A música folk revisitada pelos irmãos Coen
Em "Inside Llewyn Davis", os irmãos Coen filmam os ambientes da música folk no começo dos anos 60

Cannes, dia 5: INSIDE LEWYN DAVIS  

A música folk revisitada pelos irmãos Coen

Vencedores de uma Palma de Ouro ("Barton Fink"), Joel e Ethan Coen estão de regresso a Cannes com um filme recheado de música: "Inside Llewyn Davis" conduz-nos a um momento emblemático da folk.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 A música folk revisitada pelos irmãos Coen
A Propósito de Llewyn Davis A vida de um jovem cantor folk no universo musical de Greenwich Village em 1961. Llewyn Davis encontra-se numa encruzilhada. Enquanto que um inverno rigoroso assola Nova Iorque, o jovem, com a guitarra na mão, luta para ganhar a vida como músico, e enfrenta obstáculos que parecem insuperáveis – começando pelos obstáculos que ele próprio criou. Sobrevive graças à ajuda dos amigos ou de ...

O protagonista do novo filme de Joel e Ethan Coen é Llewyn Davis, um cantor folk do começo dos anos 60 e surge interpretado por Oscar Isaac, ele próprio emprestando a sua voz às canções (Isaac já teve uma banda, em Miami). Entre os actores secundários, surge Justin Timberlake. Enfim, uma parte significativa da acção tem lugar em cenários de Greenwich Village, retratando um tempo em que a folk (Dylan estava a chegar...) era uma das linguagens vitais das transformações sociais e políticas.

Dito isto, poderemos perguntar: "Inside Llewyn Davis" é, então, um filme musical? Ou, pelo menos, um filme sobre os particularismos da folk? A resposta é necessariamente plural: sim, porque os irmãos Coen se interessam pelas singularidades de um momento em que, na sociedade americana, os sinais de mudança coexistiam com as marcas de fortíssimas tradições; não, porque Llewyn, muito à semelhança do frágil herói que os Coen retrataram em "Um Homem Sério" (2011), vive um drama existencial que, mesmo quando está recheado de humor, envolve uma misteriosa demanda filosófica. A saber: como pertencemos, ou não pertencemos, ao nosso tempo? Ou ainda: como, e através de quê, consolidamos a nossa identidade?

Creio bem que, tendo em conta o facto de já terem sido distinguidos várias vezes em Cannes, incluindo com uma Palma de Ouro ("Barton Fink", 1991), os Coen são realizadores que, por assim dizer, correm por fora... Em todo o caso, em termos muito subjectivos, creio também que não haverá muitos filmes do festival deste ano que consigam dar mostras de uma mise en scène tão rigorosa e sofisticada, colocando em cena de forma tão elaborada (e contida!) as dicotomias individual/colectivo e história privada/história colectiva.

Além do mais, "Inside Llewyn Davis" vai ficar também como mais um exemplo de excelência musical, não admirando que a respectiva banda sonora consiga um êxito tão significativo como a de "Irmão, Onde Estás?" (2000). Pormenor nada secundário: em ambos os casos, na produção musical, os Coen contaram com a requintada contribuição de T Bone Burnett.

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publicado 16:26 - 19 maio '13

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