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Notas Finais António Pires Veloso

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Caleidoscópio II | Domingo 22h00 | Quarta 13h00 | Sábado 5h00

Cóclea: O Labirinto da Escuta | Maria Filomena Molder e Nuno Fonseca

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Caleidoscópio II | Domingo 22h00 | Quarta 13h00 | Sábado 5h00 Caleidoscópio II | Domingo 22h00 | Quarta 13h00 | Sábado 5h00

A Antena 2 apresenta a partir do início de Janeiro uma série do programa Caleidoscópio, intitulada Cóclea: O Labirinto da Escuta, da autoria de Maria Filomena Molder e Nuno Fonseca, até ao final de Março.


Domingos 22h00 | 4ª feiras 13h00 | Sábados 5h00


Cóclea: O Labirinto da Escuta 

Por Maria Filomena Molder e Nuno Fonseca


Cóclea é um programa onde se pretende refletir sobre a experiência sonora e a nossa capacidade de escutar.
É o contributo radiofónico para uma estética e uma antropologia filosófica dos sons e da escuta. Não se trata aqui apenas de música, mas de todos os tipos de sons, os que fazem parte do nosso quotidiano e os que raramente temos oportunidade de escutar, os melífluos e os que nos agridem, os que nos encantam e os que nos deixam alerta, que nos perturbam ou nos convocam. 
O labirinto é a figura desta cóclea radiofónica porque nos convida a percorrer diferentes canais, diferentes caminhos e perspectivas auriculares sobre a cultura sonora do nosso tempo.


Ilustração de Henry Vandyke Carter (1831-1897) 
do livro de Henry Gray (1918), Anatomy of the Human Body, Philadelphia and New York: Lea & Febiger.
Fonte: Wikipédia


Programas

Prog. 1 | 2 Janeiro
Vestíbulo
Uma introdução vestibular a esta Cóclea, uma apresentação do seu conteúdo, daquilo que se pretende com o programa – uma estética e antropologia filosófica da experiência sonora – e dos seus vários temas.
Para ouvir, clicar aqui.


Prog. 2 | 9 Janeiro
Silêncio e ruído
Nos extremos da nossa experiência de escuta, encontramos o silêncio – que não é ausência de som, mas o fundo da emergência sonora e, num certo sentido, condição da escuta – e encontramos também o ruído – que se apresenta com toda a sua polissemia e equivocidade –, mas esses extremos tocam-se e estão mais intrincados do que normalmente estamos habituados a ouvir.
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Prog. 3 | 16 Janeiro
A noite
Quando a noite cai e a luz deixa de nos dar auxílio, os ouvidos ficam mais alerta e procuramos orientar-nos pelos sons. A noite é, ao mesmo tempo, um desafio à nossa capacidade de escutar e uma oportunidade para nos reconciliarmos com os sons misteriosos e incertos. Exploremos a íntima relação da escuta com a noite e a escuridão.
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Prog. 4 | 23 janeiro
Os sons da natureza
Tudo o que se move, soa. E na natureza tudo está em movimento ou em cíclica transformação. Escutemos, pois, os animais e a floresta, as respirações da terra e os ritmos das marés, escutemos as paisagens sonoras naturais para perceber o que nos dizem sobre os ecossistemas e o estado da Terra.
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Prog. 5 | 30 Janeiro
O vento, o sopro e a voz
Os nossos ouvidos mantêm-nos numa relação estreita com as coisas que não vemos, mas que nos fazem vibrar. O vento não se vê, mas ouve-se e faz-se sentir na nossa pele e nos cabelos. O sopro é como que um vento que vem de dentro e nos revela. E a voz exprime a nossa singularidade e os nossos humores, mas também nos enlaça e ressoa com as vozes dos outros.
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Prog. 6 | 6 Fevereiro
A imaginação sonora
Nem todas as imagens são meramente visuais. Também os sons formam imagens, imagens sonoras, imagens vibrantes, com fundos, figuras e contornos, com timbres, cores e ritmos. Sem o auxílio do otoscópio mas em conversa com a artista e coreógrafa Sónia Baptista, espreitemos a representação figurativa dos sons e deixemo-nos embalar pelos sons que imaginamos.
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Prog. 7 | 13 Fevereiro
A (i)materialidade/a corporalidade dos sons
Os sons são perturbações de um meio molecular que resultam de choques, fricções, vibrações de corpos. No entanto, os sons em si mesmos são incorporais, acontecimentos temporais evanescentes e não objectos materiais e persistentes. Não obstante, há uma história material da escuta, dos modos de escutar, daquilo que desde as invenções tecnológicas de fonofixação, amplificação e difusão tem modificado aquilo que ouvimos e podemos ouvir. Em conversa com o filósofo e musicólogo João Pedro Cachopo, revisitemos e reflictamos sobre as transformações da escuta.
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Prog. 8 | 20 Fevereiro
(D)escrever o som
Embora, os sons sejam evanescentes e inefáveis, as tentativas de descrever e escrever os sons são muito antigas. De Guido d’Arezzo a Pierre Schaeffer, procuraram-se, no entanto, diferentes aspectos dos sons. Em conversa com o compositor e musicólogo Riccardo D. Wanke, tentemos compreender diferentes tentativas de percepção e descrição da morfologia e tipologia dos sons.
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Prog. 9 | 27 Fevereiro
À escuta da literatura
Se a pintura é poesia muda, a literatura pode, pelo contrário, ser uma oportunidade de escutar universos sonoros. Com a ajuda do professor e musicólogo Mário Vieira de Carvalho, podemos descobrir que há escritores com bom ouvido e preparar-nos para escutar melhor a literatura.
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Prog. 10 | 6 Março
Cinema para os ouvidos
Durante demasiados anos, o cinema tem sido pensado e, por vezes até realizado, surdamente. Mas o cinema, como sabem alguns realizadores, é 50% imagem e 50% som. Vicente Molder, um jovem cineasta que aprendeu a abrir os ouvidos na rodagem dos filmes e nas salas de cinema, fala connosco sobre o que o cinema nos pode dar a ouvir.
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Prog. 11 | 13 Março
Cada som conta uma história
Um som irrompe no contínuo do tempo, dura por um determinado período e depois desaparece, para sempre. Cada som tem uma história e ele próprio conta uma história, porque de cada vez que ouvimos, nos perguntamos de onde vem, o que é aquilo e o que quer ele dizer. O maestro e musicólogo Rodrigo Teodoro de Paula tem-se dedicado ao estudo das paisagens sonoras históricas e fala connosco sobre a história e as histórias dos sinos, por quem dobram e o que contam os seus rebates.
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Prog. 12 | 20 Março
Armas sonoras
O som é eficaz. Ele não é apenas audível, mas produz efeitos, físicos e psicológicos, que agem sobre nós, que alertam, revelam, dissuadem e destroem. Das trompas de Jericó às histórias de escutas, do sonic branding ao uso militar dos sons, exploremos a força, o sentido e o alcance dos sons quando são usados como armas.
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Prog. 13 | 27 Março
O som da música ou o que escutamos quando ouvimos música?
Perguntar o que escutamos quando ouvimos música parece um pouco insensato. Pois o que haveríamos de ouvir senão os sons? Mas será mesmo assim? Serão mesmo os sons em si mesmos o foco principal da nossa escuta quando ouvimos música? Talvez dependa do tipo de música e da época em que ela se fez e se ouviu? Talvez dependa de quem a compôs, dos que a ouvem e dos modos como ela é ouvida? É com as interrogações por vezes desconcertantes da filosofia da música que encerramos este labirinto.
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Maria Filomena Molder (1950) | Professora Catedrática de Estética da Universidade Nova de Lisboa. Doutoramento em 1992 sobre O Pensamento Morfológico de Goethe (IN-CM, 1995).
Editou Paisagens dos Confins. Fernando Gil, 2009;  Morphology.  Questions on Method and Language, 2013; e também  Rue Descartes nº68, "Philosopher au Portugal Aujourd'hui", 2010. 
Publicou vários livros sobre a relação entre artes, poesia e filosofia. Alguns deles obtiveram o Prémio Pen-Clube para Ensaio: 2000 (Semear na Neve. Estudos sobre Walter Benjamin, 1999); 2012 (O Químico e o Alquimista. Benjamin Leitor de Baudelaire, 2011); 2018 (Dia Alegre, Dia Pensante, Dias Fatais, 2017); o Prémio AICA 2017 (Rebuçados Venezianos, 2016) e o Prémio para o Ensaio Jacinto do Prado Coelho 2021 (O Absoluto que pertence à Terra, 2020). 
Escreve também para Catálogos de arte, sobretudo no contexto da arte portuguesa contemporânea, e sobre filosofia, arte e literatura para Revistas internacionais, como Análise, Internationale Zeitschrift für Philosophie, Sub-Rosa, La Part de l'Oeil, Rue Descartes, Gratuita, Europe, Cadernos Nietzsche, Lettre International, Electra, Diaphanes, Umbigo, Contemporânea.             


Nuno Fonseca (1974) | Investigador integrado do Instituto de Filosofia da Nova (Ifilnova) onde coordena o grupo Arte, Crítica e Experiência Estética do Culturelab, e colaborador do Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical (CESEM). Investiga vários tópicos da Estética e Filosofia da Arte, focando-se sobretudo na experiência sonora no âmbito das práticas artísticas e musicais contemporâneas, mas também no contexto do quotidiano urbano. Lecionou, na FCSH-UNL, a disciplina de "Retórica e Argumentação" (2012-2014), no curso de Ciências da Comunicação, o seminário "Arte e Experiência" (2012-2013), no âmbito do mestrado em Estética, e vários cursos de curta duração sobre a Filosofia dos Sons e das Artes Sonoras (2015-2018).
Licenciado em Direito (1998) e em Filosofia (2004) pela Universidade de Coimbra, concluiu no ano 2012 o doutoramento em Filosofia (Epistemologia e Filosofia do Conhecimento) na FCSH-UNL, trabalhando sobre questões de representação e de percepção. Para além de vários artigos e capítulos publicados nacional e internacionalmente, é também o autor da primeira tradução e edição integral da Lógica de Port-Royal, publicada pela Fundação Calouste Gulbenkian. 
Desde os anos 90, ligado a experiências com o meio sonoro, nomeadamente, através da realização de programas radiofónicos na Rádio Universidade de Coimbra e mais recentemente na Antena 2, tem feito também algumas incursões na sonoplastia de espectáculos de teatro e performance, nomeadamente, Antológica (2014), de Vasco Araújo e do Teatro Cão Solteiro e Morceau de Bravoure (2015), espetáculo do Teatro Cão Solteiro com a Companhia Nacional de Bailado.