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Cultura

Génesis | Exposição fotográfica | Sebastião Salgado | até 2 Agosto

Cordoaria Nacional, Lisboa

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Génesis | Exposição fotográfica | Sebastião Salgado | até 2 Agosto Génesis | Exposição fotográfica | Sebastião Salgado | até 2 Agosto


Ele é um dos melhores fotógrafos do mundo. O brasileiro Sebastião Salgado fotografou alguns dos lugares mais remotos da terra. Esse projeto deu origem a um livro intitulado Génesis. 245 fotografias dessa obra estão expostas desde 10 de Abril, em grande formato, na Cordoaria Nacional em Lisboa. Até 2 de Agosto.


Aqui fica a apresentação da iniciativa nos termos do próprio Sebastião Salgado e da mulher, Lélia Wanick Salgado, curadora da exposição:

“Génesis” é uma jornada em busca do planeta como ele existiu, desde a sua formação e na sua evolução, antes que a vida moderna acelerasse e nos afastasse do núcleo essencial. É uma busca das paisagens terrestres e aquáticas até hoje intocadas; uma viagem em direcção aos animais e grupos humanos que conseguiram escapar das transformações impostas pelo mundo contemporâneo. “Génesis” comprova que o nosso planeta ainda abriga vastas e remotas regiões onde a natureza reina em imaculada e silenciosa majestade.

Estas maravilhas foram encontradas nos círculos polares e em florestas tropicais, em extensas savanas e nos tórridos desertos, em montanhas geladas e ilhas desertas, lugares às vezes excessivamente gélidos ou escaldantes, onde apenas as mais resistentes formas de vida perseveram. Outros recantos tornaram-se lar de animais ou de povos ancestrais cuja sobrevivência depende fundamentalmente do isolamento em que se mantêm. O conjunto forma um esplendoroso mosaico da natureza em toda a sua grandiosidade original.

É essa beleza oculta, defendida, protegida que “Génesis” deseja compartilhar. Fazemos um tributo a esse nosso frágil planeta que temos o dever de proteger.
 

A exposição tem 5 secções: Sul do Planeta, Santuários, África, Terras a Norte, Amazónia e Pantanal.

Sul do Planeta

Conta a história da Antártida, das suas paisagens geladas e das suas zonas costeiras, com a sua perseverante fauna, pinguins, leões-marinhos e baleias, nomeadamente as fotografadas no seu território de reprodução, na península Valdés. Depois as ilhas Geórgia do Sul, as Malvinas, o arquipélago Diego Ramírez e as ilhas Sanduíche do Sul, onde numerosas espécies de pinguins, albatrozes, petreís gigantes e cormorões fazem a sua vida.


Santuários

Traz-nos as inigualáveis paisagens vulcânicas e fauna das ilhas Galápagos e inclui as ancestrais populações da Nova Guiné e da Papua Ocidental, os Mentawai da ilha Siberut da província indonésia de Sumatra, assim como as paisagens, vida selvagem e vegetação dos diversos ecossistemas de Madagáscar.



África

Oferece uma enorme variedade de paisagens, desde a vida selvagem do delta do Okavango, no Botswana, aos gorilas do Parque Nacional de Virunga na fronteira da República Democrática do Congo com o Ruanda, Congo e Uganda; dos povos Himba da Namíbia e das tribos Dinkas do Sudão, ao povo San do deserto do Kalahari no Botswana; das tribos do vale de Omo no sul da Etiópia, às antigas comunidades cristãs do norte da Etiópia.

A África desvela uma notável panóplia de desertos; as suas diferentes tonalidades, as suas texturas do arenoso ao rochoso; alguns, planos como oceanos, outros, interrompidos por montanhas áridas. Ainda assim, em algumas paisagens da Líbia e da Argélia, para além de cactos há também sinais de vida e arte rupestre datada de há milhares de anos.



Terras a Norte

Mostra as paisagens do Alasca e do planalto do Colorado, nos EUA, paisagens do Parque Nacional Kluane e vida selvagem na ilha Baffin, no Canadá. O norte da Rússia, incluindo o território de reprodução do urso polar na ilha de Wrangel, assim como as populações indígenas do norte da Sibéria e da península de Kamchatka.



Amazónia e Pantanal

O Amazonas e os seus afluentes, vistos do ar, assemelham-se a uma gigante árvore da vida, com braços e mãos estendidos do coração do Brasil até aos países vizinhos. A norte regista os Tepuis Venezuelanos, a mais antiga formação geológica do planeta, assim como a vida selvagem do Pantanal em Mato Grosso, no Brasil.

Há ainda imagens da tribo índia Zo’é, descoberta apenas há duas décadas, e das tribos mais assimiladas da bacia do Alto Xingu, também no Brasil.


Epílogo

Além de trazer aos olhos do público a beleza de povos isolados e paisagens grandiosas, “Génesis” representa uma convocatória para a batalha.

O facto é que não podemos continuar a poluir o nosso solo, a nossa água e o ar. Precisamos agir de imediato para preservar terras e águas ainda intocadas, e para proteger o ambiente-santuário de animais e povos ancestrais.

E devemos ir além. Devemos tentar reverter os danos.

A nossa modesta contribuição foi reflorestar um terreno na região sudeste do Brasil. Nos últimos 15 anos, o Instituto Terra – a nossa organização sem fins lucrativos - plantou cerca de dois milhões de árvores, de mais de 300 diferentes espécies que já floresceram por lá. O resultado: encostas esgotadas e áridas ganharam uma vegetação exuberante. O renascimento deste microclima tropical atraiu, por sua vez, pássaros e animais que não eram vistos naquela área há décadas.

A reflorestação é uma das maneiras de recuperar o tempo perdido e o prejuízo causado. As árvores ainda desempenham o papel central na neutralização das emissões de dióxido de carbono responsáveis pelas alterações climáticas, como o aquecimento global. Leis e governos podem tentar controlar estas emissões, mas somente as árvores conseguem absorver o dióxido de carbono e produzir oxigénio. Cada árvore plantada alivia um pouco as nossas preocupações quanto ao futuro do planeta.

Lélia Wanick Salgado e Sebastião Salgado