Ouvir
Baile de Máscaras
Em Direto
Baile de Máscaras João Pedro

Concertos

Jorge Gonçalves | 14 Janeiro | 19h00

Museu Nacional de Arte Antiga

|

Jorge Gonçalves | 14 Janeiro | 19h00 Jorge Gonçalves | 14 Janeiro | 19h00

© Jorge Carmona / Antena 2


14 Janeiro | 19h00

Auditório do 


Jorge Gonçalves

Recital de Piano

Programa

J.S. Bach - Suite inglesa Nº 3 em sol menor BWV 808
1. Preludio
2. Alemande
3. Courante
4. Sarabande
5. Les agréments de la même Sarabande
6. Gavota I
7. Gavota II
8. Gavotte I (da capo)
9. Giga


Frederic Chopin - Ballade Nº 4 em fá menor, Op. 52

Maurice Ravel - Sonatine
Modéré
Menuet
Animé


Sergei Prokofiev - Sonata Nº 1 em fá menor, Op. 1




O presente recital retrata uma viagem por alguns dos ambientes musicais e pianísticos que mais marcaram o meu percurso de vida. Executar Bach ao piano foi sempre uma fonte de fascínio para mim. O facto de uma música tão especial ser interpretada num instrumento para o qual não foi composta, sempre funcionou como um desafio intelectualmente estimulante. Que sonoridades podemos criar? Que imagens artísticas podemos imaginar? Que imitações de sonoridades podemos recriar no piano, sejam elas do órgão, cravo, coros, solistas ou instrumentos da orquestra barroca? Na minha visão da interpretação desta música, sempre imagino a sala a ter um papel relevante como instrumento ativo no processo de criação sonora. Misturando as potencialidades infinitas do caráter do som do piano com as caraterísticas acústicas da sala de concerto, criamos o fundo onde o pianista pode pintar o seu próprio quadro musical da arte de Bach onde acredito que a devoção, a criatividade, o respeito e o amor devem ser as chaves da justiça que podemos oferecer ao compositor. 
O amor pela música de Chopin foi provavelmente a realidade que mais influenciou as decisões marcantes da minha vida, nomeadamente na escolha dos professores com quem aprendi e locais onde decidi estudar. A minha visão da música de Chopin baseia-se no equilíbrio de muitos fatores que fizeram com que a sua música fosse tão única: o contexto histórico da procura da identidade polaca numa época em que o país estava ocupado por potências estrangeiras; a particularidade do seu percurso de vida com as suas características físicas e psicológicas; os músicos que conheceu e que o influenciaram (tendo desenvolvido a partir dessas interações o seu famoso estilo cantabile); ou o espetacular desenvolvimento que a prática pianística conheceu durante a sua vida, resultante de colaborações entre executantes e fabricantes de instrumentos, sendo um exemplo a sua proximidade com Camille Pleyel (o fabricante dos seus instrumentos de eleição). A quarta Balada Op. 52 escrita no final da sua vida, é na minha opinião uma retrospetiva em forma de ponto culminante de toda uma vida de contributos ao piano, à música, à Polónia e ao direito do ser humano de ser sensível e pensar por si mesmo em contextos adversos. 
A obra de Maurice Ravel é para mim, o mundo encantado da música. Com Ravel, temos a possibilidade de nos evadir do real e objetivo, e entrar no país das maravilhas que habita em cada um de nós. A Sonatine é na minha leitura, uma viagem por um mundo encantado inebriante de cores, jogos de espelhos, nuances sugestivas, vibrações emotivas, harmonias sensoriais entre outras infinitas possibilidades de descoberta... É a viagem pelo nosso mundo interior que por vezes não temos a coragem de exprimir em palavras, mas reivindicamos o direito de viver e sentir. 
A Sonata Op. 1 de Prokofiev é a minha homenagem ao pianismo russo. Aquele pianismo que tanto nos fez e faz sonhar. Aquele mundo de Prokofiev, Scriabin, Rachmaninoff, Neuhaus, Richter e tantos outros. O caráter heróico da primeira sonata de Prokofiev foi a caraterística que sempre me interessou nesta obra. Aquela ideia de uma música que não tem vergonha de ser romântica e emocional numa altura onde essas ideias desapareciam na história da música. Uma música que não tem vergonha de ser bonita e vivida pelo simples prazer de a tocar e de a ouvir.



Transmissão direta
Apresentação: João Almeida
Produção: Anabela Luís



Jorge Gonçalves | Iniciou os seus estudos de piano em setembro de 1992 no Conservatório Regional de Tomar, com o Professor Joaquim Branco. Em outubro de 1993 transferiu-se para Coimbra onde prosseguiu os seus estudos musicais no Conservatório de Música de Coimbra. Ao longo de oito anos que permaneceu nesta escola, trabalhou com a Professora Isilda Margarida, onde terminou o Curso Geral de Piano em junho de 2001. Neste conservatório estudou também trompa entre 1995 e 2001 na classe do Professor Ivan Kučera. Em setembro de 2001 iniciou os seus estudos superiores de piano na École Normale de Musique de Paris Alfred Cortot com o Professor Marian Rybicki. Nesta escola obteve o Diplome d'Enseignement du Piano (2002) e o Diplome Supérieur d'Ensignement du Piano (2004). Em junho de 2008 mudou-se para a Polónia com a intenção de efetuar neste país os seus estudos de pós-graduação. Em junho de 2011 concluiu em Varsóvia os estudos de pós-graduação (Individual Postgraduate Artistic Training) na Universidade de Música Fryderyk Chopin sob a orientação da Professora Elżbieta Tarnawska, onde obteve a classificação máxima de A. Em 2015 iniciou os seus estudos de mestrado na Universidade de Aveiro onde obteve o grau de Mestre em Música em 2017 sob a orientação da Professora Shao Ling. A sua dissertação de mestrado "Sensibilidade pianística e um piano sensível - Interdependências na Performance da Música de Chopin" obteve a classificação de 19 valores. Em 2017 teve oportunidade de complementar a sua formação em piano num masterclass com o prestigiado Professor Andrzej Jasiński. 
Efetuou inúmeros recitais em diversas localidades como: Lajes, Coimbra, Fundão, Tomar, Porto, Moita, Castelo Branco (Festival da Primavera 2005), Sintra, Palmela, Paredes, Lisboa (Festival Músicas do Acervo 2019), Viseu, Aveiro, Águeda, Leiria, Ourém, Torres Novas, na Polónia (Varsóvia e Dąbrowica) em Marrocos (Tétouan no Festival International des Musiciens non Voyants 2017) e no Brasil (Natal). Em julho de 2003 obteve o 3º prémio no Concurs National de Musique du Maroc em Casablanca, Marrocos. Em julho de 2006 foi protagonista de um recital comentado no Pequeno Auditório do C.C.B. transmitido em direto pela estação de rádio Antena 2. Em junho de 2011 foi convidado pela marca de pianos Fazioli para oferecer um concerto num dos seus raros pianos onde interpretou entre outras obras os Estudos Sinfónicos de Schumann Op. 13. Em novembro e dezembro de 2014 e 2015 efetuou duas viagens a Natal, Brasil onde deu concertos, ofereceu palestras e workshops. Em maio de 2016 foi convidado na qualidade de performer para se apresentar no TEDx Aveiro, onde executou o Scherzo de Chopin Op. 20 no Teatro Aveirense. 
Participou em concertos na qualidade de solista em várias ocasiões. Interpretou o Concerto de Grieg em maio e julho de 2005 acompanhado pela Banda Sinfónica da Guarda Nacional Republicana no Teatro Nacional de São Carlos (Lisboa) e Teatro Municipal Rivoli (Porto); junho de 2006 com a Banda de Música da Força Aérea Portuguesa na Casa das Artes (Vila Nova de Famalicão) e três vezes com a Filarmónica União Taveirense: janeiro de 2008 no Teatro Aveirense (Aveiro), março de 2008 no Teatro José Lúcio (Leiria) e novembro de 2009 no Teatro Académico Gil Vicente (Coimbra). Interpretou igualmente a "Rhapsody in Blue" de Gershwin em outubro de 2015 com a Filarmónica União Taveirense no Auditório do Conservatório de Música de Coimbra; em novembro de 2015 com Orquestra Sinfónica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte no Auditório Onofre Lopes em Natal (Brasil), em junho de 2019 com a Orquestra Portuguesa de Guitarras e Bandolins no Auditório Municipal de Gondomar e em setembro de 2019 com a Filarmónica União Taveirense no Convento São Francisco em Coimbra. Teve igualmente uma colaboração regular com cantoras como Susana China e Daniela Matos, tendo efetuado com elas vários concertos em Portugal. 


Em dezembro de 2004, o seu trabalho foi dado a conhecer ao país através de uma grande reportagem SIC - Visão. Em maio de 2005, foi convidado para ser um dos rostos do Pirilampo Mágico 2005, tendo participado na respetiva Gala de Abertura no Coliseu dos Recreios de Lisboa, que foi transmitida em direto nos diversos canais de televisão e rádio pública. Participou em vários programas de televisão tanto em Portugal como no estrangeiro. Em outubro de 2012, o seu trabalho e percurso de vida foram mostrados ao país numa nova reportagem da SIC no programa "Perdidos e Achados". A sua vida e trabalho têm sido alvo de atenção com artigos e entrevistas de outros meios de comunicação como a revista "Activa", "Correio da Manhã", "Diário de Coimbra", TSF, Antena 2 ou RTP 1. Tem tido igualmente uma atividade pedagógica, ministrando masterclasses e oferecendo palestras, tanto na temática da performance pianística como no Braille musical.






Fotos Jorge Carmona / Antena 2