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Fora do Lugar | 24 Novembro a 9 Dezembro

Festival Internacional de Músicas Antigas | Idanha-a-Nova

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Fora do Lugar | 24 Novembro a 9 Dezembro Fora do Lugar | 24 Novembro a 9 Dezembro
 
Festival Internacional de Músicas Antigas


24 Novembro a 9 Dezembro

Idanha-a-Nova

Concertos | Conversas | Cinema | Passeios | Gastronomia


A 6ª edição do Fora do Lugar volta a Idanha-a-Nova, com música, histórias, passeios, desenho, viagens, conversa, troca e aprendizagem, bagagem de cá e de lá e descoberta em lugares inesperados...
Este Festival Internacional de Músicas Antigas é hoje um dos projectos culturais mais relevantes na área da música na região, pondo em diálogo diferentes formas e tempos da música desafia a uma atitude perante as músicas antigas, abordando, de um forma inovadora, os diálogos decorrentes dos conceitos binómios de erudito/popular e antigo/contemporâneo. 

Idanha-a-Nova assume atualmente uma significativa dimensão patrimonial, sendo desde 2015, Cidade Criativa da UNESCO, considerada desde o ano passado como Reserva da Biosfera em 2016, e pelo seu Geopark Naturtejo da Meseta Meridional, o primeiro geoparque em Portugal e a primeira classificação UNESCO da região. 

Sob a direção artística de Filipe Faria, este festival é o resultado da parceria entre a produtora Arte das Musas e o Município de Idanha-a-Nova (e com o apoio do Ministério da Cultura e da Direcção Geral das Artes), e assume-se como uma proposta do mundo rural virado para o país, para a Península Ibérica e para a Europa.

Com uma acção integrada dos vários sectores produtivos presentes neste território, e com abordagens inovadoras e articuladas, o Fora do Lugar pretende cruzar passados e presentes, caminhos feitos de permanências, mudanças e rupturas, muitas delas surpreendentes, através de uma programação diversificada.
Por outro lado, é revelador de que é possível produzir cultura num cenário onde muitos não concebem pensá-la neste moldes: o país perdido das pequenas aldeias quase desertas, e assim chegar até onde mais ninguém se deu ao trabalho de ir.

A par da programação principal com Danças Ocultas (Portugal), Musick’s Recreation (Alemanha, Colômbia e Austrália), Scaramuccia (Portugal e Espanha), Erin/Iran (Irlanda, Irão, Catalunha e Hungria), Filipe Raposo e Charlie Chaplin (Portugal e Inglaterra) e Pino De Vittorio (Itália) o festival promove ainda um conjunto alargado de actividades paralelas nas áreas da natureza, desenho, programa educativo, masterclass, workshops, "concertos mesmo ao pé", gastronomia, etc...

A entrada em todos os concertos é livre, sujeita à lotação das salas. Nas restantes actividades é necessária inscrição prévia (também ela gratuita) através dos contactos do Festival.

@ Jorge Carmona / Antena 2

O diretor Filipe Faria esteve na Antena 2 a apresentar o festival.
A sua entrevista a Inês Almeida, foi transmitida no programa Raízes, do dia 22.
Para ouvir, clicar aqui.

@ Jorge Carmona / Antena 2

Filipe Faria também esteve em Império dos Sentidos a conversar com Paulo Alves Guerra, sobre o Festival Fora do Lugar.
Para ouvir, clicar aqui [a partir de 1h50m]




Concertos | Programação


24 Novembro | 21h30
Antiga Sé
Idanha-a-Velha

Danças Ocultas | Portugal

Artur Fernandes
Filipe Cal
Filipe Ricardo
Francisco Miguel


25 Novembro | 21h30
Antiga Câmara
Salvaterra do Extremo

Musicks’s Recreation
| Alemanha, Colômbia, Austrália
A flauta doce, avis rara na Itália do século XVII? Sonatas, baixos ostinatos e canções com nova ornamentação.

Milena Cord-to-Krax, flauta
Alex Nicholls, violoncelo
Cesar Queruz, tiorba


1 Dezembro | 21h30
SAIPOL/Horas da Idanha
Ladoeiro

Scaramuccia | Portugal, Espanha
1717, memórias de uma viagem a Itália
Diário musical da viagem de Pisendel a Florença, Roma, Nápoles e Veneza.

Javier Lupiáñez, violino/dir. artística
Inés Salinas, violoncelo
Patrícia Vintém, cravo


2 Dezembro | 21h30
Capela de S. Pedro de Vir-a-Corça
Monsanto

Erin/Iran | Irão, Irlanda, Catalunha, Hungria
De Erin para o Irão. Um encontro musical entre o deserto e o oceano.

Arezoo Rezvani, santur, voz, daf
Marc Planells, oud, saz, rubab, voz
Balázs Hermann, contrabaixo, voz
Dave Boyd, percussão, voz


8 Dezembro | 21h30
Centro Cultural Raiano
Idanha-a-Nova

Filipe Raposo & Charlie Chaplin | Portugal, Inglaterra
Um Piano Afinado pelo Cinema: Tempos Modernos

Filipe Raposo, piano
Charlie Chaplin “Tempos Modernos"


9 Dezembro | 21h30
Antiga Sé
Idanha-a-Velha

Pino De Vittorio Duo | Itália
Le Tarantelle del Rimorso | As Tarantelas do Remorso

Pino De Vittorio, voz, chitarra battente
Marcello Vitale, chitarra battente e guitarra clássica

Concertos  Principais | Programas e Notas

24 Novembro | 21h30
Antiga Sé
Idanha-a-Velha

Danças Ocultas | Portugal

Artur Fernandes
Filipe Cal
Filipe Ricardo
Francisco Miguel

Programa

Folia 1,5
Héptimo 4,5
Dança I 1,5
Bulgar 2
Tarab 4,5
Queda d’água 1,5
Moda assim ao lado 1,5
Alento 3
Esse olhar 4
Sorriso 3,5
Diatónico 2
Luzazul 4
Tristes europeus 3,5
Casa do rio 3
Dança II 1,5
No(c)turno das 7 1

1 - CD “Danças Ocultas”, EMI-VC, 1996
2 - CD “Ar”, EMI-VC, 1998
3 - CD “Pulsar”, Magic Music, 2004
4 - CD “Tarab” Numérica, 2009

O acordeão diatónico – em Portugal conhecido por concertina – é um instrumento concebido na primeira metade do século XIX, e seguidamente aperfeiçoado por diversos construtores europeus, que ainda hoje ecoa memórias de uma outra forma de habitar o espaço musical: um tempo anterior ao disco, à rádio. Continua, porém, a ser uma máquina de construir sonhos; e, por isso uma máquina de inventar futuros possíveis, de fazer sentidos.
Desde maio de 1989 Artur Fernandes, Filipe Cal, Filipe Ricardo e Francisco Miguel organizaram-se em torno de um sonho: o de desenvolverem as suas aptidões como executantes enquanto investigavam as possibilidades de afastar o instrumento do folclore tradicional, respeitando o que então entendiam como a “vontade da concertina”, mas fazendo para ela uma música nova. Esses tempos conduziram a um nome para o quarteto e ao primeiro disco homónimo, Danças Ocultas.

© Pedro Cláudio



25 Novembro | 21h30
Antiga Câmara
Salvaterra do Extremo

Musick’s Recreation | Alemanha, Colômbia, Austrália

A flauta doce, avis rara na Itália do século XVII? 
Sonatas, baixos ostinatos e canções com nova ornamentação.

Milena Cord-to-Krax, flauta 
Alex Nicholls, violoncelo
Cesar Queruz, tiorba

Programa

Jacobus Clemens non Papa (ca. 1510/1515-1555/1556) & M. Cord-to-Krax (diminuições a partir de F. Rognioni ca.1570 - depois de 1626) - Frais et gaillard 
Biagio Marini (1594-1663) & M. Cord-to-Krax - Canção (a confirmar)
Alessandro Piccinini (1566-1638) -Tocatta
Giovanni Battista Fontana (ca.1571-1630) - Sonata seconda
Barbara Strozzi (1619-1677) & M. Cord-to-Krax - Que si può fare | Arie di Barbara Strozzi [...] Opera Ottaua (1664, Venice) 
Nicola Matteis (ca. 1650-ca. 1703/1713) - Diverse bizzarie Sopra la Vecchia Sarabanda ò pur Ciaccona | Ayrs for the Violin (1676, London)

O papel da flauta de Bisel durante o século XVII, em Itália, ainda não é claro, mas sabe-se que era utilizada, como confirmam a iconografia e os instrumentos preservados desse período. Qual poderia ser, então, o repertório de um flautista que tocasse flauta de Bisel? Além das sonatas da primeira metade daquele século, a tradição medieval e renascentista de ornamentar a música vocal continuava viva quando F. Rognoni publicou o seu tratado sobre este tema, em 1620. Este facto levanta a suspeita de que a prática de interpretar música vocal de forma instrumental tenha persistido, mesmo já quando ninguém se dedicava à música polifónica e as canções monódicas com acompanhamento se tornaram dominantes. Entre sonatas, baixos ostinatos e canções com nova ornamentação, convidamo-lo a conhecer o que pode ter sido o percurso de um flautista de flauta de Bisel no século XVII – essa avis rara –, oferecendo-lhe uma noite de música de câmara interessante, emocional e invulgar




1 Dezembro | 21h30
SAIPOL/Horas da Idanha
Ladoeiro

Scaramuccia | Portugal, Espanha
1717, memórias de uma viagem a Itália
Diário musical da viagem de Pisendel a Florença, Roma, Nápoles e Veneza.

Javier Lupiáñez, violino/dir. artística
Inés Salinas, violoncelo
Patrícia Vintém, cravo


Imagina que terias a oportunidade de encher a tua mala com a melhor música do teu tempo, o que levarias e o que deixarias? Lembra-te que não tens espaço para tudo. Tens que eleger! Foi mais ou menos isso que aconteceu a Pisendel, o concertino da orquestra de Dresda e um dos maiores virtuosos da sua era, na sua viagem a Itália em 1717. Durante cerca de um ano, o jovem Pisendel percorreu Itália para se encontrar com os grandes maestros do seu tempo aproveitando para encher a sua bagagem com as melhores composições que aí encontrou. Uma curiosidade: Viu-se obrigado a usar um tipo de papel pequeno para que ocupasse menos espaço e assim pudesse levar para Dresda a maior quantidade de tesouros musicais.
Segundo o grande musicólogo Michael Talbot, a história sobre a viagem de Pisendel por Itália é uma história que merece e ainda tem de ser contada. Uma viagem fascinante que nos deixou um legado de valor incalculável: uma imagem musical sincera, íntima e pessoal da Itália do princípio do século XVIII.
Javier Lupiáñez


Programa

Antonio Lucio Vivaldi - Suonata à Solo fatto per Maestro Pisendel Del Vivaldi (Sonata em sol maior, RV 25)
Tomaso Albinoni - Sonata a Violino solo di me Tomaso Albinoni Composta p il Sig: Pisendel (Sonata em si bemol maior, TalAl So32)
Francesco Maria Veracini - Sonata. Violino solo. Del Sig: Veracini (Sonata em sol maior ajor HilV / I.A.2.D1)
Antonio Montanari - Sonata del Sig.r Ant. Montanari (Sonata em mi menor Mus.2767-R-2)
Giuseppe Valentini - La Montanari. Sonata per Camera a Violino solo, Dedicato al merito impareggiabile del Sig:re Antonio Montanari insigne Sonatore di Violino, Da un suo divoto servo ammiratore della sua virtù. (Sonata em lá maior Mus.2387-R-5)
Johann Georg Pisendel/Antonio Montanari - Solo Violino e Basso (Sonata em mi maior Mus.2421-R-18)


O ensemble Scaramuccia nasce em 2013 por iniciativa do violinista Javier Lupiáñez com a ambição de redescobrir e dar a ouvir o repertório barroco menos conhecido. Na preparação de cada programa e concerto é feita uma pesquisa e estudo aprofundado afim de redescobrir aquelas relíquias musicais escondidas e perdidas entre a vasta literatura musical do barroco maioritariamente interpretada. Scaramuccia iniciou o seu trajeto no Fringe do Festival de Utrecht em 2013 e no Fringe do Festival de Bruges em 2013 e desde então tem vindo a desenvolver uma intensa carreira nos Países Baixos, Bélgica, Reino Unido, Itália e Portugal. Entre as várias apresentações em concerto de Scaramuccia é de salientar a participação no Festival de Artes de Maldon (Reino Unido), no Museu da Música “Vleeshuis” (BE), na temporada de concertos Kasteelconcerten (NL) e Festival Echi Lontani (IT). O interesse em descobrir novo repertório barroco proporcionou a Scaramuccia tocar estreias mundiais de duas obras de Vivaldi numa emissão em direto no programa de rádio De Musyck Kamer, transmitido pela rádio holandesa Concertzender em 2014.
Em Novembro de 2015 Scaramuccia gravou o seu primeiro CD com a discográfica Ayros, dedicando-o à nova música de Vivaldi e obras recentemente descobertas para violino e baixo continuo. Este novo álbum será lançado na Primavera de 2016.
Em 2016 Scaramuccia foi unanimemente elegido pelo público como o melhor ensemble do concurso internacional Göttinger Reihe Historischer Musik 2015/2016 (Alemanha).




2 Dezembro | 21h30
Capela de S. Pedro de Vira-Corça
Monsanto

Erin/Iran | Irão, Irlanda, Catalunha, Hungria
De Erin para o Irão. Um encontro musical entre o deserto e o oceano.

Arezoo Rezvani, santur, voz, daf
Marc Planells, oud, saz, rubab, voz
Balázs Hermann, contrabaixo, voz
Dave Boyd, percussão, voz


"Is ar scáth a chéile a mhaireann na daoine” Provérbio Irlandês Irish Proverb
[É na sombra um do outro que florescemos]


Programa

Música do Irão: 
- Khazan
- Piruzi
- Vatanam Arezoost
- Mara Ashegh

Música da Irlanda:
- Samradh Samradh (tradicional)
- The Well Below the Valley (tradicional)

Várias das composições serão improvisações únicas em resposta à acústica e à atmosfera do espaço.

Este concerto combinará improvisação com música de tradição persa e irlandesa.

Este projeto foi montado por Dave Boyd especialmente para o Festival Fora do Lugar de 2017.
Este concerto junta quatro músicos de diferentes culturas que deixaram a sua terra natal e se mudaram para outro lugar, impelidos pelo desejo de ter uma vida melhor. Respeitamos as tradições musicais de cada um, embora não saibamos quão profundas elas são – vamo-nos conhecendo uns aos outros enquanto tocamos, na esperança de que essa experiência de exploração e alegria seja partilhada com o público. Descobriremos o que temos em comum e o que nos torna únicos e como isso deve ser celebrado.




8 Dezembro | 21h30
Centro Cultural Raiano
Idanha-a-Nova

Filipe Raposo & Charlie Chaplin | Portugal, Inglaterra
Um Piano Afinado pelo Cinema: Tempos Modernos

Filipe Raposo, piano
Charlie Chaplin “Tempos Modernos"


CONCERTO CINEMA MUDO
“Há realizadores que me marcaram e me influenciaram esteticamente naquilo que faço hoje como artista. Seria errado dizer que as influências que tenho como compositor derivam exclusivamente de outros compositores e afirmo que derivam também do cinema.” in Jornal Público 23 Janeiro 2015.

No concerto "Um Piano afinado pelo Cinema" propomos-lhe assistir ao magnífico e emblemático filme Tempos Modernos de Charles Chaplin (considerado por muitos o filme síntese da sua obra) e deixar-se conduzir pela música de Filipe Raposo, pianista residente da Cinemateca Portuguesa que acompanha filmes mudos desde 2004.




9 Dezembro | 21h30
Antiga Sé
Idanha-a-Velha

Pino De Vittorio Duo | Itália
Le Tarantelle del Rimorso | As Tarantelas do Remorso

Pino De Vittorio, voz, chitarra battente
Marcello Vitale, chitarra battente e guitarra clássica

Programa

Lu picuraru 
Tarantella di Sannicandro
Alla Carpinese
Pizzica taranta
Cori miu
Sona a battenti
Attaccati li tricci
Tarantella a Maria di Nardo'
Soje ciardine
Stornelli di Leporano
'Stu pettu e' fatto cimbalu d'amuri
'Na via di rose
La bonasera
Ballo di S.Michele
Putadori (canto dei carrettieri Canto dos Carroceiros the wagoners’ song)


Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio – é o que nos ensina a filosofia da Grécia Antiga. O mesmo nos demonstra esta nova obra de Pino De Vittorio, que só aparentemente mergulha nas águas turbulentas do seu reportório inicial da música tradicional para, ao invés, nos trazer algo novo e refinado. Exatamente trinta anos passados das suas primeiras explorações musicais das memórias da sua Apúlia natal e das raízes da sua cultura mediterrânica, Pino De Vittorio regressa ao reportório das tarantelas de Gargano e das Canções do Sul de Itália que lhe trouxeram o reconhecimento e fama instantâneos pelos seus dotes de interpretação, pelo timbre e amplitude da sua voz, e pela precisão expressiva dos seus gestos. 



Para mais informações sobre estes concertos e as outras atividades do Festival,