A Primavera do cinema português
Lopez de Ayala Pilar, a Angélica no novo filme de Manoel de Oliveira

Cinema Português  

A Primavera do cinema português

No primeiro trimestre do ano estrearam apenas quatro filmes portugueses. Esse número vai disparar nos meses de Abril e Maio com a estreia de sete filmes.

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Lara Marques Pereira destaca os filmes portugueses que vão estrear nas próximas semanas

Algures entre os primeiros calores da Primavera e os meses realmente quentes de Verão, o cinema português tem calendário próprio. O mês de Abril começou com dois filmes em cartaz - "A Espada e a Rosa", de João Nicolau e "15 Pontos na Alma", de Vicente Alves do Ó.

A estreia destas obras abrem uma janela de visibilidade para a recente produção nacional, já que até meados meados de Maio ainda vão estrear mais cinco filmes.

Entre os filmes que surgirão nas salas nas próximas semanas estão as primeiras longas-metragens de três realizadores (João Nicolau, Vicente Alves do Ó e João Nuno Pinto) e surgirão dois documentários que obtiveram grande reconhecimentoem festivais de cinema ("48" e "Cidade dos Mortos").

Haverá ainda espaço para estrear, tardiamente, o mais recente filme de Ivo Ferreira ("Águas Mil", que foi filmado em 2009) e o "Estranho Caso de Angélica", de Manoel de Oliveira, já exibido por ocasião do aniversário do realizador, em Dezembro passado, no festival Luso Brasileiro de Santa Maria da Feira, e estreado mundialmente há quase um ano, no Festival de Cannes.   

Em exibição (7 de Abril): "15 Pontos na Alma" de Vicente Alves do Ó e "A Espada e a Rosa" de João Nicolau (ficções)

 

A primeira longa metragem na carreira de João Nicolau é uma espécie de aventura marítima com a história de um rapaz que decide abandonar a rotina e viajar numa caravela portuguesa do Século XV.

Vicente Alves do Ó já assinou vários argumentos, um romance e curtas-metragens mas demorou até conseguir erguer o projecto para a primeira longa no cinema. O filme foi rodado em 2008, e deveria ter estreado ainda em 2009, mas só agora conseguiu visibilidade nas salas.

Em exibição (14 de Abril): "A Cidade dos Mortos" de Sérgio Tréfaut (documentário)


No Cairo, os cemitérios podem ser lugares de vida, ocupados desde os anos 60, a população migrante dos campos .

O realizador que passou meses na capital do Egipto, entre os anos 2004 e 2009, foi captando esse modo de vida entre os mortos sepultados, e a forma como as populações que ocupam os cemitérios de outros tempos, se relacionam com a vida e a morte.









Em exibição (21 Abril): "48" de Susana de Sousa Dias (documentário)


O título é tirado do número que anos que durou a ditadura fascista em Portugal entre 1926 e 1974.

O filme revela os vestígios desse tempo, através de fotografias comentadas pelos protagonistas com relatos de torturas a que foram sujeitos nas mãos da Pide.

O terceiro documentário de Susana de Sousa Dias, foi Grande Prémio da edição do ano passado do Festival do Cinéma du Réel em França, um dos grandes acontecimentos do cinema documental na Europa.

 

 

 

 

28 Abril: "O Estranho Caso de Angélica" de Manoel de Oliveira (ficção)


Teve estreia mundial no Festival de Cannes 2010 e depois disso, no mesmo ano, passou pela Mostra de Cinema de São Paulo.

A mais recente ficção do veterano do cinema conta a história de um fotógrafo contratado para captar a imagem da jovem Angélica no leito de morte, e de como essa imagem o vai perseguir e perturbar.

Depois de "O Estranho Caso de Angélica", Manoel de Oliveira fez a curta "Painéis de São Vicente de Fora - Visão Poética" e tem planos para adaptar contos de Machado de Assis, no filme "A Igreja do Diabo", rodado no Rio de Janeiro, com Fernanda Montenegro.

 

 

 

12 de Maio: "Águas Mil" de Ivo Ferreira (ficção)


A segunda longa metragem de Ivo Ferreira foi rodada durante o Verão de 2007, e o realizador tinha vontade estrear o filme no ano seguinte por altura do 25 de Abril.

"Águas Mil" acabou por não chegar ao circuito de exibição, mas entrou no painel de competição do Festival IndieLisboa.

Com um atraso considerável Ivo Ferreira consegue mostrar agora em sala, a história de um jovem que parte para Espanha em busca de explicações sobre a vida e o passado do pai, que desapareceu quando ele tinha 6 anos.

Uma viagem que o leva de volta ao período pós-25 de Abril para descobrir a história de família, mas também traços da história de Portugal, na ressaca da revolução dos cravos.

 


26 Maio: "América" de João Nuno Pinto (Ficção)

A primeira obra de João Nuno Pinto parte de um conto escrito por Luísa Costa Gomes, trabalhado pelo dois para se transformar em argumento. "América" faz o retrato de Portugal, país de sonhos, destino de imigração de milhares de cidadãos da Europa de Leste , Africa e Brasil, à procura de uma nova vida e oportunidades.

Mas este é também um país que não consegue cumprir a promessa deixando imigrantes e residentes encalhados nos sonhos por cumprir.

O realizador João Nuno Pinto assume um tom de comédia burlesca para contar uma história irónica e trágica, e vincou os ambientes com banda sonora dos Dead Combo.

"‘América" foi filmado entre 2008 e 2009 no Concelho de Almada, entre a Costa da Caparica e a Cova do Vapor e é o resultado de uma co -produção entre Portugal, Brasil, Noruega e Rússia. Vai passar primeiro pelo Festival Indie Lisboa e só depois vai para o circuito de exibição comercial.

 

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