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Império dos Sentidos
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Império dos Sentidos Paulo Alves Guerra / Produção: Ana Paula Ferreira

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Benjamin Britten

1913 - 1976

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Benjamin Britten Benjamin Britten

Britten nasceu no condado de Suffolk, junto ao mar, e foi esse mar que influenciou muitas das suas obras. Inicia-se na música desde cedo, talvez influenciado pelos pais. A mãe, cantora, deu-lhe as primeiras lições de piano. Com cinco anos Britten já compunha, e aos seis, escreveu a peça "The Royal Family" - uma história sobre a morte do príncipe John, o quinto filho de George V. Entretanto aprendeu também viola. Quando ouviu pela primeira vez "The Sea" de Frank Bridge, ficou impressionado. Pouco tempo depois iria ter lições de composição com Bridge, um compositor que se tinha começado a interessar em estilos mais experimentais. Aos 14 anos já tinha composto dez sonatas, seis quartetos de cordas, um oratório e um poema orquestral - O Caos e o Cosmos.

Estas obras inocentes ficaram na sua gaveta secreta, e mais tarde utilizou as partes que achou mais inspiradas para compor a sua Sinfonia Simples.A Simple Symphony, op. 4 foi estreada em 1934.
Britten gostava de compor antes do pequeno-almoço, para ter tempo para ir à escola. Gostava de matemática, e era o capitão da equipa de criket.
Fez projectos para ir estudar com Alban Berg em Viena, mas apesar da viagem não se ter concretizado.
Logo que saiu da escola, Britten recebeu um contrato do editor musical Ralph Hawkes. Começou também a compor obras para os documentários feitos para a agência de correios inglesa. Trabalhando com cronogramas apertados e orçamentos restritos, Britten aprendeu a escrever rapidamente, economicamente e efectivamente. Um dos seus colegas, o poeta W.H. Auden, partilhava da política esquerdista de Britten e do seu interesse em mudança social. Colaboraram em diferentes projectos, incluindo o irónico ciclo de canções Our Hunting Fathers (Nossos Antepassados Caçadores). Britten também começou a compor música para ser tocada por e para crianças, tornando-se um especialista em músicas simples, porém desafiantes...

Em 1936, Britten conheceu o tenor Peter Pears quando este cantava no coro BBC Singers. Muitas das obras de Britten foram escritas tendo em mente especificamente a voz de tenor de Pears, que foi uma fonte de inspiração e um catalisador fundamental da criatividade de Britten.
Socialista e pacifista, Britten era profundamente crítico da sociedade britânica. Em 1939, influenciado pelo desenrolar da política europeia e pela crítica hostil inglesa Britten e o tenor Peter Pears participaram de um pequeno êxodo artístico quando seguiram os seus amigos Auden e Christopher Isherwood para os Estados Unidos. Na América, Britten escreveu a sua primeira opereta, Paul Bunyan, com libreto escrito por Auden. Compôs também Seven Sonnets of Michelangelo (Sete Sonetos de Michelangelo), a primeira de muitas obras destinadas à voz de Pears. Pears tornou-se um parceiro na vida e na arte.

Este período foi particularmente notável para o seu trabalho com orquestra, no qual compôs também The Illuminations («As Iluminações»), destinadas a Sophie Wyss, em Londres, sobre originais franceses de Arthur Rimbaud variações sobre um tema de Frank Bridge para orquestra de cordas, e Sinfonia de Requiem para orquestra completa, uma encomenda do governo japonês para festejar os 2500 anos da dinastia Mikado, e cuja estreia foi curiosamente negada.
Com o passar do tempo, Britten deu-se conta que a tela branca do seu novo ambiente não era tão inspiradora quanto o mar único e avassalador da sua terra natal. O momento decisivo foi quando se deparou com a poesia de George Crabbe, um conterrâneo da costa de Suffolk. Os retratos serenos, astutos e compassivos da sua nativa Aldeburgh mexeram profundamente com Britten. Em Março de 1942, Britten e Pears navegaram de volta para casa. Durante a longa viagem, feita num barco neutro sueco, esboçaram o cenário de Peter Grimes, obra baseada no poema de Crabbe The Borough (O Burgo).

Em 1945 concluiu Peter Grimes. Estreia a 7 de junho desse ano com Pears no papel de Peter Grimes e Joan Cross no de Ellen, e uma orquestra alegadamente modesta.
Os críticos concordaram que era o surgimento de uma nova voz, uma voz capaz de reviver a tradição da ópera inglesa. Britten inicialmente precisou se esforçar para encontrar espaços apropriados para produzir as suas obras. Por outro lado, o seu empenho leva-o a fundar o English Opera Group, e depois o Festival de Verão em Aldeburgh, onde artistas convidados estreavam as óperas de Britten para uma audiência de amantes da música.

As dificuldades financeiras do Festival de Aldeburgh inspiraram Britten a escrever para pequenos elencos e conjuntos.
Britten compôs uma série de obras a que ele chamou de "parábolas eclesiásticas". Estas peças de câmara são influenciadas pela música e drama que Britten e Pears encontraram durante uma digressão pela Ásia em 1955, especialmente no teatro nô japonês e na música de gamelão em Bali.
Britten nunca deixou de escrever trabalhos instrumentais. Entre elas uma das mais famosas é o Guia Orquestral para Jovens (Young Person's Guide to the Orchestra, 1946).

Em 1962, para a reconstrução da Catedral de Coventry, embora não sendo das mais famosas catedrais de Inglaterra, a sua destruição foi sentida como perda nacional. Britten é encarregado de escrever a música para a consagração do novo templo, surgindo assim War Requiem («Réquiem da Guerra»), que seria interpretada por Peter Pears, o alemão Dietrich Fischer-Dieskau e a russa Galina Vichnevskaia, cuja participação seria negada pela URSS.
O duradouro pacifismo de Britten está reflectido nesta sua obra-prima coral, o comovente Réquiem de Guerra (War Requiem, de 1962).

A última grande ópera de Britten foi Morte em Veneza, (Death in Venice, 1973), uma adaptação do romance de Thomas Mann sobre um escritor de quem a obsessão com um jovem garoto prova ser a sua ruína.
Britten adiou uma cirurgia cardíaca para poder terminar o trabalho. Depois da cirurgia, estava muito fraco para reger ou tocar em público e nunca mais compôs outra ópera.
Em 1976, a Rainha Elizabeth II agraciou Britten com uma honra singular para um compositor: o título vitalício de Barão Britten de Aldeburgh. Mais tarde, naquele mesmo ano, Britten morreu. À beira mar repousa no cemitério da igreja de Aldeburgh , juntamente com Peter Pears e a amiga Imógene Holst, que o ajudou a fundar o Festival de Aldeburgh.