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Música Contemporânea Pedro Coelho

Concertos

Lorenzo Viotti dirige Coro e Orquestra Gulbenkian | 4 Outubro 21h00

Transmissão direta | Concerto Premium UER

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Lorenzo Viotti dirige Coro e Orquestra Gulbenkian | 4 Outubro 21h00 Lorenzo Viotti dirige Coro e Orquestra Gulbenkian | 4 Outubro 21h00

© Jorge Carmona / Antena 2


4 Outubro | 21h00
Grande Auditório 
da Fundação Gulbenkian    


Lorenzo Viotti dirige Coro e Orquestra Gulbenkian

Coro Gulbenkian
Orquestra Gulbenkian     
Lorenzo Viotti, Maestro


Programa

Johannes Brahms (1833-1897) - Schicksalslied (Canção do Destino), op. 54

Gustav Mahler (1860-1911) - Sinfonia nº 1, em Ré maior




Primeiro concerto de Lorenzo Viotti enquanto Maestro Titular da Orquestra Gulbenkian.  Com uma ascensão fulgurante desde que venceu o Nestlé and Salzburg Festival Young Conductors Award em 2015, Viotti tinha anteriormente também vencido o Concurso Internacional de Direção de Cadaqués e o Concurso de Direção MDR, abrindo caminho para a direção de orquestras de topo como a Orquestra do Real Concertgebouw, a Sinfónica da Rádio de Viena ou, na Gulbenkian, a Gustav Mahler Jugendorchester e a Orquestra Gulbenkian.




Transmissão em direto na Antena 2 
e disponibilizado para a UER
no âmbito da temporada “Concertos Premium” 
Realização e apresentação: João Almeida
Produção: Alexandra Louro de Almeida 

Concerto retransmitido para: 
DESR-Radiodifusão do Sarre | SIRTVS-Radiotelevisão da Eslovénia | ROROR-Radiodifusão Romena | AUABC-Radiodifusão da Austrália







Notas ao programa

por Luís M. Santos  / FCG

Johannes Brahms | Schicksalslied (Canção do Destino), op. 54
Composição: 1868-1871
Estreia: Karlsruhe, 18 de outubro de 1871

Johannes Brahms desenvolveu um estilo musical firmemente arreigado nos modelos e nas técnicas composicionais barrocos e clássicos, herança que aliou a idiomas folclóricos e de dança coevos, bem como a uma sensibilidade romântica própria, numa abordagem sempre diligente e perfeccionista ao processo criativo. Em 1868, pouco após a estreia de Ein deutsches Requiem, o compositor tomou contacto com o poema “Hyperions Schicksalslied”, do romance epistolar Hyperion, de Friedrich Hölderlin, iniciando desde logo o trabalho numa nova obra para coro e orquestra, intitulada Schicksalslied (Canção do Destino). Mas a sua gestação seria difícil, devido à indecisão do compositor relativamente ao modo como deveria concluir, tendo sido terminada já em 1871. 
Considerada uma das suas principais obras corais, a peça partilha muitas características com o Requiem e com a Rapsódia para contralto, op. 53, de 1869-70, estabelecendo também um modelo a que o compositor regressaria mais tarde em Nänie, op. 82, e Gesang der Parzen, op. 89
O poema de Hölderlin compreendia dois momentos, evocando a pacífica êxtase característica da condição imortal das divindades e fazendo-a contrastar com a tumultuosa vida dos seres mortais, uma oposição que é amenizada pelo compositor. 
A obra inicia-se com um sereno prelúdio orquestral, Adagio, em Mi bemol maior, no qual a melodia coral é enunciada pelos contraltos e reiterada pelos sopranos sobre as expressivas harmonias construídas pelas restantes vozes, introduzindo desde logo um ambiente evocativo de uma existência espiritual ideal. Segue-se um turbulento Allegro, em Dó menor, que rompe com uma figuração inquieta nas cordas e com o amargurado lamento entoado pelo coro em uníssono, ambos sugestivos da atormentada condição terrena. Após um breve interlúdio orquestral, que dá lugar a duas curtas secções fugadas, este Allegro é recapitulado, agora em Ré menor, encerrando com uma longa pedal sobre Dó que prenuncia o último andamento. O Adagio final é um poslúdio puramente orquestral, em Dó maior, que retoma o material da secção inicial elaborando-o com uma instrumentação mais rica, no qual Brahms suplanta a terrífica visão de Hölderlin revisitando a esfera celestial.






Gustav Mahler | Sinfonia nº 1, em Ré maior
Composição: 1887-1888
Estreia: Budapeste, 20 de novembro de 1889

Considerado hoje um dos mais destacados compositores da sua geração, Gustav Mahler representa um elo fundamental na transição entre a tradição austro-germânica do século XIX e o modernismo do início do século XX. O seu percurso criativo foi, numa primeira fase (c.1880-1901), marcado pela íntima e complexa proximidade entre canções e sinfonias. É o caso da Sinfonia nº 1, em Ré maior, que reutiliza as canções nº 2 e nº 4 do seu ciclo de canções orquestrais Lieder eines fahrenden gesellen (1884-85). Composta em Leipzig entre 1887 e 1888, seria estreada em Budapeste no ano seguinte com uma receção negativa. Planeada originalmente como um poema sinfónico em cinco andamentos, a obra conheceria várias revisões até tomar a sua forma definitiva em 1898, ano da sua publicação, renunciando ao título Titã (inspirado em Jean-Paul) e à descrição programática, bem como ao 2º andamento original, Blumine.
O primeiro andamento abre num ambiente misterioso, marcado por um motivo de quartas descendentes nas madeiras, clareando a atmosfera no momento em que esse motivo se torna no início do tema principal. O desenvolvimento recorda o material da introdução e, nos compassos finais, o motivo de duas notas encerra o andamento com humor. Segue-se um scherzo e trio inspirado num Ländler tradicional austríaco. O trio apresenta material lírico contrastante e o Ländler retorna abreviado e com uma orquestração mais pesada. O terceiro andamento é uma marcha fúnebre baseada na melodia infantil “Frère Jacques”, exposta por um contrabaixo solista e comentada pelo oboé. Após a evocação de um conjunto instrumental judaico e um episódio mais contemplativo, a marcha fúnebre encerra com a sobreposição dos três elementos temáticos e o seu desmoronamento. No Finale um tema em Fá menor é proclamado energicamente nos metais, contrastando com uma ideia poética nas cordas. O tema inicial surge em Ré maior, e as trompas apresentam uma versão modificada do motivo inicial de quartas, submergindo agora em nova secção lírica. O tema principal do Finale retorna em modo menor nas cordas, sendo reafirmado em Ré maior pelos metais e alcançando enfim um ponto culminante que leva à conclusão da obra em ambiente de fanfarra.






Fotos Jorge Carmona / Antena 2 RTP