A balada feliz de Kim Ki-duk
Mãe e filho em "Pietà": a escultura renascentista de Michelangelo Buonarroti inspira uma nova visão artística de Kim Ki-duk.

Cinema AsiáticoFestivalVeneza 2012  

A balada feliz de Kim Ki-duk

Kim Ki-duk obteve a consagração máxima em Veneza, dois anos depois de ter experimentado a reclusão total. De "Arirang" a "Pietà", a história de uma ressurreição em dois filmes...

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 A balada feliz de Kim Ki-duk
Pietà "Pieta" é um filme melodramático e humanista que utiliza a violência e a brutalidade para abordar, de uma forma bastante criativa e intelectual, os limites emocionais do ser humano e da redenção.
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Kim Ki-duk premiado com o Leão de Ouro Filme sobre o capitalismo extremo ganha prémio máximo do Festival de Veneza; "The Master" de Paul Thomas Anderson é o filme mais premiado.
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Kim Ki-duk entre o despojamento e a glória

Em 2011 Kim Ki-duk chegou ao festival de cinema de Cannes com "Arirang", um filme documental, em jeito de ensaio auto-biográfico, que, surpreendentemente, ganhou a secção “Un Certain Regard”.

Este é uma auto-reflexão artística de um cineasta em estado de assumida decadência, vivendo uma depressão aguda, isolado numa barraca sem electricidade, num monte rural da Coreia do Sul. A câmara capta Kim Ki-duk a denunciar as suas frustrações com os amigos que o abandonaram, a indústria cinematográfica nacional que nunca o reconheceu, isto enquanto revê os seus filmes anteriores e os prémios conquistados nos principais certames do cinema europeu.

Atribui boa parte do seu débil estado mental a um acidente na rodagem do filme "Dreams" que quase vitimou a actriz principal. Kim Ki-duk conclui o filme entoando uma canção folk chamada "Arirang" que é uma espécie de grito ancestral, a mais antiga canção tradicional coreana, uma oração para recuperar a força e a vontade de viver.

É neste contexto que Ki-duk parte para "Pietà", uma história que segue um jovem cobrador de dividas a comerciantes quase falidos e uma mulher que diz ser sua mãe. Resume a tragédia dos nossos dias, em que o dinheiro se sobrepõe à vida humana, num cenário de crueldade extrema.
  Um prémio que faz história
Quando foi premiado em Veneza, Kim Ki-duk, 51 anos, agradeceu o prémio dedicando uma palavra ao júiri, ao festival e ao público italiano. Mas surpeendeu interpretando, novamente, o tema "Arirang". Foi um momento de felicidade para o maverick do cinema sul-coreano, um talento reconhecido pelo festival de Veneza: há 12 anos causou incómodo com as marcantes cenas de anzóis do filme "A Ilha" e em 204 ganhou o prémio de realização com "Ferro 3".

A consagração chegou envolta em especulação sobre a justeza da decisão do júri. O filme "The Master", de Paul Thomas Anderson foi distinguido com prémios de interpretação e melhor realização, o que levou a revista Hollywood Reporter a citar uma fonte que apontava o filme de Paul Thomas Andersdon como sendo o preferido do júrin e referindo que Kim Ki-duk poderia ter sido favorecido por uma regra que impede a acumulação do Leão de Ouro com outro prémio.

O presidente do júri, Michael Mann, esvaziou a controvérsia salientando que este palmarés resultou das deliberações do júri e teve em conta o regulamento do festival.

A decisão faz história já que esta é a primeira vez que um filme coreano ganha o prémio máximo num dos três principais festivais de cinema: Veneza, Cannes e Berlim.

O seu renascimento artístico acontece na Europa e num meio que reconhece a sua perspetiva mais excêntrica e o talento de um autor que nunca frequentou uma escola de cinema.

Kim Ki-duk cresceu na pobreza, deixou a escola aos 14 anos e trabalhou como operário de uma fábrica antes de ir para Paris onde estudou artes plásticas. Com 30 anos voltou para a Coreia, começou a escrever argumentos e fez seu primeiro filme em 1995. Ele é considerado o dissidente do cinema coreano devido aos seus filmes, muitas vezes perturbadores e violentos.

Na Coreia, "Pietà" está em exibição, registando pouco mais de de 10 mil bilhetes vendidos por dia. É muito pouco mas os direitos do filme já foram vendidos para mais de 20 países em todo o mundo. Mesmo depois do  reconhecimento em Veneza, o realizador continua a ser mais considerado no exterior do que no seu país.


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