Aventura urbana e cósmica
Da novela gráfica para o estúdio de cinema

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Aventura urbana e cósmica

Chegou, finalmente, a adaptação da novela gráfica "Watchmen" — uma confirmação das qualidades de Zack Snyder, cineasta de estúdio

"Dr. Manhattan" na Lua? E o rosto sempre em mutação de "Rorschach"? E a peculiar energia de "O Comediante"?

Há duas décadas que os leitores da novela gráfica "Watchmen", de Alan Moore/Dave Gibbons, se interrogavam sobre a (im)possibilidade de a transpor para cinema. As respostas chegaram, finalmente.

Escusado será dizer que nunca seria fácil, quanto mais não seja porque "Watchmen" é um caso brilhante de reconversão crítica do imaginário dos super-heróis e, mais do que isso, uma teia narrativa de muitas e fascinantes complexidades.

Digamos que o filme que agora se revela — "Os Guardiões", de Zack Snyder — tem o mérito primordial de saber conservar o espírito do original: uma aventura cujos delírios mais ou menos barrocos vão a par de uma desconcertante inserção no nosso mundo conhecido e reconhecível.

Temos, assim, uma narrativa épica que se transforma em parábola sobre o próprio conceito de aventura. E tanto mais quanto Snyder vem confirmar as virtudes de trabalho já demonstradas em "300" (2006). Que é como quem diz: a capacidade de utilizar todas as potencialidades virtuais dos actuais estúdios de cinema, inventando um mundo dúplice, urbano e cósmico, onde a fábula se pode cruzar com os mais inesperados detalhes realistas.

O cinema não tem que ser todo assim. Mas tendo em conta a conjuntura global da cultura popular — e em particular as articulações entre BD e outros meios —, podemos apostar que "Os Guardiões" é um modelo de produção para muitos filmes de um futuro mais ou menos próximo.

WATCHMEN - OS GUARDIÕES
De Zack Snyder com Carla Gugino, Jeffrey Dean Morgan, Patrick Wilson; Acção, Drama, Thriller; 163m; M/16; CAN, EUA, GB; 2009

 


Ouça a crítica de João Lopes


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