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Império dos Sentidos
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Império dos Sentidos Paulo Alves Guerra / Produção: Ana Paula Ferreira

Concertos

Grupo Vocal Olisipo | 15 Novembro

Teatro Nacional de São Carlos

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Grupo Vocal Olisipo | 15 Novembro Grupo Vocal Olisipo | 15 Novembro

15 Novembro | 18h30
Foyer
Entrada Livre

Concerto de Comemoração do 30º aniversário do
Grupo Vocal Olisipo

Elsa Cortez, Soprano
Maria Luisa Tavares, Mezzo-soprano
Lucinda Gerhardt, Mezzo-soprano
Carlos Monteiro, Tenor
João Rodrigues, Tenor
Armando Possante, Barítono e direção
Tiago Bentes do Rosário, Piano


Programa

Claudio Monteverdi (1567-1643) - Lamento d’Arianna

Eurico Carrapatoso (1962) - Te Deum em Louvor da Paz [no centenário do fim da I Grande Guerra]



Neste concerto comemoramos as três décadas de carreira do Grupo Vocal Olisipo. A interpretação de Madrigais sempre fez parte do nosso repertório e as obras de Monteverdi surgem recorrentemente em momentos importantes da história do grupo. O equilíbrio perfeito entre palavra e música, entre exteriorização e intimismo e, sobretudo, entre escrita solística e de ensemble faz com que seja um género que nos agrada sobremaneira e ao qual voltamos sempre que possível. Foi cantando madrigais que decidimos formar o grupo, que fomos premiados em vários concursos internacionais e que conhecemos alguns dos grupos e cantores que, sendo referências mundiais, sempre nos inspiraram e nos ajudaram a compreender as complexidades da sua interpretação. É o caso dos grupos ingleses Hilliard Ensemble e The King’s Singers e do soprano Jill Feldman, especialistas cujos ensinamentos são muitas vezes recordados nos nossos ensaios.
Ao selecionar o repertório para esta comemoração não poderíamos evitar o ciclo Lamento d’Arianna, recriação a 5 vozes do lamento final da ópera L’Arianna, entretanto desaparecida. Este sentido lamento da princesa Ariana após ser abandonada por Teseu para morrer na ilha deserta de Naxos tem-nos acompanhado ao longo dos anos e foi cantado por nós em muitos concertos em vários países, tendo-nos inclusive valido primeiros prémios em concursos internacionais.

A obra que interpretaremos na segunda parte do concerto não tem a mesma ligação histórica, sendo uma obra que estreámos há poucos meses e em apenas um concerto. A sua escolha celebra a nossa relação com a música contemporânea portuguesa. Ao longo das últimas décadas tivemos o privilégio de estrear dezenas de obras encomendadas aos maiores compositores a trabalhar em Portugal. Nesta ocasião apresentaremos o
Te Deum em Louvor da Paz (no centenário do fim da I Grande Guerra) de Eurico Carrapatoso. Na semana em que se comemora o centenário da assinatura do armistício esta obra torna-se particularmente relevante, A celebração jubilante do fim da guerra no texto litúrgico do Te Deum é intercalada com três lamentos, com poemas da autoria de Rimbaud, Apollinaire e Pessoa, aqui designados pelo compositor como Pavana para um Infante Dormindo, Pavana para uma Infanta Distante e Pavana para um Infante Defunto. Nestes poemas é-nos dada toda a dimensão trágica das vidas perdidas de tantos e tantos infantes.

Com estes dois grandes momentos de música celebramos 30 anos de Olisipo. Partimos agora para os próximos 30.




Gravação para posterior transmissão
Produção: Anabela Luís






Grupo Vocal Olisipo foi fundado em 1988, tendo sido desde então dirigido por Armando Possante. O seu repertório é constituído essencialmente por música "a cappella" do séc. XVI e XVII, incluindo música religiosa e profana. Tem vindo recentemente a privilegiar a música contemporânea, colaborando frequentemente com compositores, muitos dos quais já dedicaram obras ao grupo, nomeadamente Bob Chilcott, Ivan Moody, Christopher Bochmann, Eurico Carrapatoso, Manuel Pedro Ferreira e António Lopes.
Em Julho de 2002 apresentou em estreia absoluta a obra Qualbî 'arabî de Luís Tinoco, num concerto encomendado pelo Festival Internacional de Música da Costa do Estoril.
Efetuou inúmeras atuações na área de Lisboa, bem como por todo o continente e Açores, destacando-se as participações no Ciclo Acarte “Novos Compositores, Novos Intérpretes”, Festival Manuel Cardoso, Festival de Música das Caldas da Rainha, Festival Música em São Roque, Festival Internacional de Órgão de Lisboa, Festival de Internacional de Música de Mafra, Festival Internacional de Música de Leiria, Festival Internacional de Música da Costa do Estoril, Festival Internacional de Música de Alcobaça, Festival dos Capuchos e Porto 2001.
Em Março de 1998 colaborou com o agrupamento Capela Real e a “Mark Morris Dance Groupe” em três espectáculos realizados para o Festival dos 100 Dias no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém.
Trabalha regularmente com agrupamentos instrumentais barrocos, tendo vindo a desenvolver uma estreita colaboração com a Capela Real. Em Maio de 1999, apresentou a versão integral de “O Messias” de G. F. Händel, sob a direcção de Richard Gwilt.
Iniciou a sua carreira internacional em 1991, tendo desde então realizado concertos em festivais de vários países, nomeadamente Alemanha (Eurotreff Musik e A Capella), Bélgica (Flanders Festival), Bulgária, Finlândia, Inglaterra, Itália (La Fabbrica del Canto) e Polónia (Festival Internacional de Música de Câmara de Kamien Pomorski).
Participou, em Julho de 1999, como convidado especial no Festival 500, que teve lugar em St. John’s no Canadá. No decorrer deste festival, o grupo orientou diversos workshops para coros vindos de todo o mundo.
Em 1994 e 1996 teve a oportunidade de trabalhar com dois dos mais prestigiados ensembles mundiais da actualidade - “Hilliard Ensemble” e “The King’s Singers”- visando um aperfeiçoamento técnico e artístico. Trabalhou também interpretação de ópera barroca com Jill Feldman em 1998 e 1999.
Conquistou já diversos prémios em concursos, nomeadamente o Primeiro Prémio nos concursos International May Choir Competition em Varna, Bulgária (1997), Tampere Choir Festival na Finlândia (1997), 36º Concorso Internazionale C.A.Seghizzi em Gorizia, Itália (1997) e 5º Concorso Internazionale di Riva del Garda em Itália (1998) e uma menção honrosa no Concurso da Juventude Musical Portuguesa (1995).
Gravou o Officium Defunctorum de Estêvão de Brito, as Matinas de Natal de Estêvão Lopes Morago para a editora Movieplay, Cantatas Maçónicas de Mozart para a EMI e, em 2005, Tenebrae para a Diálogos, com música de Francisco Martins e Manuel Cardoso, e Magnificat em Talha Dourada, de Eurico Carrapatoso, para a mesma editora.


@ Jorge Carmona / Antena 2 RTP

Armando Possante fez os seus estudos musicais no Instituto Gregoriano de Lisboa e na Escola Superior de Música de Lisboa onde concluiu os Cursos Superiores de Direção Coral, com Christopher Bochmann, Canto Gregoriano, com Maria Helena Pires de Matos, e Canto, com Luís Madureira. Foi-lhe atribuído o Título de Especialista em Canto pelo Instituto Politécnico de Lisboa, comprovando a qualidade e especial relevância do seu currículo profissional como professor do ensino superior. Estudou Canto em Viena com Hilde Zadek e frequentou master classes de canto com Christianne Eda-Pierre, Christoph Prégardien, Siegfried Jerusalém e Jill Feldman. Aperfeiçoou os seus estudos de Canto Gregoriano em Itália com Nino Albarosa, Johannes Göschl, Alberto Turco e Luigi Agustoni. 
É professor no Instituto Gregoriano de Lisboa e na Escola Superior de Música de Lisboa. Orientou workshops no Canadá (Festival 500), Inglaterra (Congresso da ABCD), Singapura (A Cappella Festival) e em Portugal, destacando-se as Jornadas Internacionais de Música da Sé de Évora, onde trabalhou frequentemente ao lado de Owen Rees e Peter Phillips. 
É diretor musical e solista do Grupo Vocal Olisipo e do Coro Gregoriano de Lisboa e membro convidado do Nederlands Kamerkoor, tendo-se apresentado em concertos na Alemanha, Bélgica, Bulgária, Canadá, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Inglaterra, Itália, Japão, Luxemburgo, Marrocos, Polónia, Singapura e Suíça, bem como nas principais salas e festivais de música nacionais. 
Conquistou o 3º prémio e o prémio para a melhor interpretação de Bach no 1º Concurso Vozes Ibéricas, o 3º prémio e o prémio para a melhor interpretação de uma obra portuguesa no Concurso Luisa Todi e o 1º prémio no 7º Concurso de Interpretação do Estoril. Foi-lhe atribuído como maestro o prémio Bärenreiter para a melhor interpretação de uma obra renascentista no concurso C. A. Seghizzi em Itália e, com o Grupo Vocal Olisipo, quatro primeiros prémios e vários prémios de interpretação em concursos internacionais na Bulgária, Finlândia e Itália. 
Gravou mais de duas dezenas de discos com grande reconhecimento crítico, pelos quais recebeu, entre outras distinções, uma nomeação para os prémios da SPA, o Choc du Monde de la Musique e o Diapason d’Or. Apresenta-se regularmente com a pianista Luiza da Gama Santos em recitais de Lied, tendo já interpretado obras como os ciclos Winterreise de Schubert, Dichterliebe de Schumann e Lieder eines Fahrendes Gesellen de Mahler. Como solista de oratória interpretou com as principais orquestras do país obras como Missa em Si m, Oratória de Natal, Paixão segundo São João e Magnificat de Bach, Messias de Handel, A Criação de Haydn, Nona Sinfonia de Beethoven, Petite Messe Solennelle de Rossini, Requiem Alemão de Brahms, L’enfance du Christ de Berlioz, Carmina Burana de Orff e as missas de Requiem de Mozart, Bomtempo, Fauré, Duruflé, Lopes Graça e Eurico Carrapatoso. 
Tem trabalhado também na área da música contemporânea, tendo apresentado em primeira audição obras de vários compositores como Christopher Bochmann, Ivan Moody, Bob Chilcott, Eurico Carrapatoso, Luís Tinoco, António Pinho Vargas, Pedro Amaral, Vasco Negreiros, Sérgio Azevedo, Carlos Marecos e Nuno Côrte-Real, entre muitos outros. Estreou-se em ópera no papel de Guglielmo em Così fan Tutte de Mozart, tendo posteriormente participado em produções das óperas L’ Amore Industrioso, As Variedades de Proteu, Dido and Aeneas, The Fairy Queen, Venus and Adonis, La déscente d’Orphée aux Enfers, La Donna di Génio Volubile, La Dirindina, Don Giovanni, A Floresta, Corpo e Alma, Jeremias Fisher, O Sonho, L’Elisir d’Amore e Gianni Schicchi.