A tragédia segundo Jacques Audiard
Marion Cotillard e Matthias Schoenaerts: sob a direcção de Jacques Audiard

Cannes 2012  

A tragédia segundo Jacques Audiard

Jacques Audiard, o cineasta de "De Tanto Bater o Meu Coração Parou" e "O Profeta", está de volta à competição de Cannes. Com um filme, uma vez mais, enraizado no notável trabalho dos actores.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 A tragédia segundo Jacques Audiard
Ferrugem e Osso Tudo começa no Norte. Ali depara-se com a responsabilidade de ficar com Sam, o filho de 5 anos, nos braços. É filho dele mas mal o conhece. Sem casa, nem dinheiro, nem amigos, Ali encontra refúgio em casa da irmã em Antibes, no Sul de França. Ela acolhe-os, trata do pequeno e até o clima parece ajudar. Após uma luta numa discoteca, o seu destino cruza-se com o de Stéphanie. Ela leva-o para casa e ...
Média Cinemax:
4.167

É, por certo, uma história improvável... Mas o mérito de um cineasta pode consistir em lidar com essa improbabilidade, conferindo-lhe a vibração própria de um quadro de vida, qualquer coisa em que pressentimos a urgência, a carne e o sangue de personagens que parecem existir tanto (ou mais?...) que o próprio espectador. Regressado à competição de Cannes, Jacques Audiard volta a lidar com tudo isso.

"De Rouille et d'Os" (à letra: "Ferrugem e Ossos") lida com todos esses factores para encenar a desconcertante ligação entre uma jovem que integra a equipa de um parque aquático e um desempregado que chega, com o filho, ao sul de França: ela sofre um acidente brutal, durante uma apresentação de orcas amestradas, ficando com as pernas amputadas pelo joelho; ele é recebido pela irmã, começando a mover-se num território de golpes mais ou menos marginais.

Definir o cinema de Audiard como realista parece óbvio, mas também inevitavelmente discutível. Por um lado, é verdade, ele mantém uma atenção obsessiva aos mais discretos detalhes do quotidiano e, sobretudo, à irredutibilidade de cada corpo. Mas, por outro lado, há no seu cinema um sentimento interior de assombramento (ou de resistência às suas leis) que lhe empresta uma dimensão genuinamente trágica.

Como sempre, também em "De Rouille et d'Os", tudo passa pelo trabalho dos actores. Graças a requintados efeitos especiais, a amputação das pernas da personagem feminina é impressionante, mas a composição de Marion Cotillard, intensa e elaborada, transcende qualquer "truque" técnico. Quanto a Matthias Schoenaerts, revela-se um caso especial de secura e subtileza emocional. Não será surpresa se algum deles, ou os dois, surgirem no palmarés.

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publicado 23:39 - 17 maio '12

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