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Império dos Sentidos
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Império dos Sentidos Paulo Alves Guerra / Produção: Ana Paula Ferreira

Festivais

Guimarães Jazz | 8 a 18 Novembro

Centro Cultural Vila Flor, Guimarães

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Guimarães Jazz | 8 a 18 Novembro Guimarães Jazz | 8 a 18 Novembro


8 a 18 Novembro

Centro Cultural Vila Flor, 
Guimarães


Esta edição do festival Guimarães Jazz é, mais uma vez, marcada por um conceito, por uma matriz programática que o diferencia dos anteriores. 
Este ano são sinalizados os 100 anos decorridos desde a gravação do primeiro registo discográfico de um género musical, até aí quase absolutamente desconhecido e ainda impreciso terminologicamente, a que se convencionou chamar “jazz”.
 Apesar da irrelevância do acontecimento em termos estritamente  musicais, a gravação da Original Dixieland Jass Band corresponde, numa dimensão simbólica, à fundação  de uma linguagem musical autónoma. A partir desse momento, a história do jazz mudaria para sempre, até porque a documentação em registo sonoro teve importantes implicações no desenvolvimento de  uma música intrinsecamente volátil e que foi, desde a sua génese, baseado na improvisação e na execução em tempo real.
Assinalar esta efeméride corresponde, portanto, a questionar e problematizar a noção de património, tanto a um nível narrativo como musical, sugerindo assim uma nova organização da história.  É pois a partir desta ideia que se construiu a programação deste ano, em que se entretecem relações entre os diferentes projetos e a transversalidade de gerações e idiomas musicais. 

O concerto inaugural é protagonizado pelo guitarrista Nels Cline que apresenta o seu projeto “Lovers” acompanhado da Orquestra de Guimarães. 
Os cem anos da primeira edição discográfica de jazz são celebrados explicitamente no festival, ao apresentar o espetáculo “Jazz - The Story”, desenvolvido pela All Star Orchestra, um ensemble de músicos onde pontificam, entre outros, os saxofonistas Vincent Herring e James Carter e o contrabaixista Kenny Davis. 
Seguem-se dois momentos fortes da edição de 2017: o vanguardista e histórico baterista do free jazz Andrew Cyrille, que interpreta o álbum “The Declaration of Musical Independence”, considerado um dos grandes discos de jazz de 2016, e a banda Mostly Other People Do The Killing – um dos mais relevantes e desafiantes projetos de jazz do segundo milénio que se apresenta em septeto pela primeira vez em Portugal. 
A segunda semana sé marcada pelo regresso a Guimarães de Jan Garbarek (num concerto que conta com a presença do percussionista indiano Trilok Gurtu), pela atuação da baterista norte-americana Allison Miller (acompanhada por músicos como Myra Melford, Ben Goldberg e Kirk Knuffke, entre outros) e, finalmente, pela apresentação do espetáculo “Real Enemies”, liderado por Darcy James Argue e executado pela sua big band Secret Society (também uma estreia em solo nacional), um projeto musical inovador com uma dimensão de reflexão política sobre o mundo de vigilância e paranoia digital em que se vive hoje.
A edição do Guimarães Jazz 2017 inclui também a atuação da banda VEIN com a colaboração do saxofonista Rick Margitza, e o quarteto de Jeff Lederer e Joe Fiedler, acompanhado pela vocalista Mary LaRose, grupo que é responsável pelas tradicionais jam sessions e oficinas de jazz, bem como pela direção da Big Band e do Ensemble de Cordas da ESMAE. 
Por fim, repete-se o projeto de parceria entre o Guimarães Jazz e a Porta-Jazz, desta vez cruzando a música e o teatro, e que conta com a colaboração do dramaturgo Jorge Louraço Figueira, da atriz Catarina Lacerda e dos músicos Nuno Trocado, Tom Ward, Sérgio Tavares e Acácio Salero.


Programação

8 Novembro | 21h30
Grande Auditório 

Nels Cline – Lovers
com Orquestra de Guimarães

Nels Cline, guitarra 
Michael Leonhart, trompete, direção musical 
Alex Cline, bateria 
Devin Hoff, contrabaixo, baixo elétrico

Orquestra de Guimarães (Álvaro Pereira, violino; Carina Albuquerque, violoncelo; Luís Alves, oboé; Pedro Martinho, fagote; Domingos Castro, clarinete sib; Paulo Martins, clarinete baixo; Ângelo Fernandes, trompete; Tiago Rebelo, trompete; David Silva, trombone; Vítor Castro, vibrafone; Ingrid Sotolarova, celesta; Catarina Rebelo, harpa; Eurico Costa, guitarra)

Nels Cline (n. 1956, Los Angeles, EUA) é um guitarrista norte-americano de notáveis recursos técnicos e grande versatilidade estilística, com um percurso sólido tanto dentro do campo mais restrito do jazz, como nas áreas do rock experimental e da improvisação livre. Associado a correntes jazzísticas mais exploratórias, em virtude das inúmeras colaborações que foi mantendo ao longo do tempo com músicos relacionados com as tendências de vanguarda, como Zeena Parkins, Alan Licht e Elliott Sharp, o seu trabalho adquiriu na última década grande notoriedade e tornou-se conhecido de um público mais abrangente, em grande parte devido à sua colaboração com a banda de country alternativo Wilco, que  contribuiu para que Nels Cline seja hoje em dia reconhecido, mesmo fora do perímetro do jazz, como um dos mais importantes guitarristas contemporâneos.
O seu recente álbum “Lovers”, é uma obra orquestral inspirada nos standards do cancioneiro americano e na música de Bill Evans e Henry Mancini, e constitui o centro da sua atuação no Guimarães Jazz. Neste trabalho, considerado pelo autor um dos mais pessoais, Nels Cline debruça-se sobre um heterodoxo repertório, baseado tanto em composições originais do guitarrista como em composições e canções de compositores, bandas e músicos tão diversos como Annette Peacock, Paul Francis Weber, Gabor Szabo, Michel Portal e Arto Lindsay, entre outros, propondo ao ouvinte uma visão panorâmica sobre a sua cosmologia musical, ao mesmo tempo que, com a sua idiossincrática montagem, sugere uma invulgar narrativa da história da música do século XX. Originalmente composto para uma formação alargada de vinte e três músicos, no Guimarães Jazz, porém, “Lovers” será interpretado por um quinteto, que incluirá o guitarrista português Eurico Costa, acompanhado pela Orquestra de Guimarães, com direção musical de Michael Leonhart.



9 Novembro | 21h30
Grande Auditório 

All Star Orchestra Plays Jazz – The Story
An Exciting Musical Trip Through 100 Years Of Jazz Recording

Vincent Herring, saxofone alto, soprano, flauta, clarinete, direção musical
Jon Faddis, trompete
Jeremy Pelt, trompete
Eric Alexander, saxofone tenor
James Carter, saxofone tenor, saxofone barítono, flauta, clarinete
Wycliffe Gordon, trombone, shells
Mike LeDonne, piano
Kenny Davis, contrabaixo, baixo elétrico
Carl Allen, bateria
Nicolas Bearde, voz, narração

É a celebração da efeméride dos cem anos decorridos desde a edição, em 1917, do primeiro registo discográfico identificado como jazz, o objetivo primordial do projeto Jazz – The Story, um ensemble liderado pelo prestigiado saxofonista Vincent Herring e formado por alguns dos mais requisitados instrumentistas do jazz contemporâneo, tais como o trompetista Jon Faddis, o saxofonista James Carter e o baterista Carl Allen, entre outros.


Vincent Herring (n. 1964, EUA) estudou na Universidade da Califórnia e mudou-se, em 1982, para Nova Iorque, onde começou a sua prolífica carreira no jazz, colaborando enquanto sideman com alguns dos mais notáveis músicos de jazz do século XX, entre os quais Jack DeJohnette, Dizzy Gillespie, Freddie Hubbard, Carla Bley e Wynton Marsalis, tendo também integrado a big band de Lionel Hampton, os Jazz Passengers de Art Blakey e a Mingus Bid Band. Mais recentemente, Herring tem mantido uma relação de cumplicidade com o pianista Cedar Walton, com quem gravou diversos álbuns durante a primeira década do século XXI. Em paralelo, o saxofonista norte-americano desenvolveu ao longo dos últimos trinta anos uma relevante carreira como líder, desdobrado por diversos projetos em nome próprio ou em formato de banda, ao lado de alguns dos seus cúmplices mais regulares, nomeadamente o saxofonista Eric Alexander e o baterista Joris Dudli.
O ensemble Jazz – The Story foi concebido como o veículo para uma viagem musical pelos últimos cem anos do jazz, desde as suas origens primordiais até às suas manifestações mais vanguardistas e intelectualmente sofisticadas, com passagens por todos as fases evolutivas do jazz, desde o ragtime e o swing até ao hard-bop e às declinações do jazz de fusão e do pós-bop que marcaram as últimas décadas da criação jazzística. Narrado pelo vocalista Nicolas Bearde, este espetáculo constitui simultaneamente uma comovente evocação do extraordinário legado artístico do jazz e uma eloquente revisitação do seu património musical, realizada por um conjunto de talentosos instrumentistas e que, após a sua estreia em janeiro deste ano no clube nova-iorquino Birdland, iniciou uma digressão pela Europa. Guimarães é um dos destinos dessa digressão, e foi escolhido para apresentar esta síntese da história de uma das mais marcantes manifestações artísticas contemporânea – o jazz.



10 Novembro | 21h30
Grande Auditório 

The Andrew Cyrille Quartet
The Declaration Of Musical Independence

Andrew Cyrille, bateria
Richard Teitelbaum, sintetizador, piano
Ben Street, contrabaixo
Ben Monder, guitarra

De descendência haitiana, embora nascido nos EUA, Andrew Cyrille (n. 1939) é atualmente considerado um dos mais influentes bateristas do jazz contemporâneo. Associado às correntes mais vanguardistas do jazz das décadas de sessenta e setenta do século passado, Cyrille é sobretudo conhecido pela colaboração com o incontornável Cecil Taylor, provavelmente o pianista mais importante do free jazz norte-americano. No entanto, uma análise do percurso do baterista, tanto enquanto líder de formação como sideman, permite-nos concluir que estamos perante um músico de grande visão artística e detentor de uma linguagem e estilo pessoais que lhe permitiram desenvolver um trabalho musical de enorme abrangência e solidez artística, a solo ou acompanhado por alguns dos mais relevantes músicos contemporâneos, tais como Walt Dickerson, Butch Morris e Bill Frisell, além do já mencionado Cecil Taylor.
A carreira de Andrew Cyrille foi recentemente, após alguns anos de semiobscuridade e relativo esquecimento, objeto de um processo de reabilitação por parte da crítica e do público especializado do jazz, em grande parte devido ao álbum “The Declaration of Musical Independence”, editado em 2016 pela ECM e gravado por uma formação de músicos notáveis na qual se inclui o pioneiro da eletrónica Richard Teitelbaum, o contrabaixista Ben Street e o guitarrista Bill Frisell, (que é substituído por Ben Monder no concerto do Guimarães Jazz). Neste trabalho, o qual constitui o tema principal deste espetáculo, Cyrille, um baterista com uma linguagem impressionista e textural, desenvolve uma música situada num ponto intermédio entre a música escrita e a improvisação, na qual são exploradas as dimensões atmosféricas e evocativas das composições, sublinhadas pela capacidade interpretativa dos extraordinários instrumentistas que o acompanham. “The Declaration Of Musical Independence” constitui um exemplo da irredutível singularidade artística de um grande músico de jazz, singularidade essa que permanece, ao fim de mais de cinquenta anos de carreira, intacta, razão pela qual o título do álbum se investe de enorme significado simbólico: a música do futuro será independente, ou não será.



11 Novembro | 18h30
Pequeno Auditório

Vein Feat. Rick Margitza

Michael Arbenz, piano
Thomas Lähns, contrabaixo
Florian Arbenz, bateria
Rick Margitza, saxofone tenor

Formado por três instrumentistas suíços com um percurso relevante nas áreas do jazz e da música clássica, o trio VEIN apresenta-se acompanhado de Rick Margitza, versátil e prolífico saxofonista norte-americano que, ao longo da sua carreira, colaborou com nomes fundamentais do jazz, tais como Miles Davis, Chick Corea, Maria Schneider e Martial Solal, entre outros. Praticante de uma música intimista e vinculada ao cânone tradicional do jazz e com influências da música clássica, este trio foi fundado em 2006 e manteve desde então uma atividade regular, tanto em termos de registos discográficos como em atuações ao vivo, tendo marcado presença em alguns dos mais prestigiados festivais de jazz europeus. Para além do trabalho composicional dos seus membros, o grupo tem desenvolvido algumas parcerias de longo curso com músicos como os improvisadores Dave Liebman e Greg Osby, e é neste método criativo que se pode também enquadrar a colaboração com Rick Margitza.
Michael Arbenz é um pianista com uma carreira relevante enquanto líder e também em colaboração com músicos de jazz e compositores clássicos, tendo atuado em concerto sob direção de Pierre Boulez, um dos nomes maiores da música erudita contemporânea. 
Florian Arbenz, irmão do pianista, mantém igualmente uma intensa atividade na cena jazzística europeia ao lado de nomes como os de Kirk Lightsey e Claudio Pontiggia. 
Thomas Lähns estudou contrabaixo na Academia de Música de Basileia e desde então tem construído uma sólida carreira, tanto em regime colaborativo como enquanto solista ou integrado em orquestras dirigidas por maestros prestigiados como Heinz Hollinger ou Peter Eötvös.
Caracterizada sobretudo pela subtileza melódica e rítmica e pela precisão e clareza das suas composições, a música do trio encontra no saxofone tenor de Rick Margitza um veículo de expansão sonora, permitindo-lhe explorar matizes e intensidades emocionais habitualmente menos presentes no som do grupo. O tom impressionista que marca habitualmente a música dos VEIN é, portanto, reconfigurado pela capacidade expressiva de Margitza, um improvisador experimentado e de grande capacidade técnica, sendo portanto legítimo esperar deste concerto uma música que à sofisticação do jazz de sensibilidade europeia do grupo suíço alia a pulsação do grande jazz da tradição norte-americana.



11 Novembro | 21h30
Grande Auditório

Mostly Other People Do The Killing – “Loafer’s Hollow”

Moppa Elliott, contrabaixo
Steven Bernstein, slide trompete
Dave Taylor, trombone, trombone baixo
Jon Irabagon, saxofones tenor e soprano
Ron Stabinsky, piano, sintetizador
Brandon Seabrook, guitarra, banjo, eletrónicas
Kevin Shea, bateria

Fundada em 2003 pelo contrabaixista e compositor Moppa Elliott, a banda Mostly Other People Do The Killing tem vindo a afirmar-se progressivamente como um dos mais desafiantes projetos da cena jazzística contemporânea. Originalmente um quarteto, desta formação fez parte, desde o seu início, o multifacetado trompetista Peter Evans, que, no entanto, abandonou a banda em 2014. Esta mudança conduziu a uma reconversão do quarteto em septeto após a integração de quatro novos instrumentistas, entre os quais o Steve Bernstein, que fez parte dos Lounge Lizards, a banda seminal de John Lurie cuja abordagem pós-moderna do jazz constitui uma das grandes inspirações da banda novaiorquina, que se apresenta pela primeira vez em Portugal neste seu novo formato.
A linguagem musical deste projeto situa-se algures entre o cânone clássico do jazz (swing e bebop) e a improvisação livre, aventurando-se pontualmente por territórios próximos do perímetro do rock experimental e da música de câmara. As composições de Moppa Elliott constituem o núcleo central do grupo, mas esse trabalho composicional é complementado por ocasionais e idiossincráticas revisitações do passado do jazz, das quais são exemplos os álbuns de versões da música de Art Blakey ou Ornette Coleman. 
Neste festival apresentam o seu mais recente álbum, Loafer’s Hollow, editado em fevereiro deste ano, e no qual, Moppa Elliott, o compositor principal da banda nova-iorquina, prossegue a sua exploração de uma música simultaneamente angular e fluida, composta de sistemas multi-referenciais, inspirados nas técnicas literárias dos escritores a quem algumas das peças são dedicadas (entre eles, Thomas Pynchon e David Foster Wallace), usando-os de modo a permitir uma livre digressão por diversos idiomas e estilos jazzísticos sem que a música não soe nunca formulaica ou formalista, mas antes inovadora e desafiante.



12 Novembro | 17h00
Grande Auditório 

Big Band e Ensemble de Cordas ESMAE
Jeff Lederer e Mary LaRose, direção musical

O Guimarães Jazz aposta numa vertente pedagógica, e este projeto de direção da Big Band e do Ensemble de Cordas da ESMAE constitui, a par com as oficinas de jazz, um dos eixos estruturantes dessa vocação formativa. Iniciada, nos moldes atuais, em 2012, esta parceria mantém este ano a sua proposta de residência e trabalho de colaboração entre os alunos da ESMAE e o compositor designado para os dirigir, papel que este ano é assumido pelo saxofonista Jeff Lederer, um músico bem conhecido do Guimarães Jazz, e pela vocalista nova-iorquina Mary LaRose. Assim, o Guimarães Jazz volta a proporcionar a um grupo de jovens músicos (de jazz e de música clássica) uma experiência profissional de elevada exigência, colocando-os em contacto com os métodos de criação musical de dois músicos reputados da cena jazzística novaiorquina da atualidade, com uma relevante atividade na direção orquestral.




12 Novembro | 21h30

Pcc / Black Box 
Projeto Guimarães Jazz / Porta-Jazz #4

Nuno Trocado, guitarra
Tom Ward, saxofones, flauta, clarinete baixo
Sérgio Tavares, contrabaixo
Acácio Salero, bateria
Jorge Louraço Figueira, dramaturgia
Catarina Lacerda, interpretação

No contexto da parceria entre o festival Guimarães Jazz e a associação Porta-Jazz, surge este projeto de cruzamento música-teatro. Durante uma semana de residência artística, o dramaturgo Jorge Louraço Figueira escreve um texto e a atriz Catarina Lacerda interpreta-o, em colaboração com um quarteto liderado por Nuno Trocado(guitarra), com Tom Ward (saxofones, flauta, clarinete baixo), Sérgio Tavares (contrabaixo) e Acácio Salero (bateria). O assunto central da residência é a exploração dos caminhos do som e da palavra, no confronto entre contribuições pré-definidas e improvisadas, com vista à conjugação, coletiva e coerente, das várias propostas individuais. Tudo sob o signo do jazz.



16 Novembro | 21h30
Grande Auditório

Jan Garbarek Group Featuring Trilok Gurtu

Jan Garbarek, saxofone
Trilok Gurtu, bateria e percussão
Rainer Brüninghaus, teclados, piano
Yuri Daniel, contrabaixo

O saxofonista norueguês Jan Garbarek volta ao Guimarães Jazz. Considerado um dos mais distintivos representantes do chamado “som ECM”, relativo à prestigiada editora com o mesmo nome, é hoje consensualmente reconhecido como um nome incontornável da música contemporânea, enquanto compositor e como membro de formações marcantes das últimas décadas, ao lado de eminentes figuras do jazz como Keith Jarrett, Ralph Towner, John Abercrombie, Kenny Wheeler ou Charlie Haden, entre outros.
Inicialmente vinculado a correntes estéticas mais próximas do free jazz e da música experimental, Garbarek rapidamente evoluiu para um estilo pessoal marcado pela espacialização do som, pela utilização do silêncio enquanto elemento musical e para a exploração de possibilidades melódicas dentro da tonalidade, afastando-se assim definitivamente da matriz da dissonância e da desconstrução. 
A aproximação aos territórios da world music, motivada pela ambição do saxofonista de expansão dos horizontes da sua música, tornou-se progressivamente mais profunda, tendo dado a origem a relações de cumplicidade artística com diversos músicos não-ocidentais, praticantes de uma música firmemente ancorada nas raízes da sua tradição cultural e musical. É esse o caso deste quarteto, o qual inclui, para além do próprio Garbarek e alguns dos seus habituais colaboradores, nomeadamente o contrabaixista Yuri Daniel (músico com uma conhecida ligação a Portugal), o teclista Rainer Brüninghaus e o percussionista indiano Trilok Gurtu



17 Novembro | 21h30

Grande Auditório

Allison Miller's Boom Tic Boom

Allison Miller, bateria
Myra Melford, piano
Haggai Cohen, contrabaixo
Charles Burnham, violino
Kirk Knuffke, corneta
Ben Goldberg, clarinete

Baterista de grande sensibilidade melódica e compositora talentosa com uma linguagem livre e flexível, próxima das correntes da improvisação, Allison Miller é uma das mais proeminentes figuras da cena jazzística novaiorquina da última década. A par de uma intensa atividade enquanto colaboradora de prestigiados músicos contemporâneos, tais como Ani DiFranco, Natalie Merchant, Ben Goldberg e Marty Ehrlich, entre outros, Miller apresenta um relevante currículo enquanto líder, sobretudo no contexto do grupo Boom Tic Boom.
Em 2009, Miller funda a banda Boom Tic Boom, reunindo para esse efeito uma formação que incluía a pianista Myra Melford, o contrabaixista Todd Sickafoose e a violinista Jenny Scheinman, todos eles músicos reputados da cena jazzística novaiorquina. Através desse grupo, concebido como um veículo privilegiado de expressão da faceta composicional da baterista, Allison Miller desenvolve uma música angular e melodicamente complexa, próxima do jazz progressivo, ao mesmo tempo que usa a dinâmica coletiva da banda para explorar a improvisação, sendo a conjugação destas dimensões o elemento que confere ao resultado final uma identidade e propósito próprios. A solidez do corpo de trabalho de Miller, tanto enquanto compositora como enquanto instrumentista, é amplamente reconhecida no circuito jazzístico, como o provam as inúmeras distinções atribuídas por instituições e publicações de jazz, sendo a baterista também atualmente a Embaixadora para o Jazz do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América.
A estreia discográfica dos Boom Tic Boom deu-se com o álbum homónimo, editado em 2010 e composto quase exclusivamente por composições originais de Allison Miller. Posteriormente, a banda lançou um segundo registo de estúdio (No Morphine, No Lilies, de 2013), com a mesma formação original mas agora contando também com a participação de alguns músicos notáveis como o trompetista Steve Bernstein e o violoncelista Erik Friedlander, no qual se nota uma maior ambição orquestral. Em 2016, foi publicado o álbum Otis Was a Polar Bear, o qual constituirá o foco principal de atenção do concerto no Guimarães Jazz, onde Allison Miller se apresenta acompanhada de Myra Melford, do contrabaixista israelita Haggai Cohen (em substituição do contrabaixista original, Todd Sickafoose) do violinista Charles Burnham (em substituição de Jenny Scheinman) e dos dois mais recentes membros desta formação: o cornetista Kirk Knuffke e o clarinetista Ben Goldberg.



18 Novembro | 18h30
Pequeno Auditório

Jeff Lederer / Joe Fiedler Quartet Feat. Mary Larose

Jeff Lederer, saxofone, clarinete
Joe Fiedler, trombone
Mary LaRose, voz
George Schuller, bateria
Nick Dunston, contrabaixo

A formação que tem nesta edição a responsabilidade de conduzir as jam sessions e as oficinas de jazz é liderada pelo saxofonista Jeff Lederer, o qual já atuou por diversas ocasiões no festival, integrado em diferentes grupos, e pelo trombonista Joe Fiedler, dois dos mais interessantes músicos da atual cena jazzística norte-americana. 
Os jovens instrumentistas que participam nas oficinas e nas jam sessions têm, assim, a oportunidade, de usufruir uma experiência de trabalho criativo com músicos de elevada qualidade técnica envolvidos num dos contextos mais fervilhantes da criação jazzística contemporânea. E como já é habitual, além das atividades formativas, este grupo realiza uma atuação ao vivo integrado no programa de grandes concertos do Guimarães Jazz.



18 Novembro | 21h30
Grande Auditório

Darcy James Argue’s Secret Society – “Real Enemies”

Darcy James Argue, direção musical
Dave Pietro, flautim, flauta, flauta alto, saxofone soprano, saxofone alto
Rob Wilkerson, flauta, clarinete, saxofone soprano, saxofone alto
Peter Hess, clarinete Eb, clarinete Bb, saxofone tenor
Lucas Pino, clarinete, clarinete baixo, saxofone tenor
Carl Maraghi, clarinete, clarinete baixo, saxofone barítono
Jonathan Powell, trompete
Sam Hoyt, trompete
Matt Holman, trompete
Nadje Noordhuis, trompete
David Smith, trompete
Mike Fahie, trombone
Ryan Keberle, trombone
Darius Christian Jones, trombone
Jennifer Wharton, trombone
Sebastian Noelle, guitarra
Adam Birnbaum, piano
Matt Clohesy, contrabaixo
Jared Schonig, bateria

O Guimarães Jazz encerra esta edição com a estreia em Portugal de um dos mais inventivos e originais projetos de big band da atualidade: a Secret Society, um ensemble de dezoito músicos liderado por Darcy James Argue, um compositor jovem e idiossincrático, com uma singular visão musical e artística, que se tem afirmado como um dos valores emergentes do jazz contemporâneo.
Real Enemies, o seu trabalho mais recente, foi concebido como parte de uma performance multimédia, desta vez em colaboração com o escritor e realizador Isaac Butler, acerca das estratégias de propaganda e vigilância características das sociedades contemporâneas. O imaginário distópico é, aliás, uma característica distintiva da visão artística do compositor, uma vez que as suas peças instrumentais são apoiadas por um subtexto narrativo de forte conteúdo político. O tom geral das peças que compõe o álbum transmite uma impressão imersiva de claustrofobia e paranoia, naquela que se pode considerar, mais do que uma evocação, uma citação das bandas sonoras dos filmes noir da primeira metade do século passado e dos ambientes psicológicos típicos da Guerra Fria, agora na sua versão digital.
As composições complexas e multidimensionais de Darcy James Argue revelam um conhecimento profundo das big bands da “era dourada” do jazz e dos seus métodos de construção melódica e rítmica, que em Real Enemies é atualizado por uma miríade de influências e contaminações estéticas – desde o pós-rock e o funk até à música minimal contemporânea, do cinema político norte-americano ao escritor William S. Burroughs, de Duke Ellington a Philip Glass. Nesse sentido, pode dizer-se que a multireferencialidade é um dos traços distintivos da música deste compositor.




Atividades Paralelas


De 6 a 18 Novembro 
Vários locais de Guimarães
Animações Musicais


De 9 a 11 Novembro | 23h30-02h00
Café Concerto 
Jam Sessions
Jeff Lederer, Joe Fiedler, Mary Larose, George Schuller, Nick Dunston


De 13 a 17 Novembro | 14h30-17h30
Centro Cultural Vila Flor
Oficinas de Jazz
Jeff Lederer, Joe Fiedler, Mary Larose, George Schuller, Nick Dunston


14 Novembro | 21h30
Grande Auditório
Uma História de Jazz - Capítulo 3º

De 16 a 18 Novembro | 24h00-02h00
Convívio Associação Cultural
Jam Sessions
Jeff Lederer, Joe Fiedler, Mary Larose, George Schuller, Nick Dunston




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