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À descoberta de Alice Guy-Blaché

Alice Guy-Blaché ocupa um lugar de destaque entre os pioneiros do cinema — agora, um documentário realizado por Pamela B. Green, procura devolver-nos a singularidade da sua história e dos seus dotes artísticos.

À descoberta de Alice Guy-Blaché
Alice Guy-Blaché, pioneira do cinema
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 À descoberta de Alice Guy-Blaché
Be Natural – A História Nunca contada de Alice Guy-Blaché Quando realizou o seu primeiro filme em 1896, em Paris, Alice Guy-Blaché não foi apenas a primeira realizadora, foi também inovadora na forma como se serviu do cinema para contar uma história. Be Natural – A História Nunca contada de Alice Guy-Blaché – A Primeira Mulher Realizadora da História do Cinema, narrado por Jodie Foster e realizado por Pamela B. Green, retrata a carreira desta secretária ...

Por ironia ou desencanto, podemos dizer que Alice Guy-Blaché (1873-1968) é um dos segredos mais bem guardados da história do cinema. De facto, a sua condição de pioneira não se esgota no facto de ter sido uma pioneira feminina. Ela foi também uma pioneira do próprio cinema, uma vez que começou a realizar filmes em 1896 ("La Fée aux Choux"), isto é, um ano depois de os irmãos Lumière terem promovido a primeira sessão pública do cinematógrafo.

O filme "Be Natural - A História Nunca Contada de Alice Guy-Blaché", de Pamela B. Green, com narração de Jodie Foster, possui o fundamental valor de dar visibilidade à história e à obra de Alice Guy-Blaché. Entenda-se: ao modo como ela foi, de facto, uma notável criadora, da produção à rodagem dos filmes, sem esquecer a atenção ao trabalho dos actores.

"Be natural" — à letra: Sê natural — era mesmo uma expressão que, com intuito didáctico, ela colocou num grande cartaz no seu estúdio, apostando em suscitar nos actores uma "naturalidade", porventura um "naturalismo", que os libertasse de qualquer dependência do teatro.

É pena que o filme confunda abundância de informação com clareza informativa. De facto, "Be Natural" está concebido como um artigo jornalístico lido em off, servindo as imagens apenas para "ilustrar" o que é dito — sempre de modo acelerado, impedindo quase sempre uma visão minimamente compensadora; até mesmo os extractos dos filmes de Alice Guy-Blaché surgem de tal modo fragmentados, entrecortados com outras informações, que se torna difícil apreciar a sua singularidade.

Fica, de qualquer modo, a certeza de que Alice Guy-Blaché foi, em última instância, uma genuína narradora, capaz de pressentir os elementos específicos (escala, duração, montagem, etc.) da linguagem cinematográfica. Eis o exemplo, insólito, perverso e actualíssimo de "Les Résultats du Féminisme" (1906).

Crítica de João Lopes
publicado 01:15 - 06 junho '21

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