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Ceci n’est pas un film - dueto para maçã e ovo | 28 Abril a 24 Junho | Coimbra, Porto, Lisboa, Vila Real, Funchal

Digressão Companhia Paulo Ribeiro

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Ceci n’est pas un film - dueto para maçã e ovo  | 28 Abril a 24 Junho | Coimbra, Porto, Lisboa, Vila Real, Funchal Ceci n’est pas un film - dueto para maçã e ovo  | 28 Abril a 24 Junho | Coimbra, Porto, Lisboa, Vila Real, Funchal

© José Alfredo


O Dia Mundial da Dança celebra-se a 29 Abril. Este Dia foi instituído em 1982 pelo Conselho Internacional da Dança (CID), entidade criada sob a égide da UNESCO. A data foi escolhida para recordar o nascimento do coreógrafo francês Jean-Georges Noverre (1727-1810), um dos pioneiros da dança moderna, com o objetivo celebrar esta arte e mostrar a sua universalidade, além das barreiras políticas, éticas e culturais.


Ceci n'est pas um film - Dueto para maça e ovo 
de Paulo Ribeiro


28 Abril 14h30 | 29 Abril 16h00 | Convento São Francisco, Coimbra

06 Maio 12h00 | Festival Dias da Dança, Porto (Convento Corpus Christi, Gaia)

11 e 12 Maio | 21h00 | Centro Cultural de Belém

3 Junho 21h30 | Teatro de Vila Real

23 e 24 Junho | Teatro Municipal Baltazar Dias, Funchal 



Em Ceci n'est pas un film, Paulo Ribeiro não tem a intenção de ilustrar um filme com dança; pretende proporcionar uma viagem, um diálogo por imagens. Imagens com passado mas com futuro incerto. Imagens que conduzem ao dueto de maçã e ovo, que por sua vez, sugere a elevação do amor. 
Amor ... Imagem entre o tempo que se arrasta rodopiando sobre si próprio e o dueto que, de tanto querer voar, se
amarra ao chão.
Amor que se torna possessivo, exigente, dependente, desesperado, exaltado, sufocante; mas também patético, cómico, trágico-cómico, lúdico, frívolo, virtuoso, sinuoso, cabotino e esvaziado. 
Amor que derrapa nos fantasmas da negritude da alma e da hiperatividade como forma de exorcizar a ilusão ou a desilusão!
Sem narrativas fechadas, sem dramaturgia esmagadora, sem a obrigação de tudo perceber, os dois intérpretes em palco levam-nos a um mundo de sentidos que são os da vida na sua configuração mais simples de se afirmar. 
Em simultâneo e, indelevelmente, convocam Magritte a acompanhar-nos.


O cinema sempre professou a sua admiração pela novidade, embora quando a novidade rasga convenções, narrativas ou plásticas, não possamos constatar tal ideia com total certeza. Pelos filmes selecionados para este dueto, e que assumem uma passagem rápida, mas não vaga, pela tela, perpassa uma intenção comum, a dos realizadores:
vacilar o edifício sólido e conhecido do cinema. E nem precisaríamos de salientar como precisa o cinema de risco e génio. A respeito da composição fixemo-nos na possibilidade de rima com a dança, sem a assistir, ou a ela se opor; questionando a representação do espaço, corpo, movimento. Nesta particular filiação do cinema encontrou-se um conjunto de filmes, sem constrangimentos de género, época, ou técnica, que agora se conjuga, de formas muito maleáveis, com o trabalho de Paulo Ribeiro: a começar por filmes com um vínculo inexorável à paisagem física, como “Jamón, Jamón” (B. Luna, 1992), “North by Northwest” (A. Hitchcock, 1959) e, ainda segundo a ordem de entrada, “Urga – espaço sem fim” (N. Mikhalkov, 1991) - com a nossa maçã e ovo na estepe imensa da Mongólia - e, mais à frente, “A teta assustada” (C. Llosa, 2009). Das bases do edifício cinematográfico - a estrutura narrativa e formal (“O cinema tem de ter um princípio, meio e fim, mas não necessariamente por essa ordem”, J.L. Godard) - à sua composição estética e plástica (onde a própria película pode ser sujeita à intervenção, como Lumière e McLaren aqui ilustram), um corropio de dúvidas atravessa o espaço visual de “Ceci n’est pas un film - dueto para maçã e ovo”. Talvez não haja outra oportunidade, tão cedo, para reunir tão habilmente um conjunto de iconoclastas, alguns com trabalhos ainda recentes (L. Carax), e nos quais encontramos forte ressonância de nomes precursores da vanguarda cinematográfica – McLaren, Hitchcock, Truffaut, entre outros.
Cine Clube de Viseu








Ficha Artística
Autoria, coreografia e espaço cénico: Paulo Ribeiro
Colaboração e seleção de filmes Cine Clube de Viseu
Interpretação: Ana Jezebel e João Cardoso
Música: The Boys from Brazil (Segredo Suba); 
Balanescu Quartet (Unging Upsidedown; Autobahn); 
João Parahyba (Nightly Sins – tribute); 
Barbara (Ne me quite pas); 
Nina Simone (Ne me quite pas); 
Jacques Brel (Ne me quite pas); 
Simone de Oliveira (Não me vais deixar | Ne me quite pas);
Figurinos: José António Tenente 
Desenho de Luz: Cristóvão Cunha 
Produção: Companhia Paulo Ribeiro 
Projeto apoiado no âmbito do programa: Viseu Terceiro | Município de Viseu