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Bertolucci reage a ataques sobre a forma como rodou a cena de sodomia de "O Último Tango em Paris"

Declarações do realizador em 2013 provocaram reações de desagrado por parte de algumas atrizes norte-americanas.

O cineasta italiano Bernardo Bertolucci veio a público defender-se de novas alegações de abuso sexual, quarenta e quatro anos após o lançamento de "O Último Tango em Paris", com a sua célebre cena de sodomia envolvendo Marlon Brando e Maria Schneider,

"Quero, pela última vez, esclarecer um mal-entendido ridículo que continua a ser relatado em jornais de todo o mundo sobre "O Último Tango em Paris", escreveu segunda-feira num comunicado o realizador de 76 anos, defendendo-de da acusação de violência sexual contra a atriz Maria Schneider, que tinha 19 anos, na altura em que o filme foi rodado.

"Alguns pensaram, e pensam, que Maria não tinha sido informada da violência sofrida (na cena). Errado! Maria sabia de tudo porque tinha lido o argumento, onde tudo estava descrito. A única novidade foi a ideia de manteiga", disse Bertolucci. Considerou também "desoladora" a ingenuidade daqueles que não sabem que "o sexo no cinema é (quase) sempre simulado."

No "Último Tango em Paris" (1972), uma jovem vive uma breve paixão tórrida com um viúvo americano de visita a Paris, num apartamento com vista para o Sena. Marlon Brando, na altura uma lenda viva, interpretou neste filme um dos seus últimos grandes papéis.

A atriz francesa, que morreu em 2011, disse dez anos após o lançamento do filme que se arrependera de nele ter participado, culpando-o por "sete anos de vida perdidos" entre a cocaína, a heroína e a repulsa por si própria. "Era jovem e inocente, não compreendia o que estava a fazer. Hoje, recusaria. Todo o alarido à minha volta, desorientou-me", disse.

Em 2007, quando dos 35 anos após a estreia de "O Último Tango em Paris", numa entrevista ao jornal britânico Daily Mail, Schneider afirmou que a cena da sodomia não fazia parte do argumento e que foi Brando que teve a ideia de a acrescentar.

A atriz morreu de cancro em 2011, mas o tema voltou a ser abordado dois depois. Durante numa entrevista a um programa de televisão holandês, Bertolucci admite que Schneider não foi avisada e acrescenta que a ideia foi tanto sua como de Brando. O objetivo era obter uma interpretação mais genuína.

Na altura, a imprensa italiana deu algum realce às declarações, mas a indignação evaporou-se em pouco tempo.

Foi só quando uma organização não-governamental espanhola decidiu escolher esse segmento da entrevista de Bertolucci para assinalar o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres, a 23 de novembro,  que o caso ganhou viralidade e chegou à imprensa mundial.

A polémica estalou nos Estados Unidos pela voz da estrela Jessica Chastain. "Todos aqueles que gostam do filme, fiquem sabendo que estão a assistir à violação de uma jovem de 19 anos por um homem de 48 anos. O realizador planeou a agressão. Isso deixa-me doente", escreveu Chastain na rede social Twitter onde foi seguida por outras atrizes indignadas.

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