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A Propósito da Música
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A Propósito da Música Alexandre Delgado

Cultura

Vou e Venho, memórias de Miguel Torga | 17 Janeiro | 19h00

Documentário Sonoro, por Sofia Saldanha

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Vou e Venho, memórias de Miguel Torga | 17 Janeiro | 19h00 Vou e Venho, memórias de Miguel Torga | 17 Janeiro | 19h00

A 17 de Janeiro de 2023 passam 28 anos da morte do escritor Miguel Torga aos 87 anos. 
Em 2021, Sofia Saldanha foi a São Martinho de Anta, o lugar que Torga pôs no mapa da geografia literária mundial. Este é um retrato do escritor feito de memórias contadas por amigos, conhecidos e por quem dele ouviu dizer. 
Este é também um dos últimos documentários sonoros de Sofia Saldanha, falecida no último dia de Natal.


17 Janeiro | 19h00

Vou e Venho, memórias de Miguel Torga
Documentário sonoro
Realização: Sofia Saldanha


Para ouvirclicar aqui.


Chego a São Martinho de Anta com a curiosidade e expectativa de quem entra num novo mundo. É um lugar pequeno. Várias ruas desembocam num largo onde as pessoas se encontram. Passo na casa onde nasceu Miguel Torga, tão diferente das que a circundam. Entro no cemitério. Vou ao Fundo do Povo. Páro na Senhora da Azinheira. Deito-me numa fraga e começo a gravar. É meio da tarde do dia 4 de Setembro de 2021 e tudo o que ouço é um vento ensurdecedor. O que sei de Miguel Torga é o que vem nos livros. Da vida dele aqui, com os de São Martinho, venho descobrir. Entrar assim num lugar pequeno, e para mais cheia de perguntas, causa alguma desconfiança. Começo devagar. Uma entrevista, depois outra. Um novo contacto. Telefonemas. Portas fechadas, umas abertas a medo, outras escancaradas. Tenho de me explicar bem. “O que é que me vai perguntar?”, “E é para quê?”, “Não tenho muito para dizer”. Às vezes pedem-me para parar a gravação, porque há coisas que não são para partilhar com toda a gente. Regresso a São Martinho de Anta para fazer mais gravações. Gravo também em Lisboa e no Porto pessoas da terra que saíram para fazer a vida noutro lugar.
O que ouvimos neste documentário sonoro são as memórias que Miguel Torga aqui deixou, contadas por amigos, conhecidos e por quem dele ouviu dizer. Pessoas bem mais novas do que ele. Umas lembram-no com voz comovida, carregada de saudade, outras recordam-no sem grande entusiamo. Miguel Torga não é um homem consensual, nem o poderia ser, ninguém é perfeito na sua terra. Mas numa coisa todos concordam: Torga pôs São Martinho de Anta no mapa da geografia literária mundial.
Sofia Saldanha




Com Álvaro Vilela Gonçalves, Gentil da Conceição Pinto Freitas, Idalina Vilela, João Xavier de Matos, Luís da Cunha Lemos, Luís Gonçalves, Luís Salvador Gonçalves Ribeiro, Luísa Varandas Caçador Ferreira, Maria da Assunção, Maria Elvira Osório de Barros, Maria João Pinto de Matos Bessa, Mário Vilela, Martinho Barrias Gonçalves, Nair Elvira de Sousa Pereira Antunes e Nuno Matos.

Agradecimentos: Ana Filipa Filipe, Dília Matos, Fatiminha, João Matos Bessa, Padre Óscar Mourão, Raul Coutinho.

Este documentário é parte do projeto de programação em rede Palavras Cruzadas, iniciativa em parceria dos Municípios de Vila Real, Sabrosa, Bragança e Fundação Casa de Mateus, através das suas estruturas Teatro de Vila Real, Espaço Miguel Torga, Teatro Municipal de Bragança e Casa de Mateus.
Foi apresentado em duas sessões: uma em São Martinho de Anta, no Espaço Miguel Torga, e outra em Vila Real, na Casa de Mateus.

Portugal, 2021




Miguel Torga | Pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, autor de uma vasta produção literária, em poesia, prosa, romance e teatro. Tem os seus livros traduzidos para diversas línguas. Foi por várias vezes candidato ao Prémio Nobel de Literatura.

Nasceu em S. Martinho de Anta, concelho de Sabrosa, distrito de Vila Real, a 12 de agosto de 1907. Depois de uma experiência de emigração no Brasil durante a adolescência, cursou Medicina em Coimbra, onde passou a viver e onde veio a falecer a 17 de janeiro de 1995. 
Foi poeta presencista numa primeira fase; a sua obra abordou temas sociais como a justiça e a liberdade, o amor, a angústia da morte, e deixou transparecer uma aliança íntima e permanente entre o homem e a terra. 
Estreou-se com Ansiedade, destacando-se no domínio da poesia com Orfeu Rebelde, Cântico do Homem, bem como através de muitos poemas dispersos pelos dezasseis volumes do seu Diário; no género de ficção distingue-se A Criação do Mundo, Bichos, Novos Contos da Montanha, entre outros. O Diário ocupa um lugar de grande relevo na sua obra. Também como dramaturgo, publicou três obras intituladas Terra Firme, Mar e O Paraíso
Recebeu, entre outros, o Prémio Montaigne em 1981, o Prémio Camões em 1989 e o Prémio Vida Literária (atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores) em 1992.