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Cultura

Festival de Almada | 4 a 18 Julho

Almada, capital do Teatro

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Festival de Almada | 4 a 18 Julho Festival de Almada | 4 a 18 Julho

4 a 18 Julho

15 dias de teatro, música, dança, colóquios, exposições

O maior festival nacional de teatro compreende nesta sua 35ª edição, representações em 10 palcos em Almada e Lisboa. São 24 produções, das quais 15 estrangeiras, com companhias vindas da Alemanha, França, Itália, Espanha, México, Eslovénia, Croácia e Burkina-Faso. 
Convocando as várias artes de palco e procurando estimular a sensibilidade e a curiosidade, o Festival apresenta ainda vários espetáculos de rua, interligando as expressões do teatro de texto, da dança, da poesia, do teatro sem palavras e da música.
Este ano a personalidade homenageada é Yvette Centeno e os seus papéis como poeta, ficcionista, autora dramática, tradutora e professora. É sob "O pomar das romãzeiras - para Yvette Centeno" que se desenrola a exposição dedicada à sua vida e obra, com concepção de José Manuel Castanheira, e patente no átrio da Escola D. António da Costa.
A exposição de Artes Plásticas "Velho Sol" apresenta obras - "uma série de desenhos que são pinturas mas também são esculturas" - de Paulo Brighenti (1968), inspiradas no poema de Emily Dickinson "I died for Beauty — but was scarce" e que abordam a questão da 'beleza' e da 'verdade' na criação artística. A ver na Casa da Cerca.
O Festival também se faz de Encontros - como o "Sob o signo da catástrofe: Ecologia e política do nosso tempo", com os filósofos e ensaístas Frédéric Neyrat, Giovanbattista Tusa e António Guerreiro -, de Colóquios na Esplanada - um momento de encontro entre o público e os criadores, numa iniciativa em parceria com a Associação Portuguesa de Críticos de Teatro -, e do curso de formação da responsabilidade da coreógrafa e bailarina Olga Roriz "O sentido dos Mestres".


Programação Espetáculos


4 Julho | 22h00
Almada | Escola D. António da Costa | Palco Grande

Compagnie Le Fils du Grand Réseau (Brest / França)
apresenta
Bigre – mélo burlesque | Apre – melodrama burlesco
De Pierre Guillois 
Co-escrito por Agathe L’Huillier e Olivier Martin-Salvan

O ano passado o público escolheu esta peça como Espectáculo de Honra que agora abre o Festival de Almada, no Palco Grande. Também no ano transato, este melodrama burlesco recebeu o Prémio Molière para Melhor Comédia, considerando o Le Monde que o riso que desperta “tem um cariz particular: traz consigo uma emoção que não se apaga com o final da peça”. 
De facto, sem precisar de palavras, Apre não se limita a fazer-nos rir durante hora e meia – é também capaz, a espaços, de comover-nos.






05 a 18 Julho
Lisboa | Teatro da Politécnica

Artistas Unidos 
apresenta
Texto de Arne Lygre
Encenação de Pedro Jordão

Um jogo de espelhos ou uma história de fantasmas. 
Uma mulher madura e um homem mais novo mudam-se para um apartamento vazio. Parecem estar longe do mundo. 
O que liga duas pessoas? Um impulso recíproco, um sonho partilhado, velhas feridas? Mas não há qualquer naturalismo nesta abordagem da intimidade e da perda. Estamos a falar do risco de fechar os outros no nosso desejo, de os fecharmos naquilo que deles conseguimos dizer. Ali alguém se interroga, mas o reflexo é o nosso.



5 a 11 Julho
Almada | Teatro Municipal Joaquim Benite | Sala Experimental

Companhia de Teatro de Almada
apresenta
Bonecos de Luz
A partir de Romeu Correia
Dramaturgia e encenação de Rodrigo Francisco

A peça decorre no tempo das películas exibidas em cinemas ambulantes, por grupos de saltimbancos, e fala-nos do fascínio despertado em Zé Pardal (e em Romeu Correia) pelo Príncipe dos Vagabundos: Charlot. Juntando o teatro e a música ao vivo, Bonecos de luz aposta num elenco jovem e versátil para fazer uma declaração de amor aos filmes mudos — e para nos interrogar sobre quem serão os “Zés Pardais” de hoje em dia.




5 e 6 Julho
Almada | Teatro Municipal Joaquim Benite | Sala Principal

Teatro Nacional São João
apresenta
Texto de Frank Wedekind 
Encenação de Nuno M Cardoso

Lulu coloca um monstro fabuloso – o desejo – à solta num mundo social que combina uma certa libertinagem cínica com uma fachada puritana, aproximando-se de um conto de fadas para adultos.

@Susana Neves



5 a 17 Julho
Ar de Filmes / Teatro do Bairro

Teatro do Bairro
apresenta
Texto de Jean Genet 
Encenação de António Pires

Sendo uma peça inacabada, nela o autor de Os negros reconstitui, em estilo biográfico, a sua própria experiência da vivência prisional. Neste texto não existem atos, mas sim uma sucessão de cenas ligadas entre si pela presença constante de personagens marginais – que convivem, no meio do deserto, com os guardas e os administradores da prisão. A colónia penal, o degredo, consiste num espaço idealizado no qual a morte, ou a sua aproximação, se torna um tema iminente, a todos unindo e igualando.



6 Julho | 22h00
Almada | Escola D. António da Costa | Palco Grande

Faso Danse Théâtre (Bobo Dioulasso / Burquina Faso)
& Halles De Schaerbeek (Bruxelas / Bélgica)
apresentam
Kalakuta Republik
Conceito e coreografia de Serge Aimé Coulibaly

Kalakuta Republik foi o nome com que o compositor (e criador do afrobeat) Fela Kuti (1938-1997) baptizou a sua casa: a cela em que o haviam encerrado na primeira vez em que foi preso. O coreógrafo Serge Aimé Coulibaly inspirou-se na vida do músico e ativista nigeriano para criar um espetáculo que nos confronta com uma África sem clichés. Não nos são dadas respostas, mas são-nos colocadas várias perguntas: o que faz com que nos unamos em torno de uma causa? E de um líder? Quais os limites da liberdade individual no seio de um movimento colectivo? 






7 a 10 Julho
Almada | Teatro-Estúdio António Assunção

Mini Teater (Liubliana / Eslovénia)
apresenta

Zapiranje Ljubezni | Final do amor
Texto de Pascal Rambert 
Encenação de Ivica Buljan

Um ator e uma atriz, fechados numa sala de ensaios, colocam um fim à sua relação. Final do amor desenvolve-se como o movimento de uma onda, com dois monólogos sucessivos: o homem agride a mulher com as razões que o levaram a deixar de amá-la e, na ressaca, ela responde-lhe à letra, superando a prostração em que ficara. 
Para Ivica Buljan, “esta é uma história pura sobre o amor, num tempo em que as histórias puras já não existem”.



7 e 8 Julho
Almada | Fórum Romeu Correia | Auditório Fernando-Lopes Graça

Teatro de Babel (Cidade do México / México)
apresenta
Arizona
Texto de Juan Carlos Rubio
Encenação de Ignacio García

George e Margaret são um casal de norte-americanos que se voluntariaram para o projecto Minute Man, que consiste em partirem para o deserto do Arizona, armados, e vigiarem os “vizinhos” do Sul, à medida que refletem “sobre as fronteiras”. Arizona anuncia-se como uma “tragédia musical americana”, não renunciando a um amargo traço farsesco. No fundo, George e Margaret são duas pessoas perdidas no deserto da vida: ela lê o Mundo nas Selecções do Reader’s Digest, e ele vai repetindo mecanicamente que “eles [os ‘vizinhos’ do Sul] vêm roubar-nos tudo: a casa, o trabalho — tudo”. A incomunicabilidade absurda que se instala entre ambos é o seio onde medrará a violência.






7 e 8 Julho 
Lisboa | Teatro Nacional D. Maria II

Gavella Drama Theatre (Zagreb / Croácia)
apresenta
Encenação de Paolo Magelli

Não tendo nada que ver com a situação política coreana, o texto do autor e encenador francês fala-nos — numa sucessão de cenas curtas e agridoces — do amor: mais precisamente, da possibilidade (ou impossibilidade) da reunião dos opostos. 
A revista Vijenac considerou o espectáculo “teatro total”, ao passo que a Večernji list apontou que “Magelli reuniu um elenco excelente”.






8 Julho | 22h00
Almada | Escola D. António da Costa | Palco Grande

Needcompany (Bruxelas / Bélgica)
apresenta
Direcção de Jan Lauwers

O quarto de Isabella prova que os espectáculos de culto existem: estreou em 2004 no Festival d’Avignon e viajou por mais de 100 cidades em todo o Mundo. 2018 constitui o fim desta aventura e a ocasião para nos despedirmos de Viviane De Muynck, que a revista Les Inrockuptibles aclamou como “a melhor actriz viva”. Na origem desta “tragicomédia musical” encontra-se o espólio arqueológico que Jan Lauwers herdou do seu pai: o pretexto para a criação da figura de Isabella Morandi. Envelhecida e cega, esta mulher vive nos arredores de Paris rodeada de objectos exóticos roubados em África. A sua biografia imaginária constitui uma viagem pelo século XX: as duas Grandes Guerras, Hiroshima, o colonialismo, o modernismo e o ressurgimento da extrema-direita na Europa. 






9 e 10 Julho
Almada | Teatro Municipal Joaquim Benite | Sala Principal

Théâtre Gérard Philipe – Centre Dramatique National De Saint-Denis (Saint-Denis / França)
apresenta
Encenação de Jean Bellorini

Liliom, uma “lenda suburbana”, é a peça do escritor húngaro Ferenc Molnár mais levada à cena, porventura graças ao filme que Fritz Lang estreou em 1934. O espectáculo que agora chega a Almada estreou em 2013 e tem realizado uma longa digressão em França, que o levou inclusive ao Odéon – Théâtre de l’Europe. E a crítica francesa tem-se rendido à história deste Liliom, um vagabundo cheio de amor e de sonhos, aqui contada numa feira popular que, de alguma forma, prenuncia a candura e a catástrofe de Casimiro e Carolina, de Horváth: “Jean Bellorini é um dos encenadores mais talentosos da sua geração” (France Presse); “Liliom é um vagabundo magnífico” (Les Echos); “Uma encenação cheia de alegria” (Les Inrockuptibles).






10 Julho | 22h00
Almada | Escola D. António da Costa | Palco Grande

Transquinquennal (Bruxelas / Bélgica)
apresenta
Encenação colectiva

Este texto foi escrito de propósito para o colectivo Transquinquennal, e nele, os 45 papéis desempenhados pelos versatilíssimos cinco actores belgas alteram-se constantemente. E o que tem o célebre ator americano que ver com tudo isto? Directamente, nada. Mas numa das histórias do espetáculo especula-se, por exemplo, sobre como seria se os produtores do filme que Hoffman gravava quando se suicidou, em 2014, decidissem terminar a obra recorrendo a um avatar 3D do ator. Há quem considere esta, uma peça esquizofrénica, e quem encontre amargura no seu humor: a revista Théâtre et danse considerou-a “uma comédia feroz”.






12 a 15 Julho
Lisboa | Teatro da Trindade

Teatro da Trindade INATEL (Lisboa / Portugal)
apresenta
A partir de Vozes dentro de mim, de Carmen Dolores 
Dramaturgia e encenação de Diogo Infante

Homenageada pelo Festival de Almada em 2007, Carmen Dolores é o âmago do espectáculo Carmen, que parte do livro autobiográfico mas que, por sua vez, constitui um documento essencial para a escrita da História do Teatro Português do século XX . Em cena, Natália Luiza é o veículo das várias vozes (presentes e passadas) que enformam o percurso de uma das mais talentosas, carismáticas e amadas actrizes portuguesas. Essas vozes são as das personagens de uma carreira teatral com quase 70 anos, que dialogam com uma mulher, uma atriz, que confidencia ter ainda tantos projectos por realizar. As memórias e as reflexões de Carmen Dolores, tão sarcásticas quanto acutilantes, falam sobre a arte, sobre a vida — e sobre a morte.

© Pedro Macedo



12 Julho | 22h00
Almada | Escola D. António da Costa | Palco Grande

Emilia Romagna Teatro Fondazione e Compagnia Pippo Delbono (Modena / Itália)
apresenta
Concepção e direcção de Pippo Delbono

Depois de Orquídeas e Evangelho, Pippo Delbono inflecte o seu percurso para nos oferecer A alegria. A povoar esta peça estão palhaços, xamãs, danças circenses, acordes melancólicos, máscaras e, como sempre, memórias e histórias pessoais. Na verdade, foi através daqueles que mais sofrem (refugiados, por exemplo) que Delbono afirma ter aprendido a descobrir a alegria: “O Inverno há-de transformar-se em Primavera”, disse-lhe um dia um amigo. E são frases tão simples quanto esta que pontuam A alegria, quer durante a celebração que o encenador estabelece com a sua trupe de sempre, quer quando se dirige a nós, público, para nos sugerir, sorrindo: “Sintam a vossa própria loucura”.






13 Julho | 21h00
Lisboa | Centro Cultural de Belém | Grande Auditório

Compagnie Michèle Noiret (Bruxelas / Bélgica)
apresenta
Hors-champ | Fora de campo
Guião, encenação e coreografia de Michèle Noiret

Fora de campo consiste numa “longa-metragem cénica, ou numa dança-cinema para cinco bailarinos e um operador de câmara”. Nem a imagem vídeo se sobrepõe à coreografia, nem o movimento dos bailarinos pode entender-se sem as imagens que são projectadas. Quase sempre o que está “fora de campo” complementa o que vemos em cena: um casal é convidado para jantar num bairro chique. Assim que se instalam, o mordomo e o convidado reconhecem-se. O jantar acaba por nunca se realizar – e assiste-se ao mergulho num ambiente de mistério, angústia e violência, nunca sendo claro se as imagens projectadas correspondem a algo que aconteceu, à rodagem de um filme, ou simplesmente a um pesadelo. 






13 e 14 Julho
Almada | Teatro Municipal Joaquim Benite | Sala Principal

Companhia Nacional de Bailado (Lisboa / Portugal)
apresenta
A tecedura do caos
Direcção e coreografia de Tânia Carvalho

A tecedura do caos, criada em 2014, entra em diálogo com a Odisseia, de Homero. Assente na ideia de regresso e de reencontro, a obra faz contrastar o desejo de Ulisses em regressar a Ítaca com os sucessivos obstáculos que se lhe colocam. Em cena, os bailarinos parecem utilizar gestos que precedem a consciência: a escansão dos seus movimentos implica que a emoção se dê antes de tudo o mais. E que a dança não procure esquivar-se à sua vocação divina. 
Para Tânia Carvalho, “criar é tão simples que se torna complicado”.



14 e 15 Julho
Almada | Fórum Romeu Correia | Auditório Fernando-Lopes Graça
Textos de G. A. Bürger, Nikolas Lenau, Erik Satie, J. W. von Goethe e Adolf von Pratobevera
Música de Franz Liszt, Erik Satie, Richard Wagner e Franz Schubert

O pianista Nuno Vieira de Almeida junta-se à atriz Manuela de Freitas num recital de poesia alemã traduzida por Yvette Centeno, João Barrento e José Ribeiro da Fonte.



14 e 15 Julho
Lisboa | Teatro São Luiz | Sala Luís Miguel Cintra

Théâtre de la Ville (Paris / França)
apresenta
L’État de Siège | Estado de sítio
Texto de Albert Camus 
Encenação de Emmanuel Demarcy-Mota

Quando passam 70 anos sobre a estreia absoluta do texto de Albert Camus (“um autor da minha adolescência”, revela), Demarcy-Mota resolve montar Estado de sítio para “combater o medo”. A ideia para a peça surge-lhe após os atentados de Paris, em Novembro de 2015: “Quando fecharam os teatros, lutei pela sua reabertura o mais rápido possível”. 
A fábula política de Camus situa-nos numa cidade na qual um tirano proclama o estado de sítio para usurpar o poder. A Peste, acolitada pela Morte, fará então reinar o terror. Mas um casal de jovens, não por acaso apaixonados, há-de ser capaz de ultrapassar o medo e a inépcia, para dar o exemplo aos restantes cidadãos. E resistir.



14 Julho | 22h00
Almada | Escola D. António da Costa | Palco Grande

Companhia Olga Roriz (Lisboa / Portugal)
apresenta
A meio da noite
Direcção de Olga Roriz

No dia 14 de Julho passam cem anos sobre o nascimento de Ingmar Bergman (1918-2007) – e é nessa noite que Olga Roriz apresenta o seu espectáculo de homenagem ao realizador sueco. A meio da noite aborda, nas suas palavras, “a temática existencialista de Bergman, sendo simultaneamente uma peça sobre o processo de criação, numa procura incessante de si próprio e dos outros”. 
A coreógrafa encontra um paralelismo entre o seu percurso e a obra do realizador: a abordagem da complexidade humana que Bergman levou a cabo nos seus filmes, Olga Roriz pratica-a através da dança.



15 e 16 Julho
Lisboa | Teatro Nacional D. Maria II

Structure Production e C.I.C.T. – Théâtre des Bouffes du Nord (Paris / França)
apresenta
Atrice | Actriz
Texto e encenação de Pascal Rambert

Uma actriz-vedeta aguarda a morte num quarto de hospital pejado de flores, vítima de um tumor cerebral que nunca chega a ser nomeado. Vêm visitá-la os seus pais, os filhos, a irmã e o cunhado (seu ex-amante), o marido alcoólico, os ex-colegas de trabalho — e todos servem de pretexto para discretear sobre o teatro, a vida, a morte, a liberdade, a família… 






16 a 18 Julho
Almada | Teatro Municipal Joaquim Benite | Sala Experimental

Elmano Sancho (Lisboa, Portugal)
apresenta
A última estação
De Elmano Sancho

Na origem de A última estação encontra-se o assassino em série norte-americano Ted Bundy (1946-1989) – ou, mais exactamente, as semelhanças físicas entre este homem e Elmano Sancho. 
A dada altura, Elmano Sancho guardou o retrato do assassino junto às suas próprias fotografias, até que um dia alguém confundiu o seu rosto com o do criminoso. Foi esse o ponto de partida para uma reflexão sobre a violência e o desejo de transgressão na vida e na arte. A última estação interpela o conceito de dibukk, que na mitologia judaica representa o espírito ou o demónio que habita o corpo de cada um de nós, e apresenta a estrutura da Via Crúcis, as estações da Paixão de Cristo: a condenação à morte anunciada abre caminho a uma via dolorosa que culmina na inumação, mas que aspira à ressurreição, a XV e última estação.



16 Julho | 22h00
Almada | Escola D. António da Costa | Palco Grande

Familie Flöz (Berlim / Alemanha)
apresenta
Dr. Nest
De Fabian Baumgarten, Anna Kistel, Björn Leese, Benjamin Reber, Hajo Schüler, Mats Suethoff e Michael Vogel
Direção de Hajo Schüler

Estreado em Março, Dr. Nest fala-nos de um psiquiatra que acaba de ser colocado num hospício muito especial, onde as fronteiras entre a sanidade e o delírio se diluem. Na Villa Blanca – assim se chama o sítio em questão -, tanto os doentes como o corpo médico parecem estar em contato há demasiado tempo. Com a técnica do teatro físico que os tem consagrado internacionalmente, os cinco intérpretes desdobram-se em várias personagens para nos contarem uma história, a um tempo cómica e trágica, sobre a fragilidade humana.



17 e 18 Julho
Almada | Teatro Municipal Joaquim Benite | Sala Principal

Münchner Kammerspiele (Munique / Alemanha)
apresenta
La Sonnambula | A sonâmbula
A partir da ópera em dois atos de Vincenzo Bellini e Felice Romani 
Encenação de David Marton

O encenador húngaro David Marton foi beber a uma célebre ópera de Vincenzo Bellini (1801-1835) para criar a sua versão d’A sonâmbula. Na construção do enredo, o compositor italiano inspirara-se, por sua vez, num vaudeville de Scribe: numa aldeia suíça, o inconveniente sonambulismo de uma jovem provoca uma série de mal-entendidos amorosos entre o seu noivo, uma estalajadeira ciumenta e um conde por ali de passagem. 
Marton conseguiu reunir um notável conjunto de intérpretes que são alternadamente atores, cantores e músicos, criando um espectáculo de teatro musical no qual o virtuosismo rivaliza com a ironia. A sonâmbula consiste na desconstrução da ópera de Bellini, que viu relevada a teatralidade da própria música, criando um universo onírico no qual nenhuma das quatro personagens encontra sossego. A revista Culturieuse chamou-lhe “uma obra-prima dadaísta”.



18 Julho | 22h00
Almada | Escola D. António da Costa | Palco Grande

Pep Tosar (Barcelona / Espanha)
apresenta
Federico García
A partir da vida e da obra de Federico García Lorca
Dramaturgia de Evelyn Arévalo e Pep Tosar
Encenação de Pep Tosar

Estreado no Festival Grec de Barcelona, este espectáculo/documentário aborda a vida de Federico García Lorca (1898-1936), cruzando o flamenco e o vídeo numa simbólica viagem de comboio entre Madrid e Granada (a derradeira do escritor, antes de ser assassinado). Utilizando as várias linguagens do universo do poeta granadino (destaque para o “bailaor” José Maldonado e a “cantaora” Mariola Membrives) para nos falar da sua obra, da sua vida e da sua morte, convoca também para este recital figuras como Luis Buñuel, Manuel de Falla e Salvador Dalí. 
Federico García constitui ainda um confronto com as feridas não sanadas da Guerra Civil Espanhola, tendo os versos do poeta (inclusive em catalão) ao fundo. O jornal El Periódico considerou-o “uma magnífica biografia sonora e visual”, ao passo que o El País sublinhou “o novo olhar sobre Lorca”.



Para mais informações, visite o site do Festival, aqui.