Apenas uma dezena de estreias portuguesas
João Pedro Rodrigues e Rui Guerra da Mata premiados em Locarno no verão de 2012: "A Última Vez que Vi Macau" é uma das primeiras estreias de 2013.

Cinema Português  

Apenas uma dezena de estreias portuguesas

O CINEMAX antecipa o cartaz do cinema nacional em 2013. Após um ano sem financiamento vamos ver poucos filmes portugueses.

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O catálogo de estreias portuguesas vai refletir, em 2013, a falta de apoio público à produção em 2012. A ausência de qualquer concurso financeiro do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), entre outubro de 2011 e janeiro de 2013, limitou fortemente a produção de cinema nacional.

Assim, os filmes que vão chegar às salas durante o ano corrente foram produzidos antes da suspensão dos concursos, ou são co-produções com outros países e nem sempre implicaram financiamento português.

É um ano de recessão, em que rareiam as produções maioritariamente portuguesas. De acordo com as informações apuradas junto de oito produtores de cinema, é possível antecipar a estreia de 11 filmes, o que representa metade das obras distribuidas em sala nos dois anos anteriores. Destes, apenas quatro tem data de estreia.

A primeira estreia nacional de 2013 é o filme "Quarta Divisão" (28 fevereiro), que marca o regresso de Joaquim Leitão, com um policial sobre a operação desencadeada após o desaparecimento de uma criança. O filme foi produzido pela MGN de Tino Navarro, um produtor que normalmente estreia um filme por ano (ver artigo recomendado).

Segue-se a estreia do filme "A Última Vez Que Vi Macau" (14 março), realizado pela dupla João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata. O documentário recebeu, em agosto de 2012, uma menção especial do júri do Festival de Locarno, e depois disso foi filme de abertura do Doc Lisboa.

No final de 2012, foi apresentado no Lisbon & Estoril Film Festival, integrado numa homenagem aos dois autores. Só agora vai ter estreia nas salas nacionais com distribuição da Leopardo Filmes de Paulo Branco.

Uma das mais aguardas co-produções com presença portuguesa, através da Cinemate, é o mais recente filme de Bille August, "Comboio Nocturno para Lisboa". Trata-se de uma co-produção entre Alemanha, Suiça e Portugal, que reúne novamente o realizador com o ator Jeremy Irons - ambos tinham filmado "A Casa dos Espíritos".

O filme conta Beatriz Batarda e Nicolau Breyner, foi exibido fora da competição no Festival de Berlim e tem distribuição assegurada pela Zon Lusomundo em 21 de março.

A produtora Filmes do Tejo, tem uma única estreia prevista nas salas nacionais. É o filme "República di Mininos", do cineasta guineense Flora Gomes. Um co-produção que teve apoio financeiro do ICA, e que foi produzida ainda em 2011.

A estreia em sala acontecerá dois anos depois da rodagem. Está prevista para 2 de maio e será acompanhada de um circuito alternativo que passa por câmaras municipais, bairros e escolas.

Diversas co-produções e documentários sem data de estreia
O produtor e exibidor Paulo Branco conta estrear apenas um filme. "Photo" é a primeira longa metragem realizada pelo argumentista Carlos Saboga, que escreveu, recentemente, os argumentos de "Mistérios de Lisboa" e "As Linhas de Wellington".
 
O filme já passou pelo Festival de Cinema de Roma, foi rodado em Portugal mas o financiamento é francês. Em função disso terá estreia simultânea em França e Portugal, mas ainda sem data definida.

A Midas Filmes, produtora que trabalha com o realizador João Canijo, também tem uma única estreia nacional prevista para este ano e trata-se de uma versão alargada de uma curta-metragem.

"Obrigação" de decorre de uma encomenda feita em 2012 pelo Festival de Curtas Metragens de Vila do Conde a João Canijo. O filme vai ser reeditado com material que foi filmado e que não foi incluído na versão mais curta.

A Fado Filmes, do realizador Luís Galvão Teles, tem agendada a estreia de duas co-produções.

O filme "Os Insensíveis", de Juan Carlos Medina, que teve apoio financeiro do ICA, é uma produção partilhada com Espanha e França. Ainda não tem data anunciada para estrear nos cinemas, mas vai ser exibido no Fantasporto.

A outra produção europeia da Fado Filmes é "Miel de Naranjas", do realizador espanhol Imanol Uribe, que contou com participação portuguesa na equipa de filmagem e com a presença dos atores Carlos Santos e Marcantónio Del Carlo.

A produtora O Som e a Fúria é a companhia que tem mais filmes em catálogo, prevendo estrear três filmes, duas ficções e um documentário.

Durante o primeiro semestre de 2013 conta reunir condições de distribuição dos filmes "Demain", de Cristine Laurent, com elenco português garantido por Teresa Madruga, Adriano Luz e Beatriz Batarda, e "Canto de Darwin", de Diego Hernandez, uma produção maioritariamente uruguaia.

Finalmente, O Som e a Fúria deve assegurar a distribuição em sala do documentário "Terra de Ninguém" de Salomé Lamas, que foi um dos grandes vencedores do Doc Lisboa 2012, onde recolheu quatro prémios.

"Terra de Ningém" foi recentemente exibido no Festival de Berlim, na secção Fórum, destinada a filmes mais experimentalistas. O filme ganhou espaço em festivais e agora espera contrariar a pouca visibilidade que é dada aos documentários nas salas de cinema portuguesas.
 
Ainda na área do cinema documental, a produtora TerraTreme tem um catálogo recheado, mas enfrenta o grande desafio de conseguir visibilidade para os seus filmes.

No catálogo da produtora estão seis longas-metragens à espera de data e sala: "Lacrau" de João Vladimiro; "Revolução Industrial" de Frederico Lobo e Tiago Hespanha; "Cidades e Trocas” de Luísa Homem e Pedro Pinho; "Vida Activa" de Susana Nobre; "Todos os Dias das Nossas Vidas" de Joana Frazão e Raquel Marques; "Um Fim de Mundo" de Homem Cão em co-produção com Vende-se Filmes.

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