A vingança de Johnnie To
A memória de Johnny Hallyday

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A vingança de Johnnie To

Johnnie To capitaliza com o actor Johnny Hallyday um filme bem elaborado, em que o argumento supera o lado coreográfico das cenas de acção.

Johnnie To assumiu-se desde a década de 90 como o mais profícuo cineasta de filmes de “gangsters”. Habitual frequentador de festivais de cinema de primeira linha, ainda procura o reconhecimento de um grande prémio que lhe falta no currículo.

Realizador de vastos recursos técnicos, as encenações de cenas de acção com o inevitável “slow motion” são a sua imagem de marca. Mas o facto do estilo chinês de construir histórias no cinema ter quase sempre um número impressionante de personagens centrais, leva a que muitas vezes seja difícil apropriarmo-nos dos seus universos pessoais.

Em “Vengence”, Johnnie To esforça-se por superar este problema. Costello (Johnny Hallyday, a recuperação de uma das maiores estrelas francesas dos últimas décadas para um arrojado papel), é um “chef” com um restaurante em Paris que chega a Hong Kong para vingar a filha dele, em coma no hospital, após a família ter sido assassinada.

Sem contactos locais, uma coincidência leva-o a contratar três assassinos a soldo. Entrega-lhes uma avultada soma de dinheiro e oferece-lhes o restaurante em troca de uma vingança, contra os autores do crime. Olho por olho, dente por dente.

Porém, este pai vive com a situação eminente de perda da memória. A incapacidade de recordar o passado será impedimento para realizar a vingança? O segredo da história está na forma como Johnnie To gere a relação entre estas personagens de meios culturais distintos e longínquos. A honestidade de Costello permite estreitar os laços de amizade com a equipa que contratou para o trabalho e assim criar um verdadeiro espírito de irmandade.

A  integridade e os princípios acabam por se sobrepor a qualquer possibilidade de oportunismo pessoal. “Vengence” é um prenuncio de evolução no cinema de um autor chamado Johnnie To.

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