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A Ronda da Noite Luís Caetano

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Ruas de sentido único - 2ª série | 6.as feiras | 14h00

Por Maria Filomena Molder, Nélio Conceição e Nuno Fonseca

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Ruas de sentido único - 2ª série | 6.as feiras | 14h00 Ruas de sentido único - 2ª série | 6.as feiras | 14h00

A Antena 2 transmite a partir de 7 de Outubro, e durante 3 meses, a 2ª série do programa, Ruas de sentido único, uma reflexão prática sobre a experiência estética da cidade contemporânea.


6.as feiras | 14h00

Ruas de sentido único
Um programa de Maria Filomena Molder, Nélio Conceição e Nuno Fonseca


As cidades são campos de forças, nebulosas de passos, acampamentos de vivos e mortos. Ruas do tempo, intimações do presente, ruas de sentido único.


Sob a égide de Walter Benjamin, que inerva de múltiplos modos este projeto, surgiu de forma algo espontânea o título Ruas de sentido único (onde rua passou a ruas).
Tal como o livro publicado por Benjamin [Einbahnstrasse, de 1928], composto de breves textos fragmentários e heterogéneos (autobiográficos, alegóricos, aforísticos ou meramente descritivos) urdidos pelas suas vivências, deambulações e observações urbanas, o programa visa partilhar, dar a ouvir e a pensar experiências, pontos de vista e impressões singulares sobre lugares, percursos, atmosferas, encontros, sons e acústicas, ou histórias de e em cidades, que, de algum modo, afetaram, ressoaram e se exprimiram nas vidas e nas obras de convidados, vivos ou já falecidos.
O propósito é, assim, fazer, a partir de fragmentos e depoimentos diversos, necessariamente seletivos e incompletos, como que uma série de topografias sensíveis da cidade ou das cidades, que são traduzidas pela palavra falada e ilustradas pelas micronarrativas e paisagens sonoras.

Maria Filomena Molder, Nuno Fonseca e Nélio Conceição são os responsáveis pela pesquisa, pela preparação, guião, locução e realização dos programas.


Andaremos nesta segunda série de Ruas de Sentido Único à volta da cidade, de várias cidades, num movimento de reflexão que procura combinar a circulação, o retorno das questões que sabemos incontáveis, com as saídas certeiras, mesmo que sejam apenas pequenos desvios. 
Mais uma vez inspirados por Walter Benjamin, começaremos por uma arqueologia conceptual e simbólica da cidade moderna, percorrendo Paris, Capital do século XIX, as passagens e transformações haussmannianas, as suas luzes e sombras, na companhia de pensadores revolucionários, poetas e artistas (Blanqui, Baudelaire e Meryon). 
Com James Joyce, exploraremos não só os fenómenos da fragmentação e do choque metropolitanos, como a desintegração e reconfiguração da linguagem e do sujeito caosmopolita na literatura modernista. Referir-nos-emos ainda às evoluções e ao crescimento imparáveis das metrópoles durante o século XX e das megacidades e megalópoles do século XXI. As catástrofes políticas, militares, sociais, económicas e ecológicas aparecerão de algum modo como sintomas dos diferentes desequilíbrios e das revoluções urbanas que se foram operando. 
Mas queremos também explorar outras perspectivas da cidade, desde logo a partir de dentro, das relações entre os espaços interiores e de intimidade e o espaço público da cidade. Limiares e dispositivos porosos como janelas ou buracos de fechaduras, mas sobretudo escritores como Kafka e Fernando Pessoa ou filósofos como Gaston Bachelard e Fernando Gil ajudar-nos-ão a encontrar os pontos de vista e a contemplar criticamente as imagens da cidade contemporânea.
Convidaremos ainda os ouvintes não só a ver, mas sobretudo a escutar e a imaginar as cidades. Antes do termo desta série, chegará o momento de reflectir sobre a cidade como um processo contínuo e inexorável de transformação e entropia, a uma escala lenta e cósmica que relativiza os curtos períodos das vidas humanas e que revela a força e a voragem do tempo e da natureza. As ruínas serão, então, o objecto da contemplação nesse exercício de meditação espiritual e memento mori melancólico sobre a constituição temporal das cidades e dos homens. Este percurso culminará numa reflexão a três sobre os impulsos contraditórios – ao mesmo tempo urbanos e anti-urbanos – e os impasses em que os filósofos e a filosofia se encontram no meio das cidades, seu berço e eventual pira funerária.


Episódios

Ep. 1 | 7 Outubro
Rotunda
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Ep. 2 | 14 Outubro
Paris, Capital do Século XIX (Passagens/Haussmann)
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Ep. 3 | 21 Outubro
Paris, Capital do Século XIX (Blanqui, Baudelaire, Meryon) 1ª parte
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Ep. 4 | 28 Outubro
Paris, Capital do Século XIX (Blanqui, Baudelaire, Meryon) 2ª parte
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Ep. 5 | 4 Novembro
C(a)osmopolitismo ou Joyce, Dublin, Paris, Zurich e Trieste
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Ep. 6 | 11 Novembro
Das Metrópoles às Megalópoles
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Ep. 7 | 25 Novembro
Catástrofes
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Ep. 8 | 2 Dezembro
Espaços interiores e de intimidade (limiares entre privado e público)
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Ep. 9 | 9 Dezembro
Imagens da cidade (segundo Fernando Gil)
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Ep. 10 | 16 Dezembro
As músicas das cidades
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Ep. 11 | 23 Dezembro
Cidades imaginadas
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Ep. 12 | 30 Dezembro
Ruínas
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Ep. 13 | 6 Janeiro
Impasses (os filósofos e as cidades)
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O projecto de investigação Fragmentação e Reconfiguração: a experiência da cidade entre arte e filosofia, do Instituto de Filosofia da Nova (FCSH-UNL) tem financiamento da Fundação da Ciência e Tecnologia (FCT). Reunindo uma equipa de investigadores que trabalha sobretudo entre a filosofia e as diferentes artes, trata-se de um conjunto de atividades de investigação que tem por foco principal a experiência estética da cidade, em particular, como ela tem sido sentida, expressa e compreendida no vasto campo de acção das mais variadas práticas artísticas, da literatura à música, passando pelo cinema, fotografia, arquitectura, artes plásticas e performance. 
A inspiração filosófica do projecto procede, entre outras, das reflexões sobre as grandes metrópoles, os desafios e os efeitos de fragmentação da experiência na cidade feitas, na primeira metade do século XX, por Walter Benjamin, Georg Simmel, Siegfried Kracauer, retomadas mais tarde por outros autores (como Henri Lefebvre ou Michel de Certeau) que se debruçaram sobre o quotidiano moderno e contemporâneo, mas também das intuições poéticas e observações literárias de Baudelaire, Pessoa ou Perec, para nomear apenas alguns.  Muitos desses autores, e em particular Benjamin, refletiram também sobre a transformação da percepção humana operada por algumas invenções tecnológicas, como a fotografia, o cinema ou a rádio, postas quase de imediato ao serviço da comunicação mas também da criação artística e contribuindo, pois, não só para gerar novos modos de ver, ouvir e sentir, mas também para perceber e pensar as condições da experiência urbana da modernidade.     




Autores do programa

Maria Filomena Molder (1950) | Professora Catedrática, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL). Doutorou-se em 1992 com a tese O Pensamento Morfológico de Goethe.
Escreve sobre problemas de estética, enquanto problemas de conhecimento e de linguagem, para revistas de filosofia e de literatura, entre outras, Filosofia e Epistemologia, Prelo, Análise, Revista Ler, Sub-Rosa, A Phala, Internationale Zeitschrift für Philosophie, Philosophica, Revista Belém, Dedalus, Intervalo, Rue Descartes, Chroniques de Philosophie, La Part de l’Oeil, Europe, Cadernos Nietzsche, Lettre International, Diaphanes, Azafea, Electra, Perspective.
Tem igualmente escrito para catálogos e outras publicações sobre arte e artistas, portugueses e estrangeiros modernos e contemporâneos.
Principais publicações: O Pensamento Morfológico de Goethe (IN-CM, 1995). Semear na Neve. Estudos sobre Walter Benjamin (Relógio D’Água, Lisboa, 1999 — Prémio PEN Clube 2000 para Ensaio). Matérias Sensíveis (Relógio D’Água, Lisboa, 1999). A Imperfeição da Filosofia (Relógio D’Água, Lisboa, 2003). O Absoluto que pertence à Terra (Edições Vendaval, 2005). Símbolo, Analogia e Afinidade(Edições Vendaval, 2009). O Químico e o Alquimista. Benjamin, Leitor de Baudelaire (Relógio D’Água, 2011 — Prémio PEN Clube 2012 para Ensaio). As Nuvens e o Vaso Sagrado (Relógio D’Água, 2014). Rebuçados Venezianos (Relógio D’Água, 2016 — Prémio AICA/FCC 2017). Depósitos de Pó e Folha de Ouro (Lumme Editora, São Paulo, 2016). Cerimónias (Chão da Feira, Belo Horizonte, 2017), Dia Alegre, Dia Pensante, Dias Fatais (Relógio D’Água, 2017— Prémio PEN Clube 2018 para Ensaio). O Absoluto que pertence à Terra (Edições do Saguão, 2020) – Prémio de ensaio Jacinto do Prado Coelho 2021. A Arquitectura é um gesto. Variações sobre um motivo wittgensteiniano (Sr. Teste, 2021). Três Conferências I – Lança o teu Pão sobre as Águas (Edições do Saguão 2021). Palavras Aladas. Conversa sobre desenho com Cristina Robalo (Documenta, 2022).


Nélio Conceição (1980) | Investigador integrado no Instituto de Filosofia da Nova (IFILNOVA), Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Em 2013, obteve o seu doutoramento em filosofia (estética) na Universidade Nova de Lisboa, com uma tese que explora a relação entre filosofia e fotografia. Foi investigador visitante na PUC, São Paulo (2015) e no ZfL, Berlim (2016). 
A sua investigação centra-se na estética e na filosofia da arte, e tem trabalhado sobre as ramificações filosóficas e artísticas do pensamento de Walter Benjamin, os valores estéticos, o conceito de jogo e a estética urbana. Co-editou os volumes Aesthetics and Values: Contemporary Perspectives (Mimesis International, 2021) e Conceptual Figures of Fragmentation and Reconfiguration (IFILNOVA, 2021). Co-coordena o projecto de investigação “Fragmentação e reconfiguração: a experiência da cidade entre arte e filosofia” (2018-2022).


Nuno Fonseca (1974) | Investigador integrado do Instituto de Filosofia da Nova (Ifilnova) e do Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical (CESEM) da Universidade Nova de Lisboa, onde desenvolve o projecto de pós-doutoramento “Ouvir, Vibrar, Reverberar: valores da experiência sonora nas artes”, no qual investiga as questões estéticas, epistemológicas e éticas da experiência sonora no contexto urbano quotidiano e das práticas artísticas contemporâneas. Como membro do CultureLab, vem contribuindo com trabalhos sobre Arte, Crítica e Experiência Estética, focando principalmente questões relativas à experiência da cidade.
Lecionou no departamento de Ciências da Comunicação da FCSH-UNL, a disciplina de “Retórica e Argumentação” (2012-2014), tendo também já lecionado, no âmbito do mestrado em Filosofia do departamento de Filosofia da mesma universidade, o seminário “Arte e Experiência” (2012-2013).
Licenciado em Direito (1998) e em Filosofia (2004) pela Universidade de Coimbra, concluiu a parte curricular do mestrado em Filosofia, na especialidade de Estética (2005), na FCSH da Universidade Nova de Lisboa, tendo, para além disso, concluído, no ano 2012, o doutoramento em Filosofia, nessa mesma universidade, na especialidade de Epistemologia e Filosofia do Conhecimento, trabalhando sobre questões de representação e de percepção.
Desde os anos 90, ligado a experiências com o meio sonoro, nomeadamente, através da realização de programas radiofónicos na Rádio Universidade de Coimbra (RUC), tem feito também algumas incursões na sonoplastia de espetáculos de teatro e performance, nomeadamente, Antológica (2014), de Vasco Araújo e do Teatro Cão Solteiro e Morceau de Bravoure (2015), espetáculo do Teatro Cão Solteiro com a Companhia Nacional de Bailado.