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Festival Criasons | IV - Tiago Derriça | 27 Maio

Teatro Nacional de São Carlos | Online

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Festival Criasons | IV - Tiago Derriça | 27 Maio Festival Criasons | IV - Tiago Derriça | 27 Maio

Depois dos concertos com programação de António Vitorino d'Almeida, de Mário Laginha, e de Carlos Azevedo, a 3ª edição do Festival CriaSons prossegue com o 4º concerto programado por Tiago Derriça, intitulado "Aos Ombros de Gigantes".


Festival Criasons
3ª edição

12 Novembro 2020 a 15 Junho 2021


CriaSons é um Festival inédito dedicado às tendências da música de câmara portuguesa contemporânea.
Na sua 3ª edição, continua a apostar na criação musical contemporânea, promovendo o ecletismo musical, cruzamentos e interações estéticas e artísticas, com a encomenda de obras inéditas a reconhecidos compositores do panorama musical português.
António Victorino D'Almeida, Carlos Azevedo, Mário Laginha, Pedro Caldeira Cabral e Tiago Derriça são os anfitriões deste Festival que apresenta 15 concertos por eles desenhados, e que incluem também obras de cinco compositores emergentes, selecionados em concurso.
Este ano, os selecionados são os compositores Daniel da Mata, Francisco Fontes, João Fonseca e Costa, Luís Salgueiro, Vítor Castro.
A Direcção Artística do Festival está a cargo do maestro Brian MacKay, que também preside ao júri do Concurso de Compositores Emergentes Criasons.

A edição deste ano conta com o especial acolhimento do Teatro Nacional de São Carlos, onde são apresentados, em estreia, todos os programas.
Os restantes concertos têm lugar em Madrid, Figueira da Foz, Almada, Porto, Évora, Ferreira do Zêzere e Tomar.
Todos os concertos no TNSC são gravados pela Antena 2 para posterior transmissão.


4º concerto | 27 Maio | 18h30
TNSC  (presencial e online | + informações)


Programa Tiago Derriça
João Fonseca e Costa (compositor emergente)    


Taíssa Poliakova, piano

Quarteto Lopes-Graça
Luís Pacheco Cunha, Violino
Maria José Laginha, Violino
Isabel Pimentel, Violeta
Catherine Strynckx, Violoncelo


Programa
Aos Ombros de Gigantes

Franz Joseph Haydn - Trio n.º 39 em Sol Maior, Hob. XV:25 para piano, violino e violoncelo

Tiago Derriça - Sonata Frühling – IV. Andamento para violino e piano

Tiago Derriça - Seven Ages of Man – III. Love para quarteto de cordas

Gabriel Fauré - Elegia para violoncelo e piano

João Fonseca e Costa - Pérolas do Atlântico para quarteto de cordas e piano 
[Obra em estreia absoluta, composta para o Festival Criasons III]

Maurice Ravel - Quarteto de cordas em Fá Maior



Este programa assume-se como uma celebração do repertório camerístico para cordas e piano, materializando-se através de uma notável variedade de configurações instrumentais, em particular aquelas que serão certamente as mais célebres e emblemáticas, como é o caso do quarteto de cordas, do trio, do dueto e do quinteto com piano. Procuro, desta forma, tirar proveito da grande variedade tímbrica que estes agrupamentos permitem, sendo esse o fio condutor deste concerto. Por outro lado, tal variedade reflete-se também pela diversidade estilística das próprias peças aqui apresentadas, que abrangem não só diversos períodos da História da Música, como também duas perspetivas estéticas diferentes perante esse legado canónico. Neste sentido, selecionei duas obras de compositores pelos quais sou influenciado e possuo grande admiração, Joseph Haydn e Maurice Ravel – sou um anão aos ombros destes e de outros tantos gigantes que residem na minha memória afetiva musical –, pedindo ao meu colega compositor João Costa que também fizesse o mesmo, tendo ele optado por incluir a música do mestre Gabriel Fauré.
Ouviremos um dos últimos trios de Haydn (o prolífico compositor escreveu 45 no total), que demonstra bem a capacidade expressiva deste género camerístico. Apesar do contexto palaciano em que surge, a música de câmara de Haydn vai muito além da função de entretenimento que tinha para a corte Esterházy, sendo profunda e meticulosamente trabalhada, fruto de uma imaginação e inventividade absolutamente admiráveis. 
De seguida, surge o quarto e último andamento da minha sonata Frühling, para violino e piano, um rondó onde é muito clara a influência da música do século XVIII, uma das gramáticas estruturais na minha própria linguagem. 
Logo depois, ouvir-se-á o terceiro de sete andamentos do meu quarteto de cordas Seven Ages of Man, baseado no monólogo homónimo de Shakespeare, retratando o amor como sendo uma das sete fases da vida do homem. A forma como encaro a escrita para quarteto de cordas deve muito, sem dúvida, à sensação de assombro que tive ao ouvir pela primeira vez o quarteto de Ravel e que, ao longo dos anos, se vem manifestado pela maneira como meço e idealizo as capacidades expressivas deste efetivo instrumental. 
A próxima peça a fazer-se ouvir será Elegia, de Fauré, um dueto para violoncelo e piano que, apesar de não muito longo, se desenha em torno de uma infinita dimensão emocional e poética, sendo um excelente exemplar do romantismo tardio. Esta peça antecede a obra para quinteto de cordas com piano de João Costa, cujo teor e até o próprio título desconheço no momento em que escrevo este texto, mas pela qual tenho uma grande expectativa. Finalmente, o concerto é encerrado com o já mencionado Quarteto de cordas em Fá maior, de Maurice Ravel, obra prima, perfeita e de uma beleza fulgurante, só possível graças à miraculosa sensibilidade artística deste genial compositor.
Termina assim esta viagem estonteante feita neste veículo sonoro que, em vez de cavalos, tem como força motora as cordas e o piano, instrumentos que, nas suas diversas geometrias, têm marcado indubitavelmente o repertório de câmara. Estes são ferramentas inestimáveis não só nas mãos de Haydn, Fauré e Ravel, mas também nas de muitos outros compositores que muito admiro e frequentemente procuro. Ora estes tantos outros, por razões óbvias, não puderam tomar parte neste concerto, porém decerto ecoaram de algum modo na minha voz composicional, pois são eles os gigantes que me levam aos ombros.
Tiago de Sousa Derriça



Pérolas do Atlântico é uma obra composta em dois andamentos para Quarteto de Cordas e Piano, cuja foi escrita para o âmbito do Festival Criasons III.
A obra descreve imagens e lembranças do lugar em que vivi durante dezoito anos no meio do altântico, que são relembradas todos os dias com muita saudade e afeto, desde que deixei a minha terra natal para trás.
As imagens são a demonstração das Pérolas da Natureza Atlântica, que tornam aquele lugar inspirador e belo. O ambiente atlântico fez de mim aquilo que sou e estará sempre presente na minha alma com um grande carinho especial.
João Fonseca e Costa



Gravação pela Antena 2
para posterior transmissão
Produção: Anabela Luís



Tiago de Sousa Derriça | Nnasceu em Lisboa no ano de 1986. Estudou no Conservatório de Música da Metropolitana, na classe de violoncelo, com Eugen Prochác, Peter Flanagan e João Pires. Paralelamente, estudou Composição, na Academia de Música de Santa Cecília, com o compositor Pedro Faria Gomes.
Realizou estudos de mestrado na Escola Superior de Música de Lisboa e na Universidade de Évora. Na primeira contou com a orientação de Carlos Marecos e, na segunda, teve como orientador Christopher Bochmann. É também licenciado em Composição pela Escola Superior de Música de Lisboa, onde estudou com António Pinho Vargas, João Madureira, Luís Tinoco e Sérgio Azevedo.
A sua música tem sido interpretada por diversos grupos de música de câmara, sendo este um género para o qual tem dedicado grande parte da sua produção. Por outro lado, tem escrito também para várias orquestras e coros, como a Albany Symphony Orchestra, Chamber Orchestra Kremlin, Menuhin Academy Soloists, Nova Orquestra de Lisboa, Orquestra Gulbenkian, Orquestra Metropolitana de Lisboa, Orquestra do Norte, Orquestra Sinfonietta de Lisboa, United Europe Chamber Orchestra, Coro Gulbenkian, Coro mpmp, Grupo Vocal Olisipo e Coro Ricercare.
Para além de regularmente interpretado em Portugal, o seu trabalho tem sido apresentado em vários países da Europa, nos EUA e na Rússia.
A sua produção tem focado também a música de cena, tendo colaborado com o Teatro da Trindade e com a encenadora Maria Emília Correia, escrevendo a música para a peça de teatro Não se ganha, Não se paga!, de Dário Fo. Foi também compositor e orquestrador da peça Uma Bizarra Salada, a partir de textos de Karl Valentin, estreada no Teatro São Luiz, com a encenação de Beatriz Batarda e a direcção musical de Cesário Costa. Compôs também para as peças Alice no Pais das Maravilhas e A Bela e o Monstro, encenadas por Paulo Sousa Costa e João Didelet, tendo estas sido apresentadas por todo o país.
Tem também trabalhado como orquestrador e arranjador, destacando-se projetos com Rodrigo Leão, os guitarristas Fernando Alvim, Piñeiro Nagy e Ricardo Parreira, a soprano Elisabete Matos e os cantores Ana Moura, Cuca Roseta, Katia Guerreiro, Mafalda Arnauth, Marco Oliveira, Raquel Tavares e Ricardo Ribeiro.
A sua música está editada em CD pelas etiquetas Centaur Records, CULTlabel, Deutsche Grammophon, Direcção Geral das Artes, HEVHETIA e Metropolitana.
É atualmente professor de composição e teoria musical na Academia de Amadores de Música, na Academia Musical dos Amigos das Crianças e na Escola Luís António Verney.



João Fonseca e Costa | Nasceu em 1994, em Ponta Delgada. Iniciou os seus estudos musicais no Conservatório Regional da sua cidade natal, primeiro em violino e, mais tarde, em Viola D´Arco, que concluiu em 2012.
No mesmo ano ingressou na Licenciatura em Composição, na Escola Superior Música de Lisboa (ESML) onde trabalhou com Luís Tinoco, Sérgio Azevedo, António Pinho Vargas e Carlos Caires, tendo-a concluído em 2015.
Em 2018 participou no ACDA Summer Choral Composers Forum em Betheleem, Estados Unidos e em 2019 no Choral Chameleon Summer Institute 2019 em Nova Iorque, Estados Unidos.
Paralelamente à composição, trabalha regularmente como coralista no Coro Gulbenkian e no Nova Era Vocal Ensemble e desde 2015 é professor de Análise e Técnicas de Composição no Conservatório d´Artes de Loures.
É o Diretor Artístico do projeto “Peças Frescas - Edição Açores” desde a sua fundação e encontra-se a desenvolver, enquanto elemento fundador, em parceria com a Fundação Marquês de Pombal, o ciclo de Música Contemporânea “Novitate”.



Taíssa Poliakova | Nascida em Lisboa, iniciou os seus estudos musicais no Conservatório Nacional de Lisboa. Obteve a licenciatura cum Laude no Conservatório Superior de Música de Castilla y León (Salamanca, 2013), onde estudou com Miriam Gómez-Morán e Alberto Rosado.
Realizou o Mestrado em Música na Universidade de Aveiro, em Portugal sob orientação de Fausto Neves, tendo recebido, após a sua conclusão, o prémio de Melhor Aluna do Mestrado em Música desse ano (2017). Estudou ainda, em regime particular, com a renomada professora, da Juilliard School de Nova Iorque, Oxana Yablonskaya, entre 2012 e 2017.
Realizou apresentações pelo continente europeu com recitais solistas e em duo com a violinista portuguesa Matilde Loureiro. Juntas conquistaram o Primeiro Prémio em Música de Câmara no Concurso “Prémio Jovens Músicos” (Lisboa, 2008) e uma Menção de Honra no Concurso “Concertino Praha” (República Checa, 2009). Laureada também em vários concursos de piano, nomeadamente com o Prémio Especial no 16º Concurso Internacional de Piano Santa Cecília (Portugal, 2014), o 1º lugar e Melhor Interpretação de Obra Portuguesa no 10º Concurso de Piano da Póvoa de Varzim (Portugal, 2015), entre outros.
Apresentou-se com a Orquestra Sinfónica de Kiev no 3º Festival de Música “Dinastia” em Kiev, Ucrânia (2014), o que lhe valeu um prémio Vox Populi por votação do público.
Ingressou na Universidade de Aveiro como Pianista-Acompanhadora, onde, de 2014 a 2017, trabalhou com as classes de Coro, Cordas, Saxofone e metais. Atualmente trabalha como Professora de Piano e Pianista Acompanhadora na Escola de Música do Colégio Moderno, em Lisboa.
Participou em vários festivais, nacionais e internacionais, destacando-se o 1º Festival Internacional de Piano de Amarante (2015) e o Encontro EPTA de Pianistas e Professores de Piano de Portugal (2017). Viveu durante dois anos no Brasil (2017-2019), onde se apresentou a solo, como artista de música de câmara e solista com orquestra (com o Maestro Alessandro Sangiorgi e a Orquestra Sinfónica da Universidade Estadual de Londrina, em 2018) em diversas cidades do país, além de lecionar regularmente em Londrina e Maringá.


Foto Jorge Carmona / Antena 2 RTP

Quarteto Lopes-Graça | Constituído por músicos com notáveis carreiras solísticas e camerísticas, professores da Escola de Música do Conservatório Nacional (Lisboa), formou-se em 2005 com o objetivo de dotar o Conservatório, à imagem de muitos dos seus congéneres no mundo, de um grupo de referência na área das cordas, com condições para desenvolver um trabalho permanente com output aos níveis da formação especializada em música de câmara (master-classes de quarteto) e da promoção da escola, no país e estrangeiro.
Desde então, o QL-G soube afirmar-se como agrupamento de referência na sua área, tendo atuado nas mais importantes salas e eventos musicais do país - Festa da Música e Dias da Música do Centro Cultural de Belém - edições de 2005, 2006, 2008, 2009 e 2011, Casa da Música / Porto, Grande Auditório da Culturgeste, Teatro de São Luíz, Teatro da Trindade, Teatro D. Maria II (17 de Dezembro de 2006 - centenário do aniversário de Fernando Lopes-Graça), temporada Em Busca de um Salão Perdido (Salão Nobre do Conservatório), Festival de Música de Paços de Brandão, Centro de Artes de Belgais, Encontros de Música do Alentejo 2009, por várias ocasiões nas temporadas do Eborae Música, em Évora, no primeiro aniversário do Centro Artístico de Braço de Prata, em Lagos (Al-Cultur 2009), Santarém (Inauguração da Biblioteca do Ginásio), Almada (Capuchos e Auditório L. Graça), Cascais (Museu da Música Portuguesa), Funchal (Teatro Baltazar Dias), Marvão, Castelo de Vide, Caldas da Rainha, Caminha, Pombal, Viana do Castelo e em muitos outros projectos e espaços culturais. Realizou ainda várias tournées aos Açores onde actuou com o Coral Vox Cordis.
Contemplado, por diversas ocasiões, com apoios do Ministério da Cultura, realizou concertos em vários pontos do país, nomeadamente no âmbito do Festival CRIASONS, um evento dedicado à composição portuguesa contemporânea. É aliás este desígnio - a divulgação da nova música portuguesa - que tem inspirado a acção do QL-G nos anos mais recentes, realizando com frequência primeiras audições de obras que lhe são dedicadas por compositores nacionais.
Deslocou-se a Andorra, em 2010, com um programa vocacionado para a divulgação da cultura portuguesa naquele Principado. Em 2013 realizou uma digressão de um mês ao Brasil, no âmbito do evento Portugal no Brasil, com concertos em Curitiba, Brasília e Sorocaba. Em 2014 participou, com três concertos, no XII Festival Internacional de Música Contemporânea de Lima, Peru.
Fez uma digressão à Argentina, tendo actuado nas mais prestigiadas salas da capital (Teatro Colón e Usina del Arte) e realizado uma Master-Class no Instituto Superior de Arte do Teatro Colón.
Editou em Maio de 2009 o seu primeiro projecto discográfico - um CD com obras de Fernando Lopes-Graça e António Victorino d'Almeida (obra dedicada) [Numérica 1182 | 2009]. Um novo álbum, editado em 2011 (em conjunto com o Opus Ensemble e o Duo Contracello) fez o registo das obras estreadas no Festival CRIASONS [Numérica 1218 | 2011]. Editou mais dois CDs com a obra integral de Fernando Lopes-Graça para Quarteto e Piano, com Olga Prats [Toccata Classics 0253 | 2014 e 0254 | 2015].