Amália - o (tele)filme
Sandra Barata Belo na casa de Amália

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Amália - o (tele)filme

A abordagem da vida de Amália Rodrigues fica-se pelas regras mais banais da ficção televisiva

Bem sabemos que, hoje em dia, da produção à difusão, não é possível fazer/pensar o cinema sem passar pela televisão. Seja como for, isso não nos deve impedir de reconhecer que há sectores significativos da produção cinematográfica que estão a ser contaminados pelas regras mais banais da ficção televisiva. No cinema português, por exemplo — e, agora, com "Amália - O Filme".

Na prática, assistimos a um dispositivo típico de telenovela: a personagem tem um destino "traçado" (introduzido pelas duas cenas iniciais: no pós-25 de Abril e em Nova Iorque) e, a partir daí, tudo serve para "confirmar" os maniqueísmos dramáticos com que a narrativa se inicia.

Além do mais, dos cenários ao guarda-roupa, predomina o espírito decorativista da televisão mais rotineira, sem que haja um verdadeiro trabalho de caracterização das personagens, nem mesmo no plano psicológico — a Amália Rodrigues de "Amália - O Filme" é, no sentido mais superficial do termo, apenas pitoresca.

Saúda-se a diversificação da produção portuguesa (este é o primeiro filme da relançada marca "Valentim de Carvalho"). É pena que estejamos perante um projecto tão contaminado pelas formas mais simplistas de ficção audiovisual, afinal as mesmas que há mais de 30 dominam os horários nobres das televisões e, objectivamente, empurraram quase todo o cinema para as madrugadas das programações.



AMÁLIA - O FILME De Carlos Coelho da Silva; com Sandra Barata Belo, Carla Chambel, Leonor Seixas; Drama; 127m; M/12; POR; 2008

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publicado 17:46 - 29 janeiro '09

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