A solidãosegundo Nanni Moretti
Nanni Moretti e Blu Yoshimi: um filme italiano que mostra que o cinema psicológico continua vivo

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A solidão
segundo Nanni Moretti

"Caos Calmo" proporciona um reencontro com Nanni Moretti, desta vez na dupla qualidade de argumentista e actor principal

A obra de Nanni Moretti reflecte as convulsões da moderna sociedade italiana, ao mesmo tempo que possui uma fortíssima dimensão universal. Tudo isso, importa sublinhá-lo, através de histórias que evitam generalizações fáceis, mergulhando nos dramas individuais, por vezes com claríssimas e assumidas conotações autobiográficas.

Daí que seja difícil não ver o filme "Caos Calmo", de Antonello Grimaldi, como um prolongamento da sua obra de actor/argumentista/produtor/realizador, nomeadamente de filmes como "Querido Diário" (1993) e "O Quarto do Filho" (2001).

Desta vez como co-autor do argumento e intérprete principal, Moretti surge no centro de uma peculiar e, em muitos aspectos, desconcertante história de solidão. Ele é um administrador de uma empresa de televisão que, na sequência da morte acidental da mulher, passa os dias em frente ao colégio da filha, "apenas" esperando a sua saída...

"Caos Calmo" transforma-se, assim, num exercício de descoberta que nos leva a questionar as ilusões de felicidade que, não poucas vezes, alimentamos. Além do mais, o filme prova que o chamado retrato psicológico é um género que está longe de ter os dias contados, sobretudo quando sabe demarcar-se dos estereótipos dramáticos e morais de muitas ficções de raiz televisiva.

Ouça a crítica de João Lopes

CAOS CALMO - CAOS CALMO, De Antonio Luigi Grimaldi, com Nanni Moretti, Valeria Golino, Alessandro Grassman; Drama, Romance; 107m; GB/ITA; 2008

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publicado 17:35 - 29 janeiro '09

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