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Centenário Bernardo Santareno | TSF | Nos Mares do Fim do Mundo | 19 Novembro | 18h00

Artistas Unidos

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Centenário Bernardo Santareno | TSF | Nos Mares do Fim do Mundo | 19 Novembro | 18h00 Centenário Bernardo Santareno | TSF | Nos Mares do Fim do Mundo | 19 Novembro | 18h00

Especial Teatro sem Fios

19 Novembro | 18h00

Gravado no Auditório 2 do 
Produção: Anabela Luís / Artistas Unidos


Centenário do Nascimento de Bernardo Santareno 

Nos Mares do Fim do Mundo
de Bernardo Santareno


Intérpretes
Nuno Gonçalo Rodrigues
Manuel Wiborg
João Meireles
Américo Silva
António Simão
Pedro Caeiro
Pedro Carraca
Antónia Terrinha

Direção Jorge Silva Melo


Em 1957 e em 1958, Bernardo Santareno embarcou como médico de bordo na frota bacalhoeira portuguesa que se dirigia todos os anos para a Terra Nova e Gronelândia. Em blocos de notas, traçou pequenos quadros com histórias, retratos, descrições, paisagens, tragédias. 
Um dos documentos mais admiráveis de uma realidade que foi nossa ao mesmo tempo que uma obra literária assombrosa. Estes quadros estão na origem de O Lugre, a peça que, no Teatro Nacional foi montada por Amélia Rey Colaço. 
Aqui Jorge Silva Melo assina uma adaptação para a rádio.


@ Jorge Gonçalves




Bernardo Santareno | Nasceu a 19 de novembro de 1920, em Santarém. Formado em Medicina, com especialização em psiquiatria, Bernardo Santareno, pseudónimo de António Martinho do Rosário, foi um dos maiores dramaturgos portugueses. 
Durante anos, conciliou a sua prática médica com a escrita para teatro, alcançando, desde a sua estreia nos anos sessenta, um papel de primeiro plano no teatro português.
Correntemente divide-se a sua dramaturgia em dois grandes momentos; um primeiro que corresponde às peças escritas entre 1957 e 1962 (A Promessa, O Bailarino, A Excomungada, O Lugre, O Crime de Aldeia Velha, António Marinheiro, Os Anjos e o Sangue, O Duelo, O Pecado de João Agonia e Anunciação), período de "reflexão e busca de novas formas de expressão", segundo Luiz Francisco Rebello.
Um segundo momento, bastante distinto, é inaugurado com O Judeu, marcando a passagem de um esquema mais tradicional e naturalista para um teatro de inspiração brechtiana, amadurecido também na influência de Peter Weiss. 
O recurso a modernas técnicas teatrais, como a utilização de vários espaços cénicos ou o uso dramático da luminotecnia, ou ainda de efeitos visuais e sonoros, e o encadeamento, de modo não linear, no discurso de um narrador, do tratamento do tempo, permite um acréscimo de sugestividade na transmissão da mensagem teatral. 
Em comum nestas duas fases pode-se encontrar uma especial atenção a um protagonista comum: o povo. O povo português, quer numa dimensão individual ou numa dimensão histórico-coletiva, ocupa um lugar privilegiado na sua dramaturgia. Este foco tornou-o um alvo da perseguição do regime salazarista e dos serviços da censura, impondo sucessivas interdições de representação das suas peças.
Uma das suas últimas peças, Português, Escritor, Quarenta e Cinco Anos de Idade, de 1974, é um drama carregado de notações autobiográficas; foi o primeiro original português a estrear-se depois de restaurada a ordem democrática no país. É um texto que, concebido como despedida do teatro e da vida, assume a forma de relato individual, mas investida de um eco geracional, pela forma como perdera todos os ideais, o entusiasmo e a esperança, entre a juventude e a vida adulta, atravessando as vias de martírio individual e coletivo do século XX português e europeu, desde a Guerra Civil espanhola à guerra colonial portuguesa, passando pelas grandes guerras mundiais.
Em 1979, depois de uma curta incursão no teatro de revista, publica quatro peças em um acto sob o título genérico Os Marginais e a Revolução, significativas da sua intensa atividade pós-revolução de abril, para uma reestruturação do teatro nacional,

Antes de se afirmar como autor de teatro, publicou três livros de poesia (1954 - Morte na Raiz, 1955 - Romances do Mar, 1957 - Os Olhos da Víbora), onde se prenunciam alguns temas e motivos dominantes da sua obra dramática.
Em 1959, edita um volume de narrativas, Nos Mares do Fim do Mundo, fruto da sua experiência como médico da frota bacalhoeira, experiência que também transpôs, dramaticamente em O Lugre.
Foi distinguido por duas vezes com o Prémios Bordalo, na categoria Teatro, em 1962 e em 1963. 
Bernardo Santareno faleceu em Carnaxide, Oeiras, em 1980, com 59 anos de idade, e está sepultado no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa. Em 1981, foi feito postumanente Grande Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.