Ouvir
Jazz a 2
Em Direto
Jazz a 2 João Moreira dos Santos / Maria Alexandra Corvela / Luís Caetano / Produção: Cristina do Carmo

Cultura

Nos 150 anos da Tabela Periódica | 4 e 11 Fevereiro

Antena 2 Ciência

|

Nos 150 anos da Tabela Periódica | 4 e 11 Fevereiro Nos 150 anos da Tabela Periódica | 4 e 11 Fevereiro

4 e 11 Fevereiro
12h30 | 18h30 

Um programa de Ana Paula Ferreira


Nos 150 anos da Tabela Periódica


2019 foi declarado pela UNESCO o Ano Internacional da Tabela Periódica, quando passam 150 anos da apresentação da primeira versão reconhecida da tabela, pelo químico russo Dmitri Mendeleev (1834 -1907).

Antena 2 Ciência junta-se à celebração desta efeméride, transmitindo dois programas com o bioquímico David Marçal:

4 Fevereiro | A realização de Mendeleev, o contexto histórico e a revolução no trabalho científico

11 Fevereiro | O desenvolvimento da tabela Periódica, o seu papel no ensino e como fonte inspiradora de duas admiráveis obras literárias.



A Tabela Periódica dos Elementos Químicos é uma das mais significativas conquistas em ciência, porque junta a essência não só da química, mas também da física e da biologia.
150 anos depois celebra-se a criação da ferramenta que permite prever as propriedades da matéria – na terra, ou em qualquer parte do universo. Em 1869 Dmitry Mendeleev apresentara o Sistema Periódico dos Elementos Químicos.  

Em 1860, o Congresso de Karlsruhe reuniu importantes químicos da época, com o obetivo de obter concordâncias nalguns resultados e ideias, tais como a existência do átomo, as suas corretas massas atômicas e o modo como os elementos se relacionam entre si. Não se chegou a nenhum resultado satisfatório, mas algumas ideias foram defendidas de maneira excessivamente enérgica, como o Princípio de Avogadro, conceito que advogava que "o número de moléculas de diferentes gases, em amostras de iguais volumes, pressão e temperatura, é o mesmo”. 
Foi este princípio que esteve na base da determinação correta das massas atómicas dos elementos químicos. 
Mas o fato mais importante foi a presença neste congresso de Mendeleev e Meyer.

“Em 1869, Mendeleev e Meyer descobriram independentemente que um padrão regular de repetição das propriedades podia ser observado quando os elementos eram arranjados em ordem crescente de massas atómicas. Mendeleev chamou esta observação de lei periódica”, e apresentou o seu trabalho no seguinte esboço: 

Retrato de Dimitri Ivánovich Mendeleyev com a toga da Universidade de Edimburgo. Galeria Estatal Tretiakov, Moscovo. | Primeiro esboço apresentado em 1869.


Trabalhando independentemente, Mendeleev e Meyer descobriram a lei periódica e publicaram aquela que ficou conhecida como Tabela Periódica dos Elementos Químicos. 
Meyer foi o primeiro a publicar, em 1864, e cinco anos mais tarde expandiu a sua tabela para mais de 50 elementos. No mesmo ano, em 1869, Mendeleev publicou uma versão mais completa e sofisticada que Meyer:



Através deste sistema, Mendeleev conseguia saber detalhes dos átomos sem que os elementos tivessem sido descobertos. Assim, deixou espaços em branco, que seriam ocupados pelos elementos cujas propriedades corresponderiam ao padrão, e fê-lo 25 anos antes da descoberta da primeira partícula atómica, o eletrão.


A tabela de Mendeleev serviu pois de base à elaboração da atual tabela periódica, ordenando os 60 elementos químicos conhecidos à época, segundo uma ordem crescente de peso atómico, de tal modo que, numa mesma vertical, ficavam os elementos com propriedades químicas semelhantes, constituindo os grupos verticais, ou as chamadas famílias químicas. O trabalho de Mendeleev foi um trabalho audacioso e um exemplo extraordinário de intuição científica.

Atualmente a Tabela Periódica dos Elementos Químicos, além de catalogar os 118 elementos conhecidos - os primeiros 94 elementos existem naturalmente; os elementos do número 95 ao 118 foram sintetizados em laboratório ou reatores nucleares -, fornece inúmeras informações sobre o comportamento de cada um. 


Que a aloxona, destinada a embelezar os lábios das mulheres, fosse extraída dos excrementos das galinhas ou das serpentes era um pensamento que não me incomodava minimamente. O ofício de químico (no meu caso reforçado pela experiência de Auschwitz) ensina a ultrapassar, mesmo a ignorar, certos horrores que nada têm de necessários ou congénitos: a matéria é a matéria, nem nobre nem vil, infinitamente transformável, e efetivamente não interessa saber qual a sua origem mais próxima. O azoto é o azoto, passa admiravelmente do ar para as plantas, destas para os animais e dos animais para nós.
Primo Levi, in O Sistema Periódico
trad. Maria do Rosário Pedreira, ed. D. Quixote