Autobiografia de Iosseliani... ma non troppo
Otar Iosseliani no seu próprio filme:
entre a crueza do drama e a ironia da comédia

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Autobiografia de Iosseliani... ma non troppo

Da Geórgia para a França: Otar Iosseliani continua a filmar as memórias paradoxais das suas origens e também da sua história pessoal.

Otar Iosseliani, cineasta da Geórgia, abandonou a URSS em 1982, escapando às interdições que minavam o seu trabalho. Não que ele não fizesse os filmes que queria... mas não eram mostrados. A viver em França desde essa altura, tem desenvolvido uma obra pessoalíssima que conserva as memórias nostálgicas das suas origens.

O caso de "Chantrapas" (apresentado numa sessão especial, extra-concurso de Cannes/2010) será aquele que mais se aproxima do retrato autobiográfico... mas só até certo ponto. Tal como Iosselliani (que também participa como actor), o jovem protagonista enfrenta a censura e decide tentar trabalhar em França; em todo o caso, o tom, a meio caminho entre o realismo e o absurdo, o drama e a comédia, funciona mais como parábola sobre as atribulações da criação artística.

Iosseliani é, afinal, um cineasta que acredita no cinema como algo que possui o poder de expor o sentido — e, sobretudo, o sem-sentido — de muitas formas do comportamento humano. Daí o paradoxo de um filme como "Chantrapas": por vezes, sentimo-lo próximo do desespero mais radical mas, ao mesmo tempo, sobra sempre uma hipótese de ironia e humor.

 

Poster de «Chantrapas» CHANTRAPAS

Niko é um jovem cineasta georgiano que se sente pouco compreendido no seu país. Resolve tentar a sorte em França onde, supostamente, a arte é levada a sério e os artistas respeitados. Mas nem mesmo longe da Geórgia o destino parece querer facilitar-lhe a vida...

De Otar Iosseliani com Dato Tarielashvili, Tamuna Karumidze, Fanny Ginin; Comédia, Drama; 122m; M/12; FRA, UCRÃNIA; 2010


>Ouça a crítica de João Lopes

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