As luzes de Tóquio chegaram a Cannes
Tóquio, perspectiva alucinante, no filme de Gaspar Noe

Cinema Europeu  

As luzes de Tóquio chegaram a Cannes

A tentação de filmar Tóquio em duas propostas bem distintas. Isabel Coixet explora uma possibilidade de amor. Já Gaspar Noe realiza viagem alucinogénica para além da morte.

Tóquio tem sido no imaginário criado pelo cinema, uma cidade à frente do seu tempo. Ridley Scott inspirou-se nela para criar o universo de ficção científica de “Blade Runner –Perigo Eminente”; mais recentemente Sofia Coppola serviu-se do ambiente da capital do Japão para compôr a história simples, mas sedutora de “O Amor é um Lugar Estranho”.

Coincidência ou talvez não, no mesmo dia e a concorrerem na competição oficial pela Palma de Ouro, passaram em Cannes dois filmes tendo como pano de fundo a metrópole de Tóquio.

Gaspar Noe, o cineasta do controverso “Irreversível”, mostrou no festival “Soudain le Vide”, um filme sobre a morte e a possível existência de uma vida para além dela. As luzes, os “neons”, os edifícios futuristas, os becos, as drogas psicadélicas e o “Livro dos Mortos”, por via da reflexão Tibetana budista acerca da reencarnação, motivaram Gaspar Noe para filmar em Tóquio.

Existe lá uma vibração de cores que potencia os movimentos de câmara sobre uma grua, numa manipulação com efeito narcótico, amplificada pelo transe hipnótico da música de Thomas Bangalter, dos Daft Punk. Tudo funciona no filme numa lógica tautológica e estonteante para os sentidos.

Isabel Coixet rodou em Tóquio “Map of the Sounds of Tokyo”, uma história de amor carnal entre um espanhol e uma assassina japonesa que trabalha no mercado de peixe.

Ela é contratada para o eliminar por um empresário incapaz de lidar com a dor do suicídio da filha, motivada pela paixão amorosa dela com esse homem. Porém, do encontro fortuito entre a assassina a soldo e o tal espanhol, dá-se uma estranha paixão carnal que termina sempre na mesma sala de um dos “hotéis do amor” de Tóquio.

A viagem de “Soudain le Vide”, a fazer lembrar aqueles filmes alucinantes de Ken Russell, dividiu claramente a plateia da crítica em Cannes.

Quanto a “Map of the Sounds of Tokyo” tem a pretensão de contar uma história de conflito sentimental entre dois amantes de culturas diferentes; todavia fica-se por uma amalgama de lugares comuns decalcados sem eficácia de “O Amor é um Lugar Estranho”, de uma mais talentosa cineasta chamada Sofia Coppola.

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publicado 00:57 - 24 maio '09

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