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Entrevista | Gidon Kremer

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Entrevista | Gidon Kremer Entrevista | Gidon Kremer

© Jorge Carmona / Antena 2


Gidon Kremer 
Entrevista por Luís Caetano

8 Janeiro 2018

Para ouvir a entrevista, clicar aqui.


O renomado violinista e maestro Gidon Kremer foi entrevistado por Luís Caetano, aquando da sua presença na última edição do LEFEST - Lisbon & Sintra Film Festival, onde apresentou o seu filme realizado com Sandro Kancheli, no qual as esculturas de seixos do escultor sírio Nizar Ali Badr, animadas por Kancheli, contam histórias do sofrimento do seu povo.




Gidon Kremer nasceu em Riga, na Letónia, há 70 anos, no seio de uma família de origem judaico-alemã; o seu pai foi aliás um dos sobrevivente do Holocausto. Começou a tocar violino aos quatro anos, tendo aulas com o pai e o avô, ambos violinistas profissionais. Estudou na Escola de Música de Riga e com David Oistrakh no Conservatório de Moscovo. Em 1967 ganhou o 3º prémio no Concurso Rainha Elisabeth de Bruxelas, dois anos depois o 2º prémio no Concurso Internacional de Violino de Montreal e o 1º prémio no Concurso Paganini de Génova. Em 1979, ganha o primeiro prémio do Concurso Internacional Tchaikovski de Moscovo.
O seu primeiro concerto na Europa Ocidental foi na Alemanha em 1975; nos anos seguintes, atuou no Festival de Salzburgo (1976) e em Nova Iorque (1977). Em 1981 fundou um festival de música de câmara em Lockenhaus, Áustria, colocando especial ênfase em obras novas e não convencionais. Desde 1992 o festival é conhecido como "Kremerata Música". 
Em 1997, fundou uma nova orquestra constituída em exclusivo por jovens músicos bálticos, cuidadosamente selecionados pelo violinista, e descobrindo assim muitos valores entre os músicos destes países. A partir do primeiro concerto, ficou claro que a concretização dessa ideia resultara num agrupamento capaz de arrebatar novos públicos. Desde então, a Kremerata Baltica tem interpretado um reportório diversificado e eclético.
Kremer foi também diretor artístico do festival "Art Projekt 92" em Munique e dirige o festival Musiksommer Gstaad, na Suíça.


Kremer é famoso pelo amplo repertório, desde Antonio Vivaldi e J. S. Bach a compositores contemporâneos. Tem dado a conhecer obras de compositores como Astor Piazzolla, George Enescu, Philip Glass, Alfred Schnittke, Leonid Desyatnikov, Alexander Raskatov, Alexander Voustin, Lera Auerbach, Pēteris Vasks, Arvo Pärt, Roberto Carnevale e John Adams. Entre os muitos compositores que lhe têm dedicado obras contam-se Sofia Gubaidulina (Offertorium) e Luigi Nono (A distância nostálgica utópica futura). Tocou com Valery Afanassiev, Martha Argerich, Oleg Maisenberg, Mischa Maisky, Yuri Bashmet e Vadim Sakharov. 
Tem uma extensa discografia, de mais de 120 álbuns, com a Deutsche Grammophon, para a qual grava desde 1978, mas também na Philips, Decca, ECM e Nonesuch Records, onde apresenta grandes obras do seu reportório, mas sobretudo se revela como um criativo que subverte o cânone e nos dá o inesperado, recuperando muitos autores esquecidos. 





Gidon Kremer tem sido também um artista atento ao seu tempo, a este tempo presente. Desta sua sintonia nasceu o filme Images D'Orient, "um ‘statement’ sobre a questão dos refugiados, sobre paz e amor", nas suas próprias palavras, feito em colaboração com o escultor Nizar Ali Badr, que conta histórias de sofrimento do povo sírio através de esculturas de seixos, animadas por Sandro Kancheli. 



LEFFEST – Lisbon & Sintra Film Festival’17 exibiu, numa sessão especial, este filme de Gidon Kremer e Sandro Kancheli, Images D'Orient, seguida de um concerto pelo violinista onde tocou Preludes to a Lost Time (Imaginary Dialogues), uma reinvenção / interpretação de Preludes to a Lost Time de Mieczyslav Weinberg (transcritos do violoncelo para violino por Kremer), ao mesmo tempo que eram projetadas imagens do fotógrafo lituano Antanas Sutkus. Seguiu-se a leitura por Luís Caetano de um texto de Elfriede Jelinek, As Suplicantes, refletindo sobre a crise da imigração.





Tenho compaixão por todo o padecimento no Médio Oriente e quero que o mundo seja melhor. Sei que o que posso alcançar com o meu violino e a minha música é apenas uma gota no oceano, mas sentir-me-ia envergonhado se não distribuísse essa gota, se está ao meu alcance fazê-lo.
Gidon Kremer





Fotos Jorge Carmona / Antena 2 RTP