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Auschwitz - Um dia de cada vez

Esther Mucznik

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Auschwitz - Um dia de cada vez Auschwitz - Um dia de cada vez

"Auschwitz - Um dia de cada vez" de Esther Mucznik

"Pessoalmente, nunca matei ninguém. Eu era apenas o chefe do programa de extermínio."
Rudolph Hoess, responsável por Aushwitz entre 1940 e 1943

Vinte milhões de turistas visitam Paris todos os anos. Poucos saberão que em Drancy, nos arredores da cidade, houve há 70 anos um Centro de Detenção de judeus, um gueto, por onde passaram 80 mil pessoas, depois enviadas para os Campos de extermínio Nazi. Não sabem os turistas e não sabem muitos jovens franceses. O Presidente François Hollande inaugurou em Drancy um Centro de Memórias do Holocausto, especialmente vocacionado para o ensino e a divulgação, com a intenção declarada de combater não só o antissemitismo, mas todas as formas de racismo.
Também por isso a cidade brasileira de Porto Alegre tornou o ensino do Holocausto obrigatório nas escolas públicas, à semelhança do que acontece noutros lugares do mundo.
Quando um grupo de professores portugueses visitou em 2008 o Yad Vashem, o grande memorial que em Israel preserva a história dos judeus mortos pelo nazismo, surgiu o projecto MemoShoá - Associação Memória e Ensino do Holocausto, fundada por Esther Mucznick, Paula e Ricardo Presumido e Marta Torres. Shoá significa holocausto, em Iídiche. Através de um sítio da internet, e de várias acções, a Associação procura sensibilizar as escolas e apoiar o trabalho dos professores porque, dizem, “nem os programas nem os manuais contemplam uma abordagem séria e rigorosa do Holocausto.” Disponibilizam materiais pedagógicos, organizam formações, debates e viagens, e divulgam os trabalhos que vão sendo feitos.
Os livros são o antídoto da ignorância. O garante de que não será pelo esquecimento que os erros se repetem. É notável o trabalho de Esther Mucznick na recolha e partilha de memória e de informação. Auschwitz - Um dia de cada vez diz-nos como era a monumental e monstruosa estrutura do principal campo de morte nazi, e de como Hitler teria sido bem inofensivo sem executantes tão capazes. Traz-nos histórias de resistência e de coragem, numa leitura que aperta a garganta. Indispensável.

Esther Mucznik no programa A Ronda da Noite, à conversa sobre o livro Auschwitz - Um dia de cada vez:

1ª parte
2ª parte


Luís Caetano