APOCALYPSE NOW (1979)
Marlon Brando — memórias do Vietname, um clássico absoluto do cinema

DVD Memória  

APOCALYPSE NOW (1979)

Desde a estreia de "Apocalypse Now" até à divulgação da sua versão final decorreram nada mais nada menos que 40 anos — o clássico de Francis Ford Coppola é um filme do passado, presente e futuro.

A história de “Apocalypse Now” passou a definir uma espécie de trilogia: primeiro, surgiu a versão de 1979, com que Francis Ford Coppola ganhou o Festival de Cannes; depois, em 2001, Coppola achou por bem acrescentar algumas cenas que tinham ficado de fora, lançando “Apocalypse Now Redux”; este ano, 2019, estabeleceu a versão final, o seu “Final Cut”. Como ele próprio explica, queria fazer uma versão de que realmente gostasse, com uma duração intermédia em relação às versões anteriores. De tal modo que, agora, as imagens de “Apocalypse Now” têm melhor aspecto do que nunca e a banda sonora soa como nunca soou — eis a sua explicação.



Vale a pena aceitar o convite de Coppola. As versões anteriores eram esplendorosas, mas agora, mais do que nunca, dir-se-ia que a crueldade da guerra, no seu misto de intimismo pessoal e tragédia colectiva, está presente a partir do momento em que começamos a ouvir as palavras de Martin Sheen, de alguma maneira antecipando o seu encontro com a personagem imensa e perturbante de Marlon Brando — as imagens são as mesmas, mas dir-se-ia que há um novo suplemento emocional.


“A Cavalgada das Valquírias”, de Richard Wagner, ficou como um dos emblemas musicais de “Apocalypse Now”. Aliás, há uma musicalidade de acontecimentos e contrastes na narrativa de Coppola que passa pela sábia utilização de temas exemplares do mundo do rock — no arranque do filme, os sons dos helicópteros confundem-se com os primeiros acordes de “The End”, um clássico absoluto da banda de Jim Morrison, The Doors.


“Apocalypse Now” começa por ser um filme sobre o seu próprio presente, mais concretamente, sobre o modo como a sociedade americana lidou com as memórias traumáticas da guerra do Vietname (concluída com a queda de Saigão, em Abril de 1975). Seja como for, a sua intensidade transcende qualquer época e qualquer contexto, afirmando-se como parábola universal sobre o Bem e o Mal, a satisfação e a insatisfação... com uma ajudinha preciosa, na banda sonora, dos Rolling Stones.

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publicado 21:29 - 28 dezembro '19

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