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Música Contemporânea Pedro Coelho

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Oy Division | Música Klezmer | 15 Outubro 21h30

Culturgest

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Oy Division | Música Klezmer | 15 Outubro 21h30 Oy Division | Música Klezmer | 15 Outubro 21h30

Culturgest - Grande Auditório
15 de Outubro, 21h30

Oy Division

Os Oy Division são reconhecidos como uma das melhores bandas klezmer da atualidade. Pegaram na esquecida música folk dos judeus do leste da Europa e deram-lhe uma nova vida. Ao vivo são conhecidos por debitarem uma energia tão arrebatadora como inesgotável.

Os Oy Division nasceram em 2005. Gesshon Leizersson e Assad Talumi encontraram-se num festival internacional de música klezmer no Canadá. Ficaram fascinados com o que ouviram e resolveram formar o seu próprio grupo. Os concertos foram-se sucedendo e em 2008 sai o primeiro dos três álbuns que gravaram até agora. Todos receberam o aplauso do público e da crítica. Foram construindo a sua carreira de concerto em concerto, de festival em festival, com digressões pela Europa e América do Norte.



Dedicam-se à interpretação da música klezmer, tocando, e cantando em yiddish e russo, música de casamento, canções folclóricas, canções de teatro yiddish, como ela deve ser tocada: com rudeza, rapidez, nervo, sem floreados. Têm energia, técnica e humor. Como disse Leizerssohn numa entrevista: “O registo klezmer que interpretamos está concentrado na rica tradição musical dos judeus da Europa do Leste dos sécs. XVIII e XIX. Mas o que é interessante é a forma como soa aos ouvidos do nosso público e o conduz, a maior parte das vezes, a dançar, cantar e mesmo a chorar. Quanto ao futuro, há seguramente lugar para escrever melodias klezmer inéditas (…). Evidentemente, a realidade israelita atual afeta a interpretação das nossas canções que abordam temas como o amor, a guerra, o desânimo, a esperança”.


Os Oy Division são a única banda de música klezmer existente em Israel. Parece estranho, mas um breve resumo da história da música klezmer ajuda a compreender.

As origens da música klezmer são muito nebulosas. As investigações iniciaram-se há poucas dezenas de anos e estão longe de estarem terminadas. As considerações que se seguem, baseadas em buscas na internet, procuram contar a história que mais se aproxima do que é comum às várias fontes consultadas. Klezmer tem origem etimológica em duas palavras hebraicas, klei, significando ferramenta, utensílio, instrumento, e zemer, canção. De início, klezmer designava o instrumento musical. Mais tarde, por extensão, designava a própria música tocada e cantada pelos klezmorim, músicos populares, que animavam ocasiões festivas.

Nos anos 70 do século passado fixou-se a designação de música klezmer para a que era praticada pelos judeus asquenazes que se foram instalando, entre o séc. XI e o séc. XVI, na Europa Central e Oriental. Esse povo judaico que no séc. XVI era ultraminoritário de entre o conjunto dos judeus da Diáspora – representavam cerca de 3% desse conjunto - desenvolveu uma língua própria, o yiddish, escrita em alfabeto hebraico, formada a partir do “alemão” falado na Idade Média nas regiões onde ficaram, e de palavras hebraicas. Com língua própria, uma estabilidade na terra, vivendo em comunidades fechadas (os guetos), com uma prática religiosa e uma teologia e liturgia singulares, criaram uma música popular característica, a princípio só instrumental, depois juntando-lhe a voz. É o desenvolvimento dessa música que será designada de klezmer. Os temas, os modos, os ritmos, as danças que hoje se tocam como música klezmer remontam ao séc. XIX, mas têm raízes mais fundas que vêm desde a Idade Média. A música klezmer foi assimilando influências várias das músicas dos povos com quem os asquenazes tiveram contacto, dos polacos aos russos, dos romenos aos húngaros, dos gregos aos turcos. Particularmente importante neste caminho de séculos foi a música dos romani, dos ciganos. Hoje em dia também se reconhece a presença do jazz. 


Os Asquenazes, por razões várias, foram tornando-se maioritários no povo judeu da Diáspora. No início do séc. XX correspondiam a 92% dessa população e estavam fixados sobretudo na Polónia, mas não só. Albert Einstein, Sigmund Freud, Marc Chagal, Felix Mendelssohn, Sarah Bernhart, Stanley Kubrick ou Golda Meir eram asquenazes.

Veio o Holocausto. Milhões foram mortos, as sinagogas destruídas e os guetos também. A música klezmer desapareceu por décadas. No início dos anos 70 do século passado, jovens músicos judeus nos Estados Unidos, a partir do que lhes contavam seus avós, das raras gravações que existiam do início do século e dos poucos músicos mais velhos que tocavam essa música, retomaram a tradição.



Os instrumentos principais das bandas de música klezmer são o violino, a flauta, o clarinete, o zimbalão, o acordeão, o piano (este usado pela classe média, em casa ou atualmente em espetáculos de palco), o violoncelo ou contrabaixo e a percussão, reduzida frequentemente a um instrumento. Com exceção do piano, utilizado com pouca frequência, são todos instrumentos de fácil transporte e, ao tempo, baratos, porque os músicos andavam de cerimónia em cerimónia, de comunidade em comunidade, tocando em salas de casas e outros pequenos espaços. Aquilo que hoje ouvimos numa sala de teatro, sentados numa cadeira, como um espetáculo era antes escutado e dançado de pé, com os músicos deslocando-se de um lado para o outro no meio das pessoas.

Os tipos de canções que agora se executam estão codificados, como acontece, por exemplo, no fado tradicional ou no flamenco. Na sua maioria são temas alegres e para dançar porque era essa a finalidade para que foram criados e tocados. Os que derivam da prática religiosa são geralmente meditativos. Antes da gravação em disco, as canções não tinham limite de duração, adaptavam-se às circunstâncias. Duravam o que fosse preciso e consoante a resistência dos executantes e de quem os ouvia e com eles dançava.