Arranque de Mulan desaponta

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Arranque de "Mulan" desaponta

Os primeiros números de bilheteira na China ficam abaixo do que seria de esperar.

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"Mulan" expõe os problemas na relação entre Hollywood e China O filme tornou-se alvo de críticas e apelos de boicote que levaram a situação para o campo político e diplomático.

A nova versão de "Mulan" estreou finalmente na China. Foi número um do box office durante o fim de semana, mas os 23,2 milhões de dólares em receita de bilheteira reportados deixaram um gosto amargo à Disney. Ficou a pouca distância do épico patriótico "The Eight Hundred" (#2 com 20,6 milhões de dólares e já no terceiro fim de semana nas salas) e abriu pior do que "Tenet" ($29,8M no fim de semana anterior). Previsões da indústria, citadas na imprensa norte-americana, falavam de uma estreia entre 30 e 40 milhões de dólares.

Há relatos de reações negativas entre os espectadores chineses. As queixas prendem-se com a falta de atenção aos detalhes, como o facto de um determinado género de casas não corresponder à zona onde o filme decorre, ou pela excessiva perfeição da personagem principal, que parece já nascer com as capacidades de um super-herói. Há ainda quem critique o olhar estereotipado que o ocidente tem da China, ou o uso excessivo de tiques de linguagem pouco naturais.

Outros filmes, estreados nas semanas após a reabertura pós-pandemia estão a funcionar melhor. "Love You Forever", estreia de 25 de agosto, soma $73M; "Tenet" está nos $51M após duas semanas; e "The Eight Hundred", o grande sucesso de bilheteira chinês, aproxima-se dos $400M após três semanas de exibição.

O mercado chinês está a ganhar ritmo apesar das limitações impostas na lotação das salas. De 500 mil dólares de box office diário em Julho, quando se deu a reabertura, a exibição já cresceu para perto dos 18 milhões, de acordo com o serviço de controlo de bilheteira Maoyan.

"Mulan" esteve previsto para o final de março, mas a pandemia forçou a Disney a atrasar a estreia. Vários atrasos depois, o estúdio decidiu não lançar o filme nas salas e passou-o diretamente para a Disney+, o novo serviço de streaming, onde ficou disponível num sistema premium. Países sem Disney+ como a Rússia, ou a China, puderam estrear a nova versão do clássico animado nos cinemas.

Portugal é um dos países excepção, onde filme só ficará disponível a 4 de dezembro, sem custos adicionais para os subscritores da Disney+.

Adaptado a partir do clássico de animação com o mesmo título, que por sua vez se inspirou numa lenda muito popular na China sobre uma jovem que se disfarça de homem para combater no exército imperial no lugar do pai doente, "Mulan" tem realizaçáo de Niki Caro e conta com a atriz Liu Yiefei como protagonista, ao lado de nomes estabelecidos do cinema chinês como Gong Li, Jet Li, ou Donnie Yen.

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publicado 14:35 - 15 setembro '20

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