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Império dos Sentidos
Em Direto
Império dos Sentidos Paulo Alves Guerra / Produção: Ana Paula Ferreira

Concertos

Dia Europeu da Música Antiga | 21 Março | 8h00-23h00

Concerto | Programas | Entrevista

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Dia Europeu da Música Antiga | 21 Março | 8h00-23h00 Dia Europeu da Música Antiga | 21 Março | 8h00-23h00

© Jorge Carmona / Antena 2


Todos os anos, comemorando o início da Primavera e o aniversário de Johann Sebastian Bach, a REMA (Réseau Européen de Musique Ancienne / European Early Music Network)) promove, em parceria com a União Européia de Radiodifusão (EBU), o Dia Europeu da Música Antiga que celebra mais de mil anos de música, através de concertos e eventos que ocorrem simultaneamente em toda a Europa. 
Este ano, pela 1ª vez, a Antena 2 associa-se a esta Festa da Música Antiga com um Concerto do Grupo Vocal Olisipo, dois programas especiais e uma entrevista.


7ª Edição
Dia Europeu da Música Antiga

21 Março

8h00 | 11h00 | 15h00 | 19h00 | 21h00 | 22h00


8h00 | Império dos Sentidos
Entrevista com Armando Possante e João Chambers

11h00 | 21h00 (repetição)
Especial I, por João Chambers
Para ouvir, clicar aqui.

15h00 | 22h00 (repetição)
Especial II, por João Chambers
Para ouvir, clicar aqui.

19h00 | Concerto pelo Grupo Vocal Olisipo
A Herança Musical da Sé de Évora
Transmissão direta a partir da
Igreja do Convento de São Pedro de Alcântara, em Lisboa








Programação


8h00 | Entrevista
Em Império dos Sentidos, por Paulo Alves Guerra
Com Armando Possante, director do Grupo Vocal Olisipo, e João Chambers, autor/realizador do programa Musica Aeterna



11h00 | 21h00 (repetição) 
Especial I, por João Chambers
Magnus Thomsen, Hildegard von Bingen, Johann Sebastian Bach, Franz Schubert, Josquin Desprez, Ludwig van Beethoven, John Dowland, George Frideric Handel e canto gregoriano
Para ouvir, clicar aqui.    

15h00 | 22h00 (repetição) 
Especial II, por João Chambers    
Magnus Thomsen, Claudio Monteverdi, Johannes Regis, Wolfgang Amadeus Mozart, Johann Sebastian Bach, Gilles Binchois, Ludwig van Beethoven, Nicolas Gombert, Franz Schubert e Alessandro Piccinini.
Para ouvir, clicar aqui.    

O repertório pré-romântico de acordo com preceitos historicistas é um segmento medular da herança cultural compartilhada pelos europeus, intimamente ligado a outras expressões artísticas como a dança, o teatro, o cinema, a escultura ou a arquitectura. Abrange cerca de mil anos e foi escrito ou transmitido por via oral desde a Idade Média até ao primeiro terço do século XIX. Conquanto alguns dos insignes autores dessas fases, como Hildegard von Bingen, Josquin Desprez, Claudio Monteverdi ou Johann Sebastian Bach sejam amplamente festejados, existe ainda um vastíssimo acervo a carecer de urgente redescoberta pelos melómanos hodiernos.
João Chambers




19h00 | Concerto
Transmissão direta a partir da
Igreja do Convento de São Pedro de Alcântara, Lisboa
Entrada livre sujeita à lotação da Igreja

Grupo Vocal Olisipo
Elsa Cortez, soprano
Lucinda Gerhardt, meio-soprano
Carlos Monteiro, tenor
Armando Possante, barítono e direção


Programa
A Herança Musical da Sé de Évora

Estevão Lopes Morago (1575-após 1630) - Responsórios pro Defunctis 
Libera me, Domine             
Credo quod Redemptor      

Francisco Martins (ca.1620/25-1680) - Responsórios de Sexta-feira Santa   
Omnes amici mei    
Velum templi                    
Tenebrae factae sunt   
Caligaverunt              

Diogo Dias Melgaz (1638-1700) - Adjuva nos Salve Regina   

Pedro Vaz Rego (1673-1736) - Beati Omnes   

Afonso Lobo (fl.1770-1790) - Motetes para a Quaresma*   
Ductus est Jesus  
Assumpsit Jesus
Erat Jesus ejiciens
Cum sublevasset
   
André Rodrigues Lopo (c. 1739-c.1800) - Sepulto Domino*   

Francisco José Perdigão (17??-1833) - Motetes de Advento*    
Amen dico vobis
Cum audisset Joannes
Omnis vallis implebitur

Miguel Anjo do Amaral (c. 1770-c.1820) - Dicebat Jesus*


* Em rara performance moderna. 
* Edição de Luís Henriques para as edições do Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa.     




O Grupo Vocal Olisipo apresenta uma seleção de obras que ilustra a evolução do estilo dos compositores ligados à Sé de Évora nas gerações que se seguiram à conhecida “idade de ouro” de Manuel Cardoso, Duarte Lobo e Filipe de Magalhães. É fascinante ver como a força da Contra-reforma e a influência da obra dos grandes mestres seiscentistas fizeram com que, paralelamente ao desenvolvimento de novos estilos musicais, a escrita no stile antico se tenha mantido até meados do século XIX.
Iniciamos o nosso programa com obras pouco interpretadas de Estêvão Lopes Morago, compositor nascido em Espanha em 1575 mas que estudou em Évora, tendo sido ainda contemporâneo dos primeiros grandes autores eborenses. Foi Mestre de Capela da Catedral de Viseu, cidade onde morre em 1630.
Foi pela altura da morte de Morago que nasceram os dois autores seguintes do nosso programa, Francisco Martins (1620/25-1680) e Diogo Dias Melgaz (1638-1700). Ambos estudaram com Manuel Rebelo e ambos foram Mestres de Capela de uma Catedral, Martins em Elvas e Melgaz em Évora. Compositores com um estilo austero e despojado compensam esta aparente simplicidade com um arrojo de escrita harmónica e expressiva que mostra claramente o seu conhecimento da linguagem musical barroca. 


O compositor Pedro Vaz Rego tem fortes ligações com Diogo Dias Melgaz. Nascido em Campo Maior em 1673, foi aluno de Melgaz em Évora, tendo-se mais tarde tornado Mestre de Capela da Catedral de Elvas (cargo que Francisco Martins tinha também ocupado). Voltou a Évora para ajudar o seu antigo professor quando este estava já doente e cego e substituiu-o como Mestre de Capela e Reitor do Colégio dos Moços de Coro. Foi um autor prolífico de várias obras musicais tanto no estilo antigo como no moderno. Foi também autor de poemas e textos teóricos.
Afonso Lobo poderá ou não ser o famoso compositor espanhol Alonso Lobo, já que não se conhecem quaisquer pormenores sobre a sua vida. Apesar disto, o estilo e a linguagem harmónica das obras nas quais se contam estes Motetes para a Quaresma parece aproximá-lo de autores do século XVIII como Melgaz, o que poderá dar credibilidade à hipótese de ser na realidade um autor português.
André Rodrigues Lopo (c.1730-1800) foi cantor (tenor) da Capela da Catedral de Évora, tendo sido Mestre da Claustra, cargo que acumulou no final da vida com o Mestre de Capela Francisco José Perdigão. Sabe-se muito pouco sobre a sua vida mas há muitas obras suas no arquivo da Sé de Évora.


Francisco José Perdigão nasceu em fins do século XVIII e morreu em 1833, tendo sido nomeado para os cargos de Reitor do Colégio dos Moços de Coro, Mestre da Claustra e Mestre de Capela. É um dos compositores mais representados no arquivo da Sé, com obras em estilo concertado e em estilo antigo. Manda copiar obras de Cardoso e Melgaz, que são claras influências na sua escrita nestas suas obras em estilo antigo.
Miguel Anjo do Amaral (c.1770-c.1820) foi professor no Colégio dos Moços de Coro e cantor na Capela da Catedral, funções nas quais terá certamente trabalhado com o seu contemporâneo Francisco Perdigão. As suas obras em estilo antigo têm uma linguagem harmónica e um estilo de escrita melódico mais arrojados e inovadores que o afastam, mais do que a qualquer dos outros compositores interpretados, do estilo dos autores clássicos da Sé de Évora.
Esperamos que este conjunto de pequenas obras primas, na sua maioria completamente desconhecidas do publico moderno, vos fascine, não tanto pelo fenómeno da imutabilidade estilística coexistindo com a inovação técnica ao longo de dois séculos mas, sobretudo, pela sua beleza. 
Armando Possante






Transmissão direta
Realização e Apresentação: João Almeida 
Comentários: João Chambers
Produção: Anabela Luís




Grupo Vocal Olisipo foi fundado em 1988, tendo sido desde então dirigido por Armando Possante. O seu repertório é vasto e eclético, abrangendo obras do período medieval aos dias de hoje. Tem colaborado frequentemente com compositores, tendo apresentado em primeira audição obras de Bob Chilcott (Irish Blessing), Ivan Moody (The Meeting in the Garden, The Prophecy of Symeon), Christopher Bochmann (Maria Matos Medley, Morning e a ópera Corpo e Alma), Eurico Carrapatoso (Magnificat em Talha Dourada, Horto Sereníssimo, Stabat Mater), Vasco Mendonça (Era um Redondo Vocábulo), Luís Tinoco (Os Viajantes da Noite) e Manuel Pedro Ferreira (Delirium),entre outros. 
Estreou em Outubro de 2016, no Festival Guitar'Essonne, em França, obras de Anne Victorino d'Almeida, António Pinho Vargas, Carlos Marecos, Daniel Davis, Edward Luiz Ayres d'Abreu, Fernando Lapa, José Carlos Sousa, Nuno Côrte-Real, Sérgio Azevedo e Tiago Derriça. Trabalhou com dois dos mais prestigiados ensembles mundiais da actualidade - "Hilliard Ensemble" e "The King's Singers" e também interpretação de ópera barroca com Jill Feldman.
Conquistou já diversos prémios em concursos, nomeadamente uma menção honrosa no Concurso da Juventude Musical Portuguesa e o Primeiro Prémio nos concursos International May Choir Competition em Varna, Bulgária, Tampere Choir Festival na Finlândia, 36º Concorso Internazionale C.A.Seghizzi em Gorizia, Itália e 5º Concorso Internazionale di Riva del Garda em Itália, e vários prémios de interpretação. 
Efetuou inúmeras atuações por todo o país, tendo-se já apresentado nos principais Festivais de Música, em palcos como os do Centro de Arte Moderna, Centro Cultural de Belém, Teatro Nacional de S. Carlos, Casa da Música e Teatro Rivoli, entre muitos outros. Tem colaborado com vários ensembles instrumentais e orquestras, como o Quarteto Lacerda, Quarteto Arabesco, Capella Real, Músicos do Tejo, Academia de Música Antiga, Orquestra de Cascais e Oeiras, OrchestrUtopica, Orquestra Sinfónica Juvenil, Orquestra do Algarve, Orquestra Filarmonia das Beiras e Orquestra Metropolitana de Lisboa. Internacionalmente tem-se apresentado em concertos por toda a Europa. Participou como convidado em Sunderland, Inglaterra e no Festival 500, em St. John's no Canadá e mais recentemente em Singapura, onde apresentou 3 concertos de música Portuguesa com especial enfoque nos compositores Francisco Martins, Estêvão de Brito, Eurico Carrapatoso e Fernando Lopes-Graça. 
Em todos os festivais, o grupo orientou diversos workshops para coros e maestros de todo o mundo. Em cinema participou no filme As variações de Giacomo onde contracenou com os atores John Malkovich e Veronica Ferres e com os cantores Miah Persson, Florian Bösch e Topi Lehtipuu. Gravou o Officium Defunctorum de Estêvão de Brito e as Matinas de Natal de Estêvão Lopes Morago para a editora Movieplay, Cantatas Maçónicas de Mozart para a EMI, e, para a Diálogos, Tenebrae com música de Francisco Martins e Manuel Cardoso e o Magnificat de Eurico Carrapatoso.   



Armando Possante fez os seus estudos musicais no Instituto Gregoriano de Lisboa e na Escola Superior de Música de Lisboa onde concluiu os Cursos Superiores de Direção Coral, com Christopher Bochmann, Canto Gregoriano, com Maria Helena Pires de Matos, e Canto com Luís Madureira. Foi-lhe atribuído o Título de Especialista em Canto pelo Instituto Politécnico de Lisboa, comprovando a qualidade e especial relevância do seu currículo profissional como professor do ensino superior. Estudou Canto em Viena com Hilde Zadek e frequentou master classes de canto com Christianne Eda-Pierre, Christoph Prégardien, Siegfried Jerusalem e Jill Feldman. Aperfeiçoou os seus estudos de Canto Gregoriano em Itália com Nino Albarosa, Johannes Göschl, Alberto Turco e Luigi Agustoni. 
É professor no Instituto Gregoriano de Lisboa e na Escola Superior de Música de Lisboa. Orientou workshops no Canadá (Festival 500), Inglaterra (Congresso da ABCD), Singapura (A Cappella Festival) e em Portugal, destacando-se as Jornadas Internacionais de Música da Sé de Évora, onde trabalhou frequentemente ao lado de Owen Rees e Peter Phillips. 
É director musical e solista do Grupo Vocal Olisipo e do Coro Gregoriano de Lisboa e membro convidado do Nederlands Kamerkoor, tendo-se apresentado em concertos na Alemanha, Bélgica, Bulgária, Canadá, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Inglaterra, Itália, Japão, Luxemburgo, Marrocos, Polónia, Singapura e Suiça, bem como nas principais salas e festivais de música nacionais. 
Conquistou o 3º prémio e o prémio para a melhor interpretação de Bach no 1º Concurso Vozes Ibéricas, o 3º prémio e o prémio para a melhor interpretação de uma obra portuguesa no Concurso Luisa Todi e o 1º prémio no 7º Concurso de Interpretação do Estoril. Foi-lhe atribuido como maestro o prémio renreiter para a melhor interpretação de uma obra renascentista no concurso C. A. Seghizzi em Itália e, com o Grupo Vocal Olisipo, quatro primeiros prémios e vários prémios de interpretação em concursos internacionais na Bulgária, Finlândia e Itália. 
Gravou mais de duas dezenas de discos com grande reconhecimento crítico, pelos quais recebeu, entre outras distinções, uma nomeação para os prémios da SPA, o Choc du Monde de la Musique e o Diapason d'Or. Apresenta-se regularmente com a pianista Luiza da Gama Santos em recitais de Lied, tendo já interpretado obras como os ciclos Winterreise de Schubert, Dichterliebe de Schumann e Lieder eines Fahrendes Gesellen de Mahler. Como solista de oratória interpretou com as principais orquestras do país obras como Missa em Si m, Oratória de Natal, Paixão segundo São João e Magnificat de Bach, Messias de Handel, A Criação de Haydn, Nona Sinfonia de Beethoven, Petite Messe Solennelle de Rossini, Requiem Alemão de Brahms, L'enfance du Christ de Berlioz, Carmina Burana de Orff e as missas de Requiem de Mozart, Bomtempo, Fauré, Duruflé, Lopes Graça e Eurico Carrapatoso. 
Tem trabalhado também na área da música contemporânea, tendo apresentado em primeira audição obras de vários compositores como Christopher Bochmann, Ivan Moody, Bob Chilcott, Eurico Carrapatoso, Luís Tinoco, António Pinho Vargas, Pedro Amaral, Vasco Negreiros, Sérgio Azevedo, Carlos Marecos e Nuno Côrte-Real, entre muitos outros. Estreou-se em ópera no papel de Guglielmo em Così fan Tutte de Mozart, tendo posteriormente participado em produções das óperas L'Amore Industrioso, As Variedades de Proteu, Dido and Aeneas, The Fairy Queen, Venus and Adonis, La déscente d'Orphée aux Enfers, La Donna di Génio Volubile, La Dirindina, Don Giovanni, A Floresta, Corpo e Alma, Jeremias Fisher, O Sonho, L'Elisir d'Amore e Gianni Schicchi.             



Igreja do Convento de São Pedro de Alcântara

Fotos Jorge Carmona / Antena 2
Edição de imagens LDS