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Cultura

Livros, conversas e escolhas | A Feira do Livro na Antena

Maio / Junho 2018

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Livros, conversas e escolhas | A Feira do Livro na Antena Livros, conversas e escolhas | A Feira do Livro na Antena

© Jorge Carmona / LDS / Antena 2

A Antena 2 acompanha de perto, e mais uma vez, a Feira do Livro, que decorre entre 25 de Maio e 13 de Junho, no Parque Eduardo VII, em Lisboa.

Com este grande evento como pano de fundo, este ano reunimos aqui, a par do programa diário de divulgação literária, Última Edição, cujas emissões são dedicadas a conversas com autores e editores que passam pela Feira do Livro deste ano, também há sugestões de livros daqueles que todos os dias fazem com que a sua Antena 2 chegue até si. 
Assim, cada um de nós da Antena 2 propõe-vos um autor, um livro... de todas as temáticas ou géneros, mais ou menos recentes, acabados de editar ou já esgotados.... um livro que nos tenha tocado, afectado, mudado de algum modo... ou simplesmente, tenhamos gostado de ler. E uma frase, um pequeno texto a propósito dessa escolha.



A Feira do Livro na Antena


28 Maio | Última Edição 
António Mota
A conversa de Luís Caetano com um reconhecido escritor para os mais novos, a propósito do seu livro O Gato e a Orquídea.
Para ouvir, clicar aqui.





A escolha de... Andrea Lupi
Georges Perec - A Vida Modo de Usar. Editorial Presença
"De 1978, o título pode sugerir um livro de auto ajuda avant la lettre, mas sobre ele escreveu Italo Calvino: «talvez seja o último verdadeiro acontecimento na história do romance», o que não é dizer pouco." (A.L.)




A escolha de... Cristina Cardinal
Bíblia SagradaSociedades Bíblicas Unidas
"Li-Te com pensamentos críticos e rasgos de ceticismo e terminei-Te com uma dose de cultura imensurável e de pensamento livre. As Tuas palavras foram uma verdadeira caminhada que culminou num ato de transformação interior." (C.C.)




29 Maio | Última Edição
Luísa Costa Gomes
Lançado durante a Feira, Da Costa: praias e montes da Caparica é um livro inesperado onde junta o ensaio sobre aquela região e o memorialismo.
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A escolha de... João Almeida
Afonso Cruz - Para Onde Vão os Guarda-Chuvas. Companhia das Letras
"Um livro que nos conta a história de um homem que quer ser invisível, de uma criança que gostaria de voar como um avião, de uma mulher que quer casar com um homem de olhos azuis, de um poeta mudo, de um general russo que é uma espécie de galo de luta, de uma mulher cujos cabelos fogem de uma gaiola, de um indiano apaixonado e de um rapaz que tem o universo inteiro dentro da boca. Um livro que nos arranca do nosso lugar pois a ação decorre num país não nomeado mas semelhante ao Paquistão ou Afeganistão. Com ideias humanistas capazes de mudar a nossa visão do mundo, pondo em causa a simples dualidade Ocidente/Oriente. A literatura contemporânea portuguesa no seu melhor. A nível global." (J. A.)




A escolha de... Pedro Rafael Costa
Hermann Hesse - Siddhartha. Ed. Minerva de Bolso
"O Buda seguia calmamente o seu caminho, perdido em pensamentos (...) o seu rosto e os seus passos, os seus tranquilos olhos baixos, a sua tranquila mão pendente e cada dedo da sua mão, falavam de paz, falavam de integridade, não procuravam nada, não imitavam nada, reflectiam uma serenidade contínua, uma luz imarcescível, uma paz invulnerável." (P.R.C.)



30 Maio | Última Edição
Alexandra Lucas Coelho
A escritora Alexandra Lucas Coelho conversa com Luís Caetano sobre a sua incursão nos livros para os mais novos, com texto e ilustrações, com Orlando e o rinoceronte, mas também sobre a questão dos voluntários recrutados pela APEL e a situação atual brasileira. 
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A escolha de... Jorge Carmona
John Steinbeck - A um deus desconhecido. Livros do Brasil
"Já o li há muitos anos...mas tenho na memória por ser um livro de uma simplicidade tão bela como só as coisas simples conseguem ser." (J.C.)




31 Maio | Última Edição
Pedro Mexia
Pedro Mexia reuniu crónicas suas no livro Lá Fora recentemente publicado pela Tinta da China. São os lugares e as viagens deste livro que servem de mote à conversa com Luís Caetano.
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A escolha de... Pedro Coelho
George Herriman - Krazy Kat. Ed. Manuel Caldas
"BD (ou, melhor dito, Comics) que correu de 1913 (ou mesmo antes, de forma embrionária) a 1944 em tiras e páginas de Domingo nos jornais de William Randolph Hearst. Por cá, saíu em finais da década de setenta no Diário de Lisboa - talvez em tradução de Luis de Sttau Monteiro - , duas décadas mais tarde nas edições Horizonte, num ensaio de integral com a mesma triste sorte do de 'Little Nemo in Slumberland' de Winsor McCay, e, muito recentemente, numa antologia de 42 pranchas, editadas e restauradas de acordo com os originais por Manuel Caldas, com tradução de João Ramalho Santos.
São contos contados num dialecto fronteiriço à língua inglesa sobre um ser-gato (Krazy Kat) apaixonado por um rato (Ignatz) que lhe arremessa tijolos à cabeça e é perseguido por um cão polícia (Offissa Pupp). O triângulo imutável inscreve-se na paisagem desértica em constante devir e que tudo provê do condado de Coconino no Arizona.
Quem conhece a obra dispensará quaisquer cauções intelectuais, a começar por Heráclito e Parménides, e quem não a conhece poderá apanhar uma cornucópia delas em www ponto qualquer coisa." (P.C.)




4 Junho | Última Edição
José Tolentino Mendonça
A conversa de José Tolentino Mendonça com Luís Caetano sobre o livro Elogio da Sede, reunião dos textos que levou à semana de orientação espiritual do Papa Francisco e agora é editado pela Quetzal.
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A escolha de... André Pinto
Mark Twain - Aventuras de Huckleberry Finn. Ed. Europa América
"Do aviso ao leitor (aqui no original): «Persons attempting to find a motive in this narrative will be prosecuted; persons attempting to find a moral in it will be banished; persons attempting to find a plot in it will be shot.»
Quem tentar encontrar um objectivo nesta narrativa será processado; quem tentar encontrar uma moral será banido; quem tentar encontrar um enredo será fuzilado. (trad. de A.Pinto)"




5 Junho | Última Edição
Miguel Real
A propósito do seu último livro, Cadáveres às Costas, um romance de crítica e ironia acerca de uma certa mentalidade portuguesa, Miguel Real esteve à conversa com Luís Caetano.
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A escolha de... Inês Almeida
Alfred Bester - The Stars My Destination [As Estrelas Meu Destino](1956). Ed. Gollancz, 2010.
"«Estabelecemos que a capacidade teleportativa está associada aos corpos Nissl, ou Substância Tigróide nas células nervosas. A melhor forma de demonstrar a Substância Tigróide é pelo método Nissl usando 3.75 g de azul de metileno e 1.75 g de sabão de azeite em 1000 cc de água. Quando a Substância Tigróide não aparece, é impossível excursionar. A teleportação é uma Função Tigróide. (Aplausos)» (excerto de As Estrelas Meu Destino, Parte 1)
«Durante muitos anos, o livro foi chamado Tiger! Tiger! nas edições do Reino Unido, citando um verso do poema de William Blake que agora surge no início da Parte Um. Gully Foyle é claramente a pessoa aí referida, 'ardendo brilhante' através do futuro de Bester. Vale a pena notar quantas vezes imagens de fogo, combustão, ou explosão se destacam no livro, desde o primeiro parágrafo do primeiro capítulo. O fogo destrói e fere (certamente fere Foyle), mas também traz mudança. As Estrelas Meu Destino é sobre como uma mudança que afecta todo o mundo humano pode começar com um homem comum. É apropriado que essa história seja contada num livro onde cada palavra assegura que nada é comum.» (Introdução, por Graham Sleight)"  (trad. por Inês Almeida).





6 Junho | Última Edição
José Eduardo Franco, Pedro Calafate e Ricardo Ventura
Os coordenadores do volume Cada Um é da Cor do seu Coração que reune textos do Padre António Vieira, estiveram à conversa com Luís Caetano sobre esta seleção textual representativa do pensamento do pregador acerca da escravatura.
Para ouvir a 1ª parte, clicar aqui.
Para ouvir a 2ª parte, clicar aqui.








As escolhas de... Alexandra Louro de Almeida
"O que mais me toca neste livro para além da sua narrativa fascinante e dum final surpreendente, é o sentido de humor do autor que transparece através das duas personagens principais: D. Gonçalo Nuno, um velho rico, cuja família quer internar num asilo, mas que se recusa a tal, para viver na velha casa da aldeia os seus últimos dias, e Zé da Pinta, considerado o "apocadinho", o "tolo" ou o "idiota da terra, que tinha como passatempo favorito olhar as nuvens, e que se entretinha a desmontar e tornar a montar as peças de pequenos engenhos dando-lhes uma nova e estranha forma que se supunha os tornasse imóveis mas no entanto estes moviam-se." (A.L.A.)
"Este livro que já li há muitos anos marcou a minha existência definitivamente. Para além da escrita clara do autor lembro-me de sentir-me submergida na história como se sentisse tudo o que aconteceu ao personagem principal, Siddartha, tanto os vários estados de espírito que o atravessaram, como igualmente as sensações físicas a que esteve sujeito.
Todo o livro é uma metáfora para a existência do ser humano, em que o rio representa a vida que não pára e a jornada atribulada de Siddartha é afinal a busca interior e a procura do verdadeiro EU que todo o ser humano espera vir a encontrar.
Aprendi com este livro que menos é mais. Uma lição para a vida.
O que faz deste livro uma grande obra? A sua simplicidade." (A.L.A.) 




11 Junho | Última Edição
Germano Almeida
O escritor cabo-verdiano, vencedor do Prémio Pessoa deste ano, esteve à conversa com Luís Caetano, a propósito do seu último romance O fiel defunto, que acaba de ser publicado com a chancela da Caminho.
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Foto de autoria não identificada
Foto de autoria não identificada
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A escolha de... Luísa Duarte Santos
Mia Couto - Jesusalém. Leya/Essencial RTP
"Há livros que nos levam a conhecer circunstâncias, situações ou lugares; outros que nos revelam modos de ser, de estar, de viver. E há livros que criam mundos. Aqueles que a partir de um mundo criado pelo autor, nos permitem de algum modo construir, nos confrontar, nos interrogar na nossa realidade, nos nossos modos de fazer mundos – referenciando Nelson Goodman. 
E este livro é particularmente incisivo nessa reflexão, mas também na auto-reflexão que a acompanha. Quando Mia Couto cria um mundo fora, além, de todos os lugares, Jesusalém, com todas as interrogações de um lugar exclusivo, de uma realidade sonhada por um protagonista, é o mundo interno que cada um constrói que ele interroga; é o nosso próprio mundo que questionamos. 
Mas é também pela insustentabilidade de um, desse mundo circunscrito – como tinha sido antes e contrariamente a insustentabilidade da sujeição ao mundo dos outros - e pela consequente necessidade de abertura – libertação? - ao mundo, a outros mundos, que podemos tentar construir, para nós com os outros, um mundo menos ‘desencantado’.
E porque “a vida é demasiado preciosa para ser esbanjada num mundo desencantado”, como nos diz um dos protagonistas deste romance, Reencantemo-lo, Reencantemo-nos, Reencantemos os nossos modos de fazer mundos.
................e podemos sempre começar com um livro e a sua partilha." (L.D.S.)




12 Junho | Última Edição
Eduardo Lourenço
Uma revisitação a O Labirinto da Saudade, um dos livros mais marcantes do pensamento de Eduardo Lourenço, é o mote para esta conversa com Luís Caetano.
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A escolha de... Luís Caetano
Edmondo de Amicis - Coração. Nova Delphi.
"Se eu mandasse, cada criança receberia aos 10 anos um exemplar deste livro - e seria a edição álbum da Verbo, com ilustrações de Guido Bertello e prefácio de Ricardo Alberty. Contando que todos o lessem (e relessem), a sociedade seria um pouco melhor. Não se esquecem Enrico, Garrone, Correti, as comoventes histórias do Vigia lombardo, do Tamborzinho sardo, ou do Marco, que vai dos Apeninos aos Andes, a dureza de um tempo e os dramas e as alegrias do quotidiano. Professores com vocação, e que por isso motivam os alunos, pais que educam para a solidariedade, crianças que valorizam o que é digno. Escrito em 1886 a pensar numa identidade italiana, o resultado é de um magnífico humanismo sem pátria.
Hoje, numa época de falência do gosto de ler e onde a educação para a ética começa a ser vista como uma opção excêntrica, a leitura deste livro, na infância ou vida adulta, convida à coragem, respeito, iniciativa, equilíbrio, humildade e sonho." (L.C.)




13 Junho | Última Edição
Sara Blaedel
A escritora e jornalista dinamarquesa esteve à conversa com Luís Caetano apresentando o seu mais recente livro, Mulheres da Noite, um thriller policial onde  cabe, mais uma vez, à inspetora Louise Rick desvender o caso criminal.
Para ouvir, clicar aqui.






Fotos de Jorge Carmona / Antena 2 RTP