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Out.Fest 2017 | 4 a 7 Outubro

Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro

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Out.Fest 2017 | 4 a 7 Outubro Out.Fest 2017 | 4 a 7 Outubro


Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro

4 a 7 Outubro


O OUT.FEST – Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro celebra, desde 2004, a música experimental em todas as suas vertentes estéticas (música improvisada, electrónica, jazz, música clássica contemporânea, novas linguagens), juntando na sua programação a história, o presente e o futuro da criação musical de vanguarda.

O cartaz desta 14ª edição conta com a presença de 19 nomes numa edição que assinala a estreia de mais um espaço icónico da cidade no roteiro do festival – a Igreja de Santa Maria, um dos três Monumentos Nacionais do Concelho. É neste espaço que decorre o concerto de abertura com a colaboração entre o músico Jonathan Uliel Saldanha e os grupos corais locais TAB e Be Voice. Os outros espaços que acolhem os restantes espectáculos são o Museu Industrial da Baía do Tejo, o Auditório Municipal Augusto Cabrita e a ADAO (Associação Desenvolvimento Artes e Ofícios).



Alguns dos projetos musicais do Out.Fest:

Jonathan Uliel Saldanha & Coral Tab + Coro Be Voice (Pt)
4 Outubro, Igreja de Santa Maria, 21h30 

Compositor, activista, programador e produtor, Jonathan Uliel Saldanha tem tido um papel fundamental, presente e consequente na realidade e quotidiano da música progressista no Porto ao longo de praticamente todo este século. No seu trabalho podemos encontrar alguns interesses coerentes desde o início do seu percurso até hoje. A acusmática, a electroacústica, uma ideia actualizada e esclarecida do industrial, a intercontinental cultura de bass e de soundsystems, a composição moderna e pós-moderna, e a realidade construída num mundo de software pós-Max MSP.
Nos últimos anos começou a compôr, nomeadamente para algumas encomendas institucionais, trabalho coral, pelo que achámos que seria uma óptima ocasião para o ter o TAB, grupo coral dos Trabalhadores da Autarquia do Barreiro, à disposição do Jonathan. Fundado em 1993, conta hoje com mais de 50 membros, e é dirigido desde a sua formação pelo Maestro Manuel Gonçalves, tal como o Coro juvenil B-Voice.






Charlemagne Palestine (Estados Unidos)
5 Outubro, Museu Industrial Baía do Tejo, 21h30

Figura basilar no cruzamento ao longo das últimas 4-5 décadas entre os campos de actividade que juntam a música e as artes plásticas e visuais de vanguarda, Charlemagne Palestine, continua a destacar-se como um dos últimos filhos do violento cruzamento entre a composição moderna / pósmodernista e o conhecimento auto-didacta de rua.
Apanhou com John Cage e a sua nova ciência para o conhecimento sobre música e som.
Assombrou com novas ideias o minimalismo novaiorquino dos 60s e 70s. Foi criando trabalho crucial de vídeo, escultura e multidisciplinaridade com bonecos de peluche, viagens loucas de mota, órgãos de igreja e o diabo a sete para provar que todos temos uma chance de entendimento através da anulação da parte desnecessária e supérflua do ego, e o investimento na boa fé e nas boas intenções.
Virtuoso nas suas próprias técnicas em piano, órgão de igreja, cálice de cristal cheio de conhaque ou vocalizações, vai fazer aqui o que lhe apetecer.






Quarteto de Sei Miguel (Pt)
5 Outubro, Museu Industrial Baía do Tejo, 21h30

Compositor e trompetista residente em Lisboa desde os finais da década de 70, tem feito um trabalho raríssimo que intertextualiza variadíssimos campos de conhecimento e técnica.
Cruza jazz (linguagem central), a composição de todas as eras que estudou e habitou, a curiosidade e leitura própria sobre as utilizações da métrica, electricidade e electrónica, e gerou o seu personalizadíssimo método de escrita - para si e para os seus músicos -, que oferece a todos os seus trabalhos um tipo de visão e conhecimento aparte de qualquer outro músico e ideólogo que conhecemos.
Apresenta-se aqui com um quarteto que pela primeira vez inclui Bruno Silva (Osso, Ondness, Serpente, etc) na guitarra eléctrica, com o recente colaborador Pedro Castello Lopes na percussão, e a eterna e magnífica Fala Mariam no trombone.






Casa Futuro (Pt/Suécia)
6 Outubro, Auditório Municipal Augusto Cabrita, 21h30

Trio de Pedro Sousa, Johan Berthling e Gabriel Ferrandini, nomeado após a titular casa de S. João do Estoril. O duo Sousa/Ferrandini é já de há anos para cá dos mais robustos e imprevisíveis casamentos da berraria existencial da Grande Lisboa, e que tantas vezes se reconfigura nas outras combinações do Pedro e do Gabriel, com tanta música improvisada para a qual contribuem noutras formações. O encontro com a sumidade contrabaixística viking em questão produziu não só uma amizade como pariu o trabalho homónimo do grupo pela Clean Feed, que poucas e fantásticas críticas granjeou quando foi lançado, o necessário para que o trabalho ao vivo retomasse, com datas na Escandinávia e em Itália em 2016.
Regressam agora a palco, nesta configuração que mostra o sax tenor do Pedro Sousa mais lírico, melodista e abstracto do que é costume; o contrabaixo de Berthling no seu melhor, num registo contemporâneo vindo dos clássicos trios de jazz; e a bateria do Gabriel, sempre um espanto, à procura de inventar mundos novos dentro de si, e na colaboração com os seus colegas. A ver onde nos leva esta rara banda intracontinental recorrente, num meio que tão pouco nelas realmente investe.





Lolina (Rússia)
6 Outubro, Auditório Municipal Augusto Cabrita, 21h30

Heterónimo da cidadã publicamente reconhecida como Inga Copeland, em tempos metade dos Hype Williams, este aliás transporta-a para um contexto bem específico de canção atómica.
Natural da Rússia, a artista vive já há vários anos em Londres, e é da história dessa cidade que conseguimos tentar vislumbrar algumas das referências aqui. O punk mais melancólico da viragem local dos 70s para os 80s, entre os primeiros Television Personalities e o “Ghost Town” dos Specials, que na verdade se serviam, tal como ela de uma maneira contemporânea, de fazer um retrato fantasmático de uma cidade desprovida de uma direcção clara. São canções perdidas numa assimilação só moderadamente sarcástica das funcionalidades da vida pós-AirBnB e demais coisas do capitalismo grotesco em piloto automático, que tenta resgatar nessa distância algum tipo de sanidade no meio de mais uma capital europeia sem qualquer noção de cidadania. Um projecto lateral para manter a cabeça funcionar, de uma das criadoras mais curiosas e bravas deste século na criação independente europeia.






This Is Not This Heat (Reino Unido)
7 Outubro, ADAO, 21h30

Unidade crucial na música criativa britânica da viragem da década de 70 para a de 80, os This Heat, como a própria Grã Bretanha, eram uma ilha, mesmo que uma bem mais empática com influências externas plurais do que por ali é habitual. Descendentes directos - sem dúvida os mais directos - dos Can, aprenderam com toda a movida do denominado Camberwell Now e associados (Henry Cow, Art Bears, Robert Wyatt e amigos), com técnicas livres (dadaísmo, John Cage, pensamento progressista comunitário) de libertação e inventaram dois discos (e uns pozinhos preciosos, como a obra-prima ‘Health & Efficiency’) que ficaram e estão para sempre em suspenso na história da música urbana, na viragem da modernidade para a pós-modernidade.
Electricidade, acústica, colagem, electrónica, loops, composição, improvisação, melodia, atonalidade, caos, ordem. Baladas, rock and roll, música concertista, ruído organizado, processos técnicos virados poesia… a forma sempre utilizada como função artística.
Influenciaram milhentos artistas curiosos e curiosas desde então. Todos continuaram, com maior ou menor visibilidade a fazer música, mas até ao ano transacto, não tinham voltado a tocar, até que o farol londrino Cafe Oto os convidou para voltarem ao palco. Esta é uma das poucas aparições que fizeram desde então, onde revisitam com toda a fome um material eterno. São os This Heat, não são os This Heat, mas a música é deles, e deles só.





Jejuno (Pt)
7 Outubro, ADAO, 21h30

Projecto da música e fotógrafa Sara Rafael, criada em Palmela e rapidamente adoptada em vida adulta pela Lisboa mais aberta à sensibilidade, nos seus vários quadrantes. A Sara trabalha essencialmente sobre uma ideia electrónica de loops excepcionalmente longos na sua duração, sobrepostos, capazes de dar voltas imprevisíveis sobre si mesmos numa caleidoscopia de processos que ela gere com pura intuição improvisacional.
Soa tudo muito caro, mas na verdade o que rola é que ela pega em capacidades fantasmáticas do techno e do house, mas nunca perdendo o seu eixo, que é o do instinto, das visões e das assombrações e sonhos pessoais, muitas delas partilhadas com outras e outros seus concidadãos e concidadãs, e acaba criando novos mundos-momentos a cada viagem, concerto ou trabalho publicado.
Tem editado e actuado com cada vez maior regularidade, mesmo depois da desfeita que Viena nos fez quando a raptou de nós. Primeira actuação desta recém expatriada depois da facada.






Simon Crab (Reino Unido)
7 Outubro, ADAO, 21h30

Figura central dos Bourbonese Qualk, mito do underground das electrónicas mais militantes, activistas e extremos da música britânica da década de 80, fundador da Recloose, casa para outros bandidos da tribo, tem trabalhado e publicado trabalho a solo em tempos mais recentes.
Músico aparentemente curioso por todas as formas de música e de expressão sonora, acaba por ficar mais nas franjas da história da electrónica independente europeia nas últimas três décadas, por se ter ligado a um circuito ligado aos squats e à inviabilidade mediática do em igual medida funcional e disfuncional circuito punk. Nada que o pareça perturbar, no seu cruzamento de todas as formas de electrónica, analógica e digital, miscigenação globalista de vocabulários musicais, abolição crassa de ideias de alta e baixa cultura e carácter bravo dos seus trabalhos recentes.






Alex Zhang Hungtai / David Maranha / Gabriel Ferrandini (Canada/Pt)
7 Outubro, ADAO, 21h30

Trio de três tipos bem diferentes de piratas. O cámone em causa é Alex Zhang Hungtai, canadiano de origem chinesa, pop-star pós-Suicide/Alan Vega que no meio da sua busca existencial veio dar a Lisboa.
Na capital portuguesa deparou-se com várias personagens e com o seu próprio momento na busca por todas as coisas. Ao longo do processo, surgiram David Maranha, figura recorrente das músicas experimentais portuguesas ao longo dos últimos 30 anos, e Gabriel Ferrandini, torrente técnica, matérica e inquisitiva nos últimos anos do panorama local e nacional, e cada vez mais do jazz europeu
Como raras vezes ocorre, fizeram deste encontro intercontinental uma coisa regular. Gravaram dois discos, um deles publicados até à data. Fizeram várias datas em Portugal e uma longa digressão pela Europa. O Alex regressa agora por outra temporada a uma cidade que sempre o tem acolhido com entusiasmo para mais um capítulo deste trio de exorcismos, novas descobertas entre os vocabulários do rock, do free jazz, da improvisação, do minimalismo, e absolutamente sempre em busca de alto risco de algo novo.





Nocturnal Emissions (Reino Unido)
7 Outubro, ADAO, 21h30

Projecto com praticamente quatro décadas, inicialmente formado enquanto grupo, é desde 1984 o heterónimo utilizado pelo britânico Nigel Ayers para publicar as suas centenas (milhares?) de trabalhos até hoje.
No mosaico praticamente impossível de sistematizar da sua carreira, detectamos um apreço enorme pela independência criativa, que perpassa a música concreta/concretista, a afronta dos verdadeiros punks, a electroacústica, uma ideia melodista/harmonista da percussão e dos sons contínuos, os espectros de vários músicas de danças tribais anciãs e contemporâneas, e um espírito de permanente busca pelo avanço pessoal e artístico. Vadios iluminados daqueles bons, como se quer.






GYUR (Pt)
7 Outubro, ADAO, 21h30

Gyur é, tal como Bleid (que actuou no OUT.FEST 2015), parte da CRATERA, um grupo de jovens criadores de ‘conteúdos digitais’ com epicentro na difusa Grande Lisboa. Através do bandcamp do colectivo editou em Fevereiro último o primeiro disco, “Garble”, produzido, misturado, masterizado e com artwork pelo autor. Temas cascantes, de ataques rítmicos cyber punk levedantes, com um sentido narrativo cognitivamente desafiante.







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