo versões alternativas de alguns dos movimentos, levam a concluir que quando Bach elaborou esta versão definitiva para órgão solo, estava a trabalhar sobre obras compostas anteriormente, e muito provavelmente a versão original de várias - senão todas - as sonatas se destinava não ao órgão, mas a conjuntos instrumentais variados. O melhor exemplo é o 1º andamento da Sonata IV que surge, já num manuscrito de 1723, como Sinfonia da 2ª parte da Cantata "Die Himmel erzählen die Ehre Gottes", numa versão para oboé d'amore, viola da gamba e contínuo. De facto a esmagadora maioria das sonatas em trio do período barroco foram escritas para uma das várias combinações possíveis de dois instrumentos melódicos e baixo contínuo, ou de um instrumento melódico e cravo "obbligato", e provavelmente estes seis trios não foram exceção. Posteriormente, o próprio Bach e alguns dos seus filhos ou alunos "reverteram" a versão para órgão, destinando andamentos soltos das sonatas a outras combinações instrumentais, nomeadamente: 1º e 3º andamentos da Sonata I como partes de um "concerto" para violino, violoncelo e contínuo; e o 2º andamento da Sonata III como andamento central do triplo concerto para flauta, violino, cravo e orquestra BWV 1044. Observando cuidadosamente as obras, apercebemo-nos que várias passagens forma reescritas de forma a adaptar as melodias à extensão do órgão, ou simplificando os baixos de forma a torná-los mais adequados a serem tocados no pedal. A versão apresentada pelo Ludovice Ensemble destas 6 obras-primas do barroco alemão é um compromisso entre várias possibilidades. Partindo da transcrição para flauta e cravo "obbligato" de W. e G. Kirchner, publicada pela Bärenreiter, procedemos à reposição de inúmeras passagens de acordo com o que supomos ter sido a versão original. A escolha desta combinação instrumental estabelece uma ponte com as obras para flauta e cravo obbligato genuínas de Bach, nomeadamente as sonatas BWV 1030 a 1032 - sonatas que o Ludovice Ensemble tem apresentado ao público com frequência, nomeadamente utilizando a reconstrução feita por Joana Amorim do primeiro andamento da Sonata BWV 1032.
O Ludovice Ensemble é um grupo especializado na interpretação de Música Antiga, sediado em Lisboa, e criado em 2004 por Fernando Miguel Jalôto e Joana Amorim, com o objectivo de divulgar o repertório de câmara dos séculos XVII e XVIII através de interpretações historicamente informadas, usando instrumentos antigos. O Ludovice Ensemble destaca-se pela elevada qualidade musical das suas interpretações, a coerência do seu projeto artístico, e a inovação dos seus programas e propostas - aliando inventividade e paixão à atenção colocada na fundamentação histórica e científica dos seus critérios interpretativos. Especializado na interpretação de obras francesas e alemãs, o Ludovice Ensemble não deixa no entanto de revisitar frequentemente a herança musical portuguesa, italiana e inglesa. O nome do grupo homenageia o arquiteto e ourives alemão Johann Friedrich Ludwig (1673-1752) conhecido em Portugal como João Frederico Ludovice. Ludwig trabalhou na Alemanha e em Itália, antes de se colocar ao serviço de D. João V, para o qual projetou o Palácio-Convento de Mafra entre muitas outras obras. O carácter dinâmico, inventivo e eclético da sua Obra, combinando diversas ascendências e estilos, e influenciando  em definitivo os destinos da Arte Barroca Portuguesa, são uma constante inspiração e referência para o Ludovice Ensemble.
O Ludovice Ensemble reúne, para além dos seus fundadores, alguns dos melhores intérpretes portugueses com formação específica na Música Antiga a par de artistas estrangeiros de excepcional qualidade, não só na área na Música mas também da Dança e da Representação. O Ludovice Ensemble apresentou-se já nos Festivais Internacionais de Música de Leiria, Alcobaça (Cistermúsica), Mafra, Óbidos ("Maio Barroco"), Loulé ("Encontros de Música Antiga"), Baixo Alentejo ("Terras sem Sombra") e Évora ("Encontros do Espírito Santo" e "Eboræ Musica"); na Festa da Música ("Folle-Journée") de Lisboa, no CCB; no Museu da Fundação Calouste Gulbenkian; no Ciclo de Música Sacra de Viana do Castelo, e ainda em vários concertos em Évora (Universidade), Porto, Lisboa (Instituto Franco-Português e Conservatório), Espinho e V. N. de Gaia. Mais recentemente, o Ludovice Ensemble esteve presente nos conceituados festivais de Música Antiga de Daroca, em Espanha, e no de Antuérpia (Laus Polyphoniae/AMUZ) na Bélgica, tornando o Ludovice Ensemble num embaixador da Música Antiga portuguesa.

www.ludoviceensemble.com