A queda de Harvey Weinstein

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A queda de Harvey Weinstein

Um artigo do The New York Times revela o longo historial de casos de assédio sexual por parte do fundador da Miramax e da Weinstein Co.

Harvey Weinstein foi acusado de assédio sexual num artigo publicado no jornal norte-americano The New York Times.

De acordo com o artigo, o produtor responsável por uma longa lista de filmes vencedores dos Oscars terá estabelecido acordos extrajudiciais com oito mulheres que se queixavam de terem sido vítimas de contacto físico indesejado e assédio de natureza sexual. Entre elas, a atriz Rose McGowan, uma modelo e duas assistentes. Os casos terão ocorrido num período de 30 anos.

Ashley Judd é citada pelo The New York Times e fala de um encontro com Weinstein num quarto de hotel há 20 anos. O produtor terá pedido para dar uma massagem à atriz e perguntado se ela gostaria de o ver a tomar duche.

A reação de Harvey Weinstein, de 65 anos, surgiu a dois tempos. Primeiro, pediu "sinceras desculpas" pelo seu comportamento justificando-se com o facto de ter crescido "nos anos 60 e 70 quando as regras sobre comportamento nos locais de trabalho eram diferentes" e garantiu, num depoimento ao Times, "que está a tentar melhorar" apesar de admitir que "o caminho será longo". Adiantou também ter contratado terapeutas e que pensava "ausentar-se da empresa de forma a lidar com estes problemas". Depois, um dos seus advogados considerou as afirmações do jornal "difamatórias" e informou que irá avançar com um processo em tribunal.

Entretanto, esta terça-feira, a atriz britânica Romola Garai relatou ao jornal britânico The Guardian uma situação semelhante com Weinstein que a terá recebido em roupão de banho durante um processo de casting.

Harvey Weinstein e o seu irmão Bob criaram nome em Hollywood após formarem a Miramax em 1979. O pequeno estúdio independente tornou-se conhecido por apostar em filmes que viriam a ganhar Oscars, como "A Paixão de Shakespeare", ou "Chicago". Também produziram e distribuiram os primeiros filmes de Quentin Tarantino, incluindo "Reservoir Dogs" e "Pulp Fiction". Em 2005, venderam a empresa à Disney. Pouco depois, surgia a The Weinstein Company, a mesma que, no domingo, à luz do escândalo, tomou a decisão de despedir Harvey.

As reações dos principais nomes de Hollywood começam a chegar.

Judi Dench reconhece que Weinstein ajudou a sua carreira nos últimos 20 anos, mas afirma não ter conhecimento dos casos de assédio. Ao mesmo tempo elogia quem teve a coragem de falar e mostra a sua simpatia para com as vítimas.

Meryl Streep, também garante desconhecer estes casos e qualifica o comportamento do produtor como "indesculpável".

Glenn Glose admite ter conhecimendo de rumores sobre as atitudes menos respeitosas de Harvey Weinstein para com as mulheres e pede uma mudança de comportamento em todo o setor.

Outros que se juntaram na condenação incluem os realizador Kevin Smith e James Gunn e as atrizes Kate Winslet, Patricia Arquette e Lena Dunham.

Só a designer de moda Donna Karen veio a público defender Weinstein considerando que "as mulheres devem avaliar como apresentam a sua sexualidade", uma opinião controversa que deu origem a uma onda de reações negativas.

Weinstein, casado com a estilista Georgina Chapman, é a mais recente figura da indústria norte-americana de comunicação e entretenimento envolvida em casos de assédio sexual. Segue-se a Roger Ailes, diretor da Fox News, forçado a demitir-se em julho de 2016, ao apresentador de notícias Bill O'Reilly, despedido em abril deste ano, e aos processos de abuso sexual contra Bill Cosby instaurados por 50 mulheres e que serão alvo de segundo julgamento em 2018.

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