A arte primitiva de Hayao Miyazaki
Um universo que permanece fiel
às técnicas e valores tradicionais da animação

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A arte primitiva de Hayao Miyazaki

Chegou às salas "Ponyo à Beira-mar", mais um filme do mestre japonês dos desenhos animados — para contrapor à vaga digital

Subitamente, percebemos que a noção de desenho animado digital pode estar a condicionar a nossa própria relação com a animação cinematográfica. Não que, desde o impacto de "Toy Story" (1995), não haja coisas maravilhosas feitas com as novas tecnologias. Em todo o caso, essa não é uma boa razão para menosprezarmos a tradicional animação e... o desenho manual — a prova chama-se "Ponyo à Beira-mar".

Não é uma surpresa. Afinal de contas, o realizador Hayao Miyazaki (nascido em Tóquio, em 1941) é um mestre reconhecido por um universo muito particular, nomeadamente através de títulos como "A Princesa Mononoke" (1997) ou "A Viagem de Chihiro" (2001). O certo é que ele persiste como um genuíno primitivo, quer dizer, alguém que resiste aos avanços do digital, no essencial preservando a arte tradicional dos desenhos animados.

Nessa perspectiva, a história de um peixinho dourado — que conhece uma criança e quer, por qualquer meio, adquirir dimensão humana — remete-nos para as delícias clássicas da fábula e, em particular, para os dramas e alegrias do equilíbrio familiar. Será um paradoxo, mas podemos reconhecer Miyazaki como um herdeiro directo da tradição de Walt Disney (1901-1966). Ironicamente, ou talvez não, entre a lista de coprodutores de "Ponyo à Beira-mar" surgem os... estúdios Disney.





PONYO À BEIRA MAR

De Hayao Miyazaki
com Yuria Nara, Jôji Tokoro, Hiroki Doi
Animação
100m
M/6
JAPÃO
2009






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