A China de Jia Zhang-Ke
Jia Zhang-Ke em rodagem: revendo e reavaliando a história da China

Cannes 2015  

A China de Jia Zhang-Ke

Brilhante retratista da história moderna da China, Jia Zhang-Ke está de volta com o magnífico "Mountains May Depart", um filme em três capítulos situados, sucessivamente, em 1999, 2014 e... 2025!

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 A China de Jia Zhang-Ke
Se as Montanhas se Afastam China, final de 1999. Tao, uma jovem rapariga de Fenyang é cortejada por dois amigos de infância, Zhang e Lianzi.Zhang, proprietário de uma estação de serviço, tem reservado para si um futuro prometedor, ao passo que Liang trabalha numa mina de carvão. Com o coração dividido entre os dois homens, Tao vai ter de fazer uma escolha que irá marcar o resto da sua vida e da do seu futuro filho, ...
Média Cinemax:
4.167

A obra do chinês Jia Zhang-Ke está entrelaçada com a história do seu país. Para citarmos apenas dois exemplos, lembremos "Plataforma" (2000), com o seu retrato dos efeitos da Revolução Cultural, e "24 City" (2008), registando as transformações de Pequim antes dos Jogos Olímpicos. Presente na competição de Cannes com "Mountains May Depart", Jia Zhang-Ke mantem-se fiel aos seus pressupostos.

Com alguma ironia, apetece dizer que estamos perante um filme que tende do realismo para a ficção científica... Isto porque "Mountains May Depart" se divide em três capítulos: o primeiro situa-se em 1999 e dá-nos a conhecer as atribulações de um trio de jovens (dois rapazes e uma rapariga); o segundo, em 2014, observa a acidentada evolução das suas relações; enfim, o terceiro projecta as suas histórias em... 2025!

Escusado será dizer que não estamos perante um filme "futurista". O desenlace do filme decorre de uma especulação dramática perfeitamente verosímil, observando a crescente diferenciação entre gerações (e classes!), inclusive prevendo nos mais jovens a perda de contacto, não apenas com o território chinês, mas também com a língua. Nesta perspectiva, podemos definir "Mountains May Depart" também como um fresco histórico sobre as formas de ocidentalização do país ao longo das últimas duas décadas.

Jia Zhang-Ke, entenda-se, não explora abstracções "sociológicas". "Mountains May Depart" afirma-se como um minucioso trabalho sobre as relações humanas, sabendo coleccionar gestos e comportamentos individuais que são sinais de fenómenos muito mais amplos. Enfim, é sempre bom encontrar um filme que, a partir de personagens muito concretas, sabe enfrentar a densidade da história colectiva.

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publicado 22:57 - 19 maio '15

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