2013, ano da retoma do cinema português?
Maria João Bastos na rodagem de "Mistérios de Lisboa", uma das maiores produções portuguesas do século XXI.

Cinema Português  

2013, ano da retoma do cinema português?

Após um ano sem concursos públicos, seis produtoras identificam os projetos que pretendem viabilizar. Apesar da incerteza, João Salaviza, Miguel Gomes e Jorge Silva Melo filmam em 2013.

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A produção nacional de filmes entra em 2013 com muitas incertezas, seja sobre os concursos à produção de cinema que o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) retomou em fevereiro (ver artigo recomendado) após hiato de um ano, ou os regulamentos da nova lei do cinema que ainda não foram definidos. Como vai ser o ano de 2013, é a pergunta a que respondem vários produtores portugueses.

Há projectos já aprovados mas que só agora vão ser rodados, há estreias de filmes que ficaram prontos no ano passado, ou até antes, e há também muitas dúvidas sobre os novos concursos e até mesmo sobre filmes que já têm financiamento atribuído.

São questões sublinhadas pelo produtor Pedro Borges da Midas Filmes, dando o exemplo do realizador João Canijo, autor de "Sangue Do Meu Sangue", um dos sucessos recentes do cinema português, com mais de 20 mil espectadores no mercado interno e uma projeção internacional relevante.

Canijo deverá estrear a versão longa do filme "Obrigação", encomendada pelo Festival de Curtas Metragens de Vila do Conde, e tem prevista apenas a rodagem de um documentário aprovado pelo ICA. Dificilmente regressa à ficção em 2013, até porque, segundo Pedro Borges, o abertra de novos concursos só terão efeitos no próximo outono, devido a toda a burocracia envolvida.

Mais confiante na rapidez do processo, o produtor Luis Urbano de O Som e a Fúria, está a contar submeter a concurso o projeto "Mil e Uma Noites", de Miguel Gomes, realizador de "Tabu", e se tudo correr bem, começar a rodá-lo no final do ano.

Até lá, vai preparar os projectos para as longas metragens de Ivo Ferreira e de João Nicolau, e estrear três filmes - dois são produções internacionais que não tiveram dinheiro português, e um outro, o documentário "Terra de Ninguém" de Salomé Lamas, feito com a boa vontade e lealdade da equipa técnica. Luis Urbano acredita que o filme vai ter uma carreira internacional, a partir do Festival de Berlim, para onde foi selecionado, que pode servir para pagar à equipa envolvida.

A paralisação do sector em 2012 e as incertezas de 2013 não são novidade para Paulo Branco, que admite já ter passado por situações complicadas durante a década de 80. O produtor antecipa um ano difícil e de batalha, mas no caso da Leopardo Filmes vai ser também um ano de trabalho, por conta das co-produções internacionais que vai rodar este ano.

Um desses projectos é o novo filme da atriz e realizadora Fanny Ardant, que roda "Cadências Obstinadas", em Lisboa, com a participação de Asia Argento e dos portugueses Nuno Lopes e Ricardo Pereira. Lá mais para a frente, Paulo Branco ainda vai produzir um filme rodado no Porto e que terá David Cronenberg no elenco.

A produtora TerraTreme tem apostado de forma discreta no cinema documental e tem sabido enfrentar os desafios colocados a um género que ainda tem dificuldade em furar o esquema da exibição comercial.

Em 2013, a produtora vai andar ocupada com a rodagem de seis filmes, que já tinham financiamento em concursos anteriores, mas que só agora vão ser concretizados. Mais do que responder à situação de crise, João Matos explica que a produtora tem uma disciplina fundamental de deixar que os projectos possam ser amadurecidos no tempo.

Além de vários documentários, a Terratreme vai também produzir uma ficção, o novo filme de Jorge Silva Melo, o encenador que regressa ao cinema com "Fábrica de Nada – Entre Cinzeiros e Robôs".

2013 vai marcar também a estreia na longa metragem do jovem João Salavisa que tem no currículo uma Palma em Cannes e um Urso em Berlim para curtas metragens. Maria João Mayer da Filmes do Tejo explica que o filme "Montanha" já foi aprovado e está em fase de pré- produção. A outra aposta para 2013, é uma longa metragem de Gabriel Abrantes.

As duas rodagens ainda estão à espera do dinheiro para avançarem mas a produtora acredita que será possível filmar, e tem confiança na direcção do ICA para garantir que 2013 possa ser um ano de recuperação e para voltar a afirmar a produção do cinema nacional.

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