Ouvir
Sol Maior
Em Direto
Sol Maior Pedro Rafael Costa

Destaques

60 anos Guerra Colonial | 4 Fevereiro | 19h00

Um programa por Germano Campos

|

60 anos Guerra Colonial | 4 Fevereiro | 19h00 60 anos Guerra Colonial | 4 Fevereiro | 19h00

Imagem parcial de "A Guerra Colonial. Fotobiografia", por Renato Monteiro e Luís Farinha. Ed. Círculo de Leitores / Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1990.

Há 60 anos ocorreu o primeiro conflito de uma Guerra que durou 13 anos, teve dezenas de milhares de perdas humanas de ambos os lados, e que marcou indelevelmente Portugal e os países africanos onde decorreu. Assinalando este momento inicial, a Antena 2 transmite uma emissão especial realizada por Germando Campos.  


4 Fevereiro | 19h00

Especial | 60 anos Guerra Colonial
Um programa de Germano Campos


Para ouvir, clicar aqui.


A 4 de Fevereiro de 1961 começou a guerra em Angola. Colonial para a administração portuguesa, de libertação para os nacionalistas.

Naquele dia, em Luanda, há 60 anos, um grupo de cerca de 200 angolanos, alegadamente simpatizantes do MPLA, atacou uma cadeia na capital angolana e a principal estação de rádio do país, levando o regime de Salazar a enviar tropas para defender o território e os portugueses que ali viviam. Primeiro em Angola, e depois em Moçambique, Guiné Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

"Rapidamente e em força" foram as palavras proferidas pelo então Presidente do Conselho, que passaram para a história dos dois povos, no início de uma luta que durou 13 anos e que só viria a terminar após o eclodir a Revolução do 25 de Abril e a independência dos então territórios ultramarinos, em 1975.

A Antena 2, num trabalho de Germano Campos, recorda esses momentos, com base em sons dos arquivos históricos da RTP e da RDP, intercalados com canções produzidas em Angola e Portugal nos anos 60 e alusivas quer à guerra, quer às tradições e ritmos angolanos, como Nambuangongo, meu amor, poema de Manuel Alegre, cantado por Paulo de Carvalho, Monangambé por Ruy Mingas, Ronda do Soldadinho, com letra e interpretação de José Mário Branco, Manazinha, por N´Gola Ritmos, Soldado Conhecido, por Paco Bandeira, e Menina dos Olhos Tristes, um poema de Reinaldo Ferreira e música de José Afonso, cantado por Adriano Correia de Oliveira.




Cronologia da Guerra Colonial: 1961-1969 | 1970-1974


Clara Menéres - Jaz morto e arrefece o menino de sua mãe [escultura], 1973
Foto: Fundação Calouste Gulbenkian / Márcia Lessa


Evocamos também, e aqui, que em diferentes Artes, na literatura - em romances, poesias, crónicas e diários -, no cinema, na música, nas artes plásticas, o tema da Guerra Colonial teve diversas expressões, quer por quem a vivenciou, de perto ou de longe, ou por quem nela se inspirou.


Ainda

As nossas frases estão cheias de picadas
de minas a explodir nos substantivos
por dentro do silêncio há emboscadas
não sabemos sequer se estamos vivos.
Os helicópteros passam nas imagens
a meio de uma vírgula morre alguém
e os jipes destruídos estão nas margens
do papel onde talvez para ninguém
se vão escrevendo estas mensagens.


Manuel Alegre, Nambuangongo, meu amor: os poemas da guerra
Lisboa: Dom Quixote, 2008, p. 54.






Tropa d'África

Eu, soldado raso, me confesso.
Não morri ainda, quase vivo.
Uns querem que eu morra.
Outros que eu viva.

A quem me afirmo, sendo morto-vivo?

Com que expressão
posso nomear-me?

Ninguém quis saber da minha vida
nem do que eu sentia.

Eu, soldado raso, digo:
não trapaceiem comigo.
Sou homem,
não sou palha.
Sou homem
dentro da farda.


27/10/69

Ruy Cinatti, Obra poética
Lisboa: Imprensa Nacional Cada da Moeda, 1992, p. 239.












Um Adeus Português, realização de João Botelho, 1986



Malangatana Ngwenya, O Amor e a Guerra - Yowe, Cântico de um Guerrilheiro, 1971
Fonte: Casa Comum